Eleito em maio, brasileiro assume chefia da OMC

O diplomata brasileiro Roberto Azevêdo assume neste domingo o posto de novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), como primeiro latino-americano a comandar a entidade. Ele sucede o francês Pascal Lamy, que liderou do órgão nos últimos oito anos.

 

Entre as prioridades de Azevêdo no mandato de quatro anos que se inicia estão a retomada das negociações da Rodada de Doha – destinadas a remover as barreiras comerciais entre países, iniciadas em 2001 e estagnadas desde 2008 – e o fortalecimento do sistema multilateral de comércio.

 

 

 

Em entrevista à DW no início do ano, o diplomata afirmou que quer transformar novamente a OMC num foro viável de negociações “para que as atenções voltem ao sistema multilateral e as negociações voltem a ter um grau de ambição compatível com as necessidades de crescimento do mundo atual”. Eleito em maio, o novo diretor-geral da OMC passou por cargos importantes, tanto no governo brasileiro quanto em organizações internacionais – como, por exemplo, entre 1997 e 2001, na delegação do Brasil junto à ONU e outros organismos internacionais em Genebra.

 

 

 

De 2005 a 2006, ele liderou a delegação brasileira nas negociações da Rodada de Doha na OMC. Desde setembro de 2008, atuava como embaixador permanente do Brasil junto à OMC. Considerado hábil negociador, ganhou litígios comerciais importantes para o Brasil. Um deles, em 2005, quando conseguiu que a entidade máxima do comércio mundial obrigasse a União Europeia a reduzir suas subvenções ao açúcar. Em 2008, venceu uma disputa de seis anos no tribunal da OMC entre Brasil e EUA, concluída com a condenação dos subsídios americanos ao algodão.

 

 

 

Primeiro grande desafio do brasileiro, de 55 anos, será em dezembro, quando ocorrerá o próximo encontro ministerial da OMC em Bali, na Indonésia, tido como decisivo para o futuro da entidade: a 9° Conferência Ministerial da OMC. “O fracasso de Bali pode ter um efeito duradouro sobre a OMC”, vaticinou o chefe demissionário do órgão, Pascal Lamy.

 

 

 

Esperança, mas pouco otimismo
Azevêdo tem esperanças de conseguir avançar na reunião, embora admita haver pouco motivo para otimismo. “Estamos em um momento delicado, de certo pessimismo em Genebra”, reconheceu Azevêdo em maio, durante visita ao Brasil. Segundo o diplomata, para que haja progressos, é necessário que os participantes cheguem em Bali com vontade de negociar. “Acho que há dificuldades, os países membros terão que fazer um esforço para chegar a um entendimento. Mas acho que esse esforço é possível”, frisou no início de agosto, em entrevista ao canal de notícias Euronews.

 

 

 

“Sempre vivenciei Roberto Azevêdo como um interlocutor acessível e dinâmico”, elogiou, em entrevista à DW, o alemão Karl-Ernst Brauner, um dos quatro diretores gerais adjuntos, designados pelo brasileiro há duas semanas. “Ele é o que eu chamaria de um líder moderno”, conclui o atual diretor do departamento para política econômica exterior do Ministério alemão da Economia. Antes, ele foi representante da Alemanha no Comitê de Política Comercial em Bruxelas nos últimos 12 anos.

 

 

 

Além de Brauner, a equipe que assessorará diretamente Azevêdo será integrada pelo chinês Yi Xiaozhun, o americano David Shark e o nigeriano Yonov Frederick Agah. Yi Xiaozhun é atual representante da China na OMC, em Genebra desde 2012, tendo sido antes alto funcionário do Ministério do Comércio da China, onde trabalhou em questões relacionadas ao comércio internacional desde os anos 1980.

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