Dores de cabeça e na face podem ter origem na boca

Diagnóstico pode demorar anos caso não seja avaliado por profissional especializado. Estudo mostra que a dor está presente em 97% nos casos de Disfunções da Articulação Temporomandibular

Dor de cabeça, dor na face ou na região do pescoço. Muita gente sofre com esses problemas sem desconfiar que eles podem ter origem na boca. Em vários casos, pacientes chegam a sofrer por anos até que um diagnóstico preciso seja feito. O assunto é tão importante que a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) escolheu a Dor Orofacial como tema central da sua campanha anual para o alívio da dor. Um dos objetivos é conscientizar os profissionais da saúde, gestores em saúde e público em geral sobre a importância da questão da dor.

Leda Batelo Ribeiro, 54, passou mais da metade da sua vida sofrendo com fortes dores de cabeça. A professora lidou por 42 anos com a dor e chegou a se consultar com médicos de várias especialidades, sempre sem sucesso no diagnóstico e alívio para o sofrimento. A cura só veio quando Leda descobriu que a dor que tanto a afligia, na verdade, tinha origem oral, vinha do músculo da sua mastigação. Com o tratamento adequado, hoje a professora voltou a levar uma vida normal e livre da dor.

Histórias como a de Leda são muito comuns. Geralmente, os pacientes com dor orofacial passam por diversos especialistas até que o diagnóstico seja feito. Até mesmo pela escassez de profissionais especializados para diagnosticar e tratar a dor orofacial. Levantamentos sobre pacientes que apresentam Disfunções da Articulação Temporomandibular (ATM) demonstram que a dor está presente em 97% dos casos. Além disso, cerca de 70% das pessoas tem dor no segmento cefálico (cabeça) em algum momento ao longo da vida, sendo que 40% já apresentaram dor dentária nos últimos seis meses.

O Prof. Dr. Marcelo Junqueira, que é Mestre e Doutor em anestesiologia oral e especialista em dor orofacial, explica que o diagnóstico é muito complexo. “A dor dentária e a dor no músculo da mastigação, geralmente, somam-se a outros diagnósticos, como dores de caráter neuropático (neuralgia trigeminal, síndrome da ardência bucal, odontalgia atípica, dor facial atípica, etc), cefaleias primárias, entre outros. O diagnóstico depende de uma história detalhada e de um exame clínico minucioso, além de exames complementares para que todos os aspectos envolvidos sejam identificados e devidamente tratados”, informa o cirurgião dentista.

De acordo com a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), estudos recentes apontam as causas mais frequentes da dor orofacial. Entre elas estão: dores de dente (as mais comuns), disfunções da articulação temporomandibular – oclusão dentária, bruxismo, postura mandibular ou cervical e estresse (que são os principais fatores de risco para as mulheres), neuralgia trigeminal (afeta quatro em cada 100 mil doentes), câncer bucal e síndrome da ardência bucal (atinge cerca de 6% das mulheres idosas).

O tratamento inicia-se com etapas locais, como remoção de infecções e cáries, e segue para o tratamento periodontal (placa de mordida, fisioterapia, entre outras medidas que podem ser necessárias). De acordo com o caso, podem ser associados medicamentos, como anti-inflamatórios esteroidais e não esteroidais, antidepressivos tricíclicos, opioides, relaxantes musculares, anticonvulsivantes entre outros. “O profissional mais capacitado para o tratamento da dor orofacial é o dentista, que, por sua formação, tem conhecimento específico do aparelho mastigatório, dos dentes e de suas estruturas, além das doenças que envolvem esses tecidos, as quais são as causas primárias mais comuns de dores orofaciais”, finaliza Dr. Marcelo de Souza Junqueira.

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