Dezembro é a aposta das concessionárias

Depois de alguns anos de vendas recorde de veículos em Votuporanga e na região, 2014 chegou como um banho de água fria para as concessionárias da cidade. Os resultados até outubro estão bem abaixo dos registrados em 2013, que o balanço do primeiro semestre já indicava. Agora, resta aos fabricantes a esperança de um dezembro melhor, já que esse será o último mês de Imposto sobre Produtos Industrializados reduzido (leia mais abaixo, à direita).

No total, de janeiro a outubro de 2014, foram emplacados em Votuporanga 1.451 veículos, resultado 16% abaixo do registrado no mesmo período de 2013, quando foram vendidos 1.726 veículos.

A Fiat foi a marca mais vendida de Votuporanga. De janeiro a outubro, foram comercializadas 302 veículos da montadora na cidade (emplacados no município), número 19% menor que o de 2013, quando as vendas atingiram a marca de 373 unidades no período.

A Chevrolet,que aparece em segundo lugar no ranking, foi responsável pelo emplacamento de 296 veículos em 2014, 30% a menos que mesmo período de 2013.

Já o terceiro lugar ficou com a Ford, com 258 unidades comercializadas, 21% a menos.

O economista Hipólito Martins Filho elenca uma série de causas para a situação do mercado. “Foram vários os fatores: restrição ao crédito; concessionárias exigindoumaentrada de pelo menos 20%, o que o consumidor quase sempre não tem disponível; diminuição do número de parcelas a serem financiadas; inflação e juros altos corroendo parte do poder aquisitivo do consumidor; e falta de confiança do consumidor com relação à economia nos próximos anos”.

Somando todas essas questões, o cenário se mostra menos favorável e menos otimista para o mercado de automóveis, afirma o economista Bruno Sbrogio. “Existe o sentimento generalizado de que a situação econômica irá piorar. Isso faz as pessoas adiarem consumo de bens mais caros, como carro. Complementando o sentimento negativo a cerca da economia, podemos também somar o encarecimento do crédito, o processo inflacionário resistente e o reajuste que era esperado desde o começo do ano, atrasado pelo processo eleitoral, que finalmente chegou”.

Além disso, segundo Sbrogio, o mercado atingiu níveis próximos ao máximo de vendas nos últimos anos, com ou sem estímulos. “Quem sobrou para comprar carro ou trocar carro é o comprador que tem poder de compra, tornando o estímulo do IPI praticamente irrelevante”.

No entanto, a situação poderia ser pior, afirma o gerente comercial da Ford Báltico, revendedora da FordemRio Preto, Evandro Inocêncio da Silva. “O ano de 2014 não foi tão bom quanto 2013, mas não podemos reclamar. A Ford lançou uma série de novidades, como a mudança de modelos antigos, que ajudaram a atrair os consumidores”, conta.

Beto Carlomagno
beto.carlomagno@diariodaregiao.com.br
LucianoMoura
luciano.moura@diariodaregiao.com.br

 

Fiesta, Strada e Onixsão os mais vendidos

[VOTUPORANGA - 5]  VOTUPORANGA/VOTUPORANGA/PRODUCAO ... 0No ranking dos três veículos mais vendidos em Votuporanga entre janeiro e outubro deste ano o Fiesta, da marca Ford, aparece no topo da lista. Neste período foram emplacados na cidade 114 unidades. “O Fiesta é um carro plataforma mundial com pacote de opcionais atrativos como. A versão 1.6 é classificada como consumo A pelo Inmetro”, afirma Talita Kubota, gerente de vendas da Ford Wells.

O segundo carro mais ‘queridinho’ pelos votuporanguenses é a Strada, da Fiat. Nos primeiros dez meses foram emplacados 96 unidades na cidade. O gerente de vendas da Camila Veículos, Fleury Angelo Cecchini Júnior, afirma que o ‘boom’ nas vendas deste veículo se deu graças ao Pronaf Mais Alimentos, que possibilitou financiamentos com juros baixos e condições facilitadas aos produtores rurais. O terceiro carro mais vendido foi o Onix, da Chevrolet, com 88 unidades. Antônio Rogério Fernandes Dias, gerente da Apravel, em Votuporanga, a expectativa de vendas é positiva para dezembro. “Somos em 12 concessionária, com pelo menos 300 veículos em estoque. Do mix de 12 modelos, oito deles estão com taxa zero – tem de ter entrada – e com parcelamentos de até 36 vezes sem juros”. (LM)

Redução do IPI chega ao fim

[VOTUPORANGA - 5]  VOTUPORANGA/VOTUPORANGA/PRODUCAO ... 0A atual alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, que está reduzida, não deve ganhar uma nova prorrogação em 2015. Janeiro é a data marcada para que o imposto volte a seu valor regular.

Veículos de motor 1.0 terão a alíquota alterada de 3% para 7%; veículos acima de 1.0 até 2.0 flex passarão de 9% para 11%; veículos acima de 1.0 até 2.0 a gasolina vão de 10% para 13%; veículos acima de 2.0 flex continuarão com 10%, assim como os acima de 2.0 a gasolina, que permanecerão com a alíquota de 25%.

A causa para o fim do benefício, segundo o economista Bruno Sbrogio, é a situação das contas públicas.

“O complicado problema do déficit nas contas públicas impede o governo de fazer mais renuncio fiscal (redução de impostos). Ao contrário disso, vemos uma movimentação incômoda no sentido de aumentaram ainda mais a violenta carga de impostos já existente. O fato é que toda benesse cobra seu preço, ou, como diria a frase popularizada por Milton Friedman, ‘não existe almoço grátis’”.

Com essa perspectiva, os economistas apostam em um ano ainda mais complicado para o setor. “As concessionárias não passam por um bom momento, faz parte do jogo do mercado, terão que encontrar alternativas para melhorar suas vendas, seja com promoções, com juros menores, com entrada menor e ou com parcelamento maior (mesmo correndo o risco da inadimplência).

O ano de 2015 não será um ano bom para as concessionárias em função das incertezas da economia. A renda e o emprego vêm desacelerando e o acesso ao crédito deve melhorar pouco”, afirma o economista Hipólito Martins Filho. (BC)

Especialista dá a dica de como pagar

Para aqueles que estão pensando em aproveitar o último mês de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, o conselho do economista Bruno Sbrogio é tomar cuidado, analisar de forma bastante realista o impacto de uma compra desse porte nas finanças pessoais. “Sempre oriento a olhar o nível de endividamento, ou seja, em caso de financiamento, quanto vai darde entrada,quanto irá financiar e o juros disso.Também é preciso observar a capacidade de pagamento( quanto as parcelas do financiamento retiram da sua renda e se compromete demais deixando pouco espaço de manobra), as expectativas quanto a renda( crescente ou decrescente) e se existe uma reserva confortável para qualquer eventualidade”, afirma.

No entanto, Sbrogio não recomenda a compra para quem vai dar todas as suas economias na entrada do carro ou vai comprometer mais de 30% da renda familiar em parcelas.” Lembrosemprequecarro não é apenas o financiamento, é IPVA, licenciamento, seguro, manutenção, etc. Caso a pessoa tenha o dinheiro à vista, previamente estabelecidoparaacompraemaisumareserva para eventualidades, não há qualquer mal em aproveitar o final doIPI reduzidoe aindanegociar algum desconto, podendo transformar o negócio em algo bem atrativo”. E as concessionárias estão torcendo para que haja esse movimento durante dezembro.

“É um bom momento.Oretorno do IPI deve acrescentar pouco mais de R$ 1 mil ao preço final do veículo. Comprando agora, o consumidor poderá utilizar esse valor para o pagamento de outras contas, como o IPVA ou o seguro”, afirma Leandro Castro, gerente de vendas da Alpínia Veículos, revendedora da Fiat em Rio Preto. (BC)

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