Desavenças sobre conta e ameaças à família motivaram homicídio

JALES – Já está preso provisoriamente por 30 dias o comerciante Luiz Carlos Rodrigues apontado como assassino de Silvano Matos Soares, de 36 anos, na Avenida Alfonso Rossafa Molina, no dia 1º de setembro. Ele se apresentou na companhia do seu advogado, Luiz Fernando de Paula, na tarde da última terça-feira, dia 16 de setembro.

Segundo o delegado Sebastião Biazi, que tomou seu depoimento, Luiz alegou que Silvano tinha feito diversas ameaças à sua família, inclusive ao seu neto de aproximadamente dois anos.

As ameaças começaram depois de uma desavença na cobrança de uma conta no restaurante da família do comerciante. Um dos vales não estaria assinado e Silvano teria se negado a pagá-lo. As cobranças, então, se transformaram em troca de ofensas e discussões, que logo viraram ameaças de morte. “Segundo o depoimento do Luiz, Silvano dizia que era do PC, que iria cortar o pescoço dele e chegou a discutir severamente com um dos sobrinhos dele”.

Cansado das ameaças de Silvano, Luiz pegou um revólver calibre 38 e foi à procura do desafeto em pelo menos dois locais onde ele trabalhava como servente de pedreiro. Não o encontrou.

Já à tarde, o comerciante passava pela Avenida João Amadeu quando avistou seu alvo tomando sorvete em frente à revenda de automóveis usados, Feltrin Veículos. Decidiu, então retornar para tirar satisfações, mas ao chegar não mais o encontrou. Foi então que perguntou o seu paradeiro e revelou sua identidade a testemunhas que acabaram ajudando nas investigações. Depois de alguns minutos, a vítima reapareceu e os dois iniciaram uma rápida troca de ofensas com frases como “você ainda quer me matar?” e desafios como “Fala agora que eu sou um bosta”. Em seguida, Luiz disparou o primeiro tiro, provocando a queda de Silvano, que foi atingido novamente por um tiro fatal, quando já estava caído.

“Ele disse que queria apenas dar um susto no rapaz, mas novamente se iniciou uma discussão que, dessa vez, acabou no crime”, disse o delegado.

O assassino, então teria fugido numa moto Burgman de sua propriedade. No caminho, deixou a arma cair debaixo de um Fiesta estacionado e não voltou para pegá-la. O revólver não foi encontrado até agora.

Ele não revelou seu paradeiro desde o dia do crime, mas seu advogado disse que ele não estava fugindo da polícia, mas apenas viajando a serviço.

Luiz Carlos Rodrigues foi indiciado por homicídio qualificado (sem direito de defesa da vítima) e está preso na Cadeia Pública de Jales. Seu advogado pretendia pedir relaxamento da prisão para que ele aguardasse o resultado do processo em liberdade.

“O segundo tiro foi dado com a vítima caída e isso impediu a sua defesa. Mas não qualifiquei por motivo fútil porque havia um entrevero entre os dois”, afirmou Biazi.
O delegado explicou que o resultado rápido da investigação se deve à ação igualmente rápida da Polícia Civil, que foi a campo imediatamente após o homicídio e conseguiu provas importantes como depoimentos e imagens, que corroboraram a suspeita.

“Se a equipe não entrar em ação na hora, perde as provas que vão se deteriorando com o tempo. Eu e a doutora Letícia, além de toda a equipe de investigadores já tínhamos as provas contra ele no dia seguinte ao crime. Era ele, não tinha outro. Então representamos pela prisão temporária de 30 dias”.

O inquérito ainda não está terminado, já que ainda falta o depoimento de uma testemunha, mas o delegado garante que as provas colhidas até aqui coincidem com o depoimento do autor e dão total consistência ao inquérito.

Biazi ressaltou que deve o trabalho à toda equipe da Central de Polícia Judiciária de Jales e parabeniza a todos pelo resultado. “Sou um mero porta-voz da equipe que envolve escrivães, investigadores, delegados e outros. Agradecemos ao MP e ao judiciário, além da população de forma geral, que continua denunciando anonimamente”.

Biazi enaltece a importância das denúncias anônimas para a resolução dos casos. Nesse, em especial, a primeira pista surgiu graças à informação anônima de que Luizão teria procurado Silvano em uma obra onde ele trabalhava. “Tudo começou numa denuncia anônima”.

Jornal A Tribuna

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