Dengue hemorrágica mata aposentado

Antes mesmo de entrar na sala de velório, Lucas Eduardo Aparecido Alves, 22 anos, faz a pergunta para as pessoas que estão na porta do cemitério São João Batista: “Foi a dengue mesmo que matou meu pai?”.
A família já havia sido informada do diagnóstico mais de uma semana atrás, mas ele parece não acreditar. “Parece que nunca vai acontecer com a gente”.

Seu pai, o aposentado Júlio Alves, 54 anos, é a segunda vítima fatal da dengue em Rio Preto em menos de um mês. Ele morreu na manhã de ontem, após 14 dias internado no hospital Ielar, com quadro de dengue hemorrágica. No dia 21 de março a vítima já chegou com sangramento à UPA do Jaguaré. O outro caso aconteceu no dia 11 de março, apenas 24 dias antes. O autônomo Ângelo André de Andrade Veschi, 38 anos, morreu por dengue com complicações. Ele havia sido internado no hospital Austa no mesmo dia.

As mortes reafirmam o alerta que se dá pelo número crescente de casos de dengue na cidade, que vive uma epidemia com 3.927 confirmações da doença. Nos três primeiros dias de abril, foram confirmados 357 infectados, 121 deles ontem. No dia 26 deste mês, mesma data em que a Secretaria de Saúde confirmou que Júlio estava com dengue hemorrágica, o prefeito Valdomiro Lopes (PSB) decretou estado de emergência para a dengue na cidade, como uma medida de agilizar burocracias na busca de recursos de combate à doença.

A família de Júlio conta que a suspeita do diagnóstico foi levantada pelos médicos logo no primeiro momento em que examinaram a vítima. A cabelereira Maria Aparecida Alves dos Santos, irmã de Júlio, conta que acompanhou o aposentado até a UPA quando ele começou a queixar-se demais. “Ele estava com febre, dores e sangramento. Quando chegamos na UPA do Jaguaré, o médico já falou que precisava internar imediatamente porque podia ser a dengue hemorrágica”, conta ela.

De acordo com Sebastião Alves, que também é irmão de Júlio, a vítima estava havia alguns dias com os sintomas. “Primeiro ele começou a ter sangramento na gengiva, mas só procurou o médico quando começou a vomitar sangue e as fezes também saíram com sangue”. O vendedor ainda conta que outro irmão – Júlio tinha três – também teve dengue hemorrágica algumas semanas atrás, mas já está bem. “A dele os médicos conseguiram curar a tempo”.

A família reclama que, mesmo debilitado, Júlio precisou esperar mais de quatro horas para ser atendido na UPA. “Ele nem aguentava mais andar, deram uma cadeira de rodas e fizeram esperar todo esse tempo”, reclama Maria. Júlio teria ficado internado em um quarto do Ielar por três dias, mas, no dia 24, seu quadro se complicou e ele foi encaminhado para a UTI. De acordo com a família, ele tinha problemas de rim, que eram controlados. “Ele estava bem de saúde”, lamenta a irmã Maria.

Em nota, a Secretaria de Saúde do município confirmou que Júlio estava internado desde o dia 21 e que o Ielar suspeitou da dengue no dia 25,que foi confirmada por exame no Instituto Adolfo Lutz um dia depois, no dia 26. O aposentado era morador do bairro João Paulo II, divorciado e tinha três filhos de 22, 27 e 33 anos. Para Maria, a dor deve servir de alerta. “O prefeito e o povo precisam agir porque senão vamos perder mais gente”.

Máquinas vão agilizar diagnósticos

Pela primeira vez desde que decretou estado de emergência no último dia 26, a Prefeitura de Rio Preto utiliza essa condição para justificar uma medida sem passar por licitação. A administração municipal adquiriu esta semana por empréstimo, pelo prazo de 90 dias, quatro máquinas que realizam 700 hemogramas instantâneos ao dia.

Apesar de não confirmarem a dengue, as máquinas poderão auxiliar no pré-diagnóstico e no acompanhamento dos pacientes com a doença, identificando, por exemplo, hemorragias em casos de dengue hemorrágica. As máquinas serão instaladas nas UPAs Norte, Santo Antônio, Central e Jaguaré. A Central e a Norte dobraram o número de atendimentos diários com a epidemia da dengue, passando respectivamente de 250 e 400 atendimentos para 500 e 800. Juntas, as quatro UPAs estão recebendo cerca de 2 mil pacientes ao dia.

A Secretaria de Saúde informou que irá pagar por exame realizado, mas não divulgou qual é o preço estipulado pela comodatária por cada exame feito. O exame que confirma a dengue (sorologia) tem demorado cerca de 20 dias para ficar pronto, de acordo com o município. A Prefeitura informou que também vai contratar 300 profissionais de saúde para reforçar o efetivo nas 26 unidades de saúde. Neste final de semana, serão realizados arrastões em bairros da zona norte, onde há maior concentração de infectados pela dengue, com a ajuda de voluntários evangélicos e do Tiro de Guerra.

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password