Dengue agora é epidemia em 7 de cada 10 cidades da região

Sete em cada dez cidades da região estão em epidemia de dengue. O Noroeste paulista já soma 33 mil casos da doença neste ano, a maior parte nos 80 municípios onde a doença já fugiu do controle. Na média, um a cada 60 moradores da região já contraiu o vírus.

Só em Rio Preto, foram confirmados ontem 906 novos casos na segunda quinzena de abril, com a segunda morte do ano – um bebê de sete meses. A cidade, que está em epidemia, chegou a 2.989 infectados no ano, mais do que o dobro dos 1.207 registrados no ano passado inteiro. Segundo a assessoria da Secretaria de Saúde, o aumento do número de casos era esperado, já que a cidade está em epidemia.

O bebê, cuja família é do Parque da Cidadania, zona norte, era do sexo masculino. Os primeiros sintomas surgiram no dia 10 de abril. Dez dias mais tarde, ele morreu. A outra morte foi de um aposentado de 56 anos, em março.
Anteontem, Catanduva, de longe a cidade da região mais afetada pela doença, confirmou mais cinco mortes pela dengue. Com isso, a cidade contabiliza 23 óbitos – na região, são 30.

“Em cidades como Catanduva, a epidemia se explica pelo fato de a população estar com o sistema imunológico desprotegido, já que há algum tempo não havia uma epidemia. Mas não é o caso de Rio Preto, que registrou grande número de casos há dois anos. Isso ainda não tem explicação”, afirma o virologista da Famerp Maurício Nogueira.

Em Estrela d’Oeste, a dengue já infectou um em cada oito moradores, recorde na região. Há casos em que quase toda família foi contaminada. Na casa de Alex da Silva Rossi, 41 anos, ele e a mulher foram vítimas – só escapou o filho de quatro anos. “A sorte foi que minha mulher ficou doente antes de mim, porque depois, quando eu peguei dengue, fui cuidado por ela”, diz Rossi.

A dona de casa Sandra Silva Izipato, 50 anos, teve de ajudar no tratamento da dengue do marido e da mãe. Depois que todos se recuperaram, foi ela a vítima. “Fiquei seis dias ruim, de cama. Só saí de casa para tomar soro no hospital”, afirma. A coordenadora de Saúde do município, Eliana Ralio Garuzi, não foi localizada pelo Diário ontem.

Em Paraíso, com 66 casos confirmados da doença, a prefeitura decidiu criar um disque-dengue (99745-6368), para receber denúncias de criadouros do mosquito. Mesmo assim, em algumas cidades a população reluta em colaborar. “Muitos acham que tudo é dever do agente de saúde. Chegam a telefonar pedindo para limparmos latas e vasos no quintal da casa”, afirma Marcos de Freitas Paiva, funcionário da Vigilância Epidemiológica de Cajobi, que tem 132 ocorrências de dengue neste ano.

O resultado é a explosão da doença. Em Jales, com 645 casos, são notificados cerca de 50 novas ocorrências por dia. Em Guapiaçu, são 12 por semana. “Neste mês (abril), a dengue explodiu na cidade”, diz o coordenador da Vigilância Epidemiológica de Guapiaçu, João Carlos da Silva.

Oásis

Em meio ao alastramento da dengue pela região, três cidades não registraram nenhum caso da doença até agora: Dirce Reis, Nova Castilho e Nova Canaã Paulista, todas muito pequenas, com até 2 mil habitantes. Em Nova Castilho, com 1,2 mil moradores apenas, nem larvas foram encontradas pelos cinco agentes. “Aqui todos se conhecem e conseguimos entrar em todas as casas”, diz o enfermeiro-chefe do município, Emerson Mario de Andrade.

Outro fator que colabora para a doença não invadir a cidade é o relativo isolamento de Nova Castilho. Não há linhas de ônibus regulares para a cidade, apenas um ônibus da prefeitura que transporta pacientes para a cidade mais próxima, General Salgado. “Sempre pedimos para as pessoas que embarcam para usar repelentes e calça comprida”, diz Andrade.

 

(Colaborou Ariane Godoi)/Allan de Abreu e Marco Antonio dos Santos/Diário da Região

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