Dedique-se ao amor por inteiro

A palavra desamor significa: sem amor, sem alma. Sendo assim, uma relação só focada na vida sexual, sem amor, sem companheirismo, cumplicidade, sem alma, é um relacionamento estéril, que pode levar à solidão a dois. “Freud, o pai da psicanálise, definiu felicidade como sexualidade e sociabilidade naturais, espontânea satisfação pelo trabalho e capacidade de amar”, diz o terapeuta Osvaldo Shimoda, especialista em terapia regressiva evolutiva.

Para o médico psiquiatra e psicoterapeuta Ururahy Barroso, a intensidade do afeto manifestado por meio do sentimento intenso, seja pela comunicação não-verbal, que é quando a face brilha na presença do outro, seja pela comunicação verbal, quando você comunica para o outro seu amor, sua paixão. “É necessário sentir e falar todo dia, toda hora: ‘Eu te amo’. A paixão e o amor são como um jardim que todo momento você necessita cuidar. Ervas daninhas nascem espontaneamente, mas também flores lindas e maravilhosas do amor e da paixão, quando cultivados, florescem, colorindo e perfumando o relacionamento”, garante.

Os especialistas explicam que o que caracteriza uma relação com alma é sentir saudade um do outro, é vibrar com a presença e não com a ausência do outro, é fazer planos sempre juntos, e querer dormir e acordar lado a lado, fazer carinho e elogios, chorar, partilhar, compartilhar gostos, desejos, lazer, trabalho, desafios e sonhos com o outro. É saber que não tem como se cobrar amor. O amor é a espontaneidade e é isso que o torna tão fascinante.

É preciso investir mais em afeto

Manter todo dia a espontaneidade e a intensidade do amor. Entender que quando você está bem no relacionamento, com alma, com amor, com paixão, tudo fica bem. Para Ururahy Barroso, priorizar o relacionamento é uma questão de inteligência, pois tudo fica mais fácil quando você vive um grande amor e manifesta isso todo dia, toda hora. Viver com alma e não apenas com o corpo, colocar paixão, o tempero do amor, para que cada dia seja mais empolgante que o outro, para que o namoro e a conquista sejam constantes.

“Ou se vive a intensidade ou já não existe mais amor, apenas amizade. Escolher viver o amor na sua espontaneidade e intensidade de forma surpreendente é viver a felicidade dentro do relacionamento, fazendo com que todo o restante seja uma consequência disso. Hoje, já está provado que pessoas infelizes estão mal no relacionamento, assim como pessoas felizes estão bem”, diz.

O especialista dá dicas: todo o dia o beijo na boca, prazeroso, intenso, quente e demorado, todo dia a colaboração entre os dois, todo dia o diálogo, todo dia o carinho, todo dia o elogio, todo dia o deitar juntos em conchinha, todo dia falar coisas boas na hora de dormir, e quase todos os dias fazer sexo com amor e prazer. Tudo isso contribui para uma felicidade conjugal apaixonante.

“O relacionamento é fundamental na vida da pessoa. Então, nada melhor que priorizar isso. Muitos priorizam o trabalho e é por isso que temos tantas pessoas com problemas. Quem se dedica em exagero ao trabalho, os workaholics, na maioria das vezes está infeliz no casamento. Alguns priorizam os filhos, que também é uma distorção do foco.

O foco dever ser investir afeto, tempo, energia, dedicação junto ao relacionamento e todo o restante ficará muito mais fácil. Felicidade conjugal apaixonante é uma missão para toda a vida, resultante da dedicação diária e de todos os momentos. Não precisa ser fácil, basta valer a pena”, diz.

Vidas passadas a limpo

Conflitos fazem parte do relacionamento e sempre vão existir. “Quando um casal desenvolve estratégias solucionadores de conflitos que se transformam em crescimento e não em confrontos, isso torna a vida a dois uma das experiências mais fascinantes de maturidade emocional e de crescimento para a felicidade. Dizer que ser solteiro é estar livre e ser casado é estar preso é relativo. Uma pessoa pode estar em um casamento ou em um relacionamento sério e se sentir livre, porque onde existe amor com intensidade, existe liberdade. Enquanto a outra pessoa pode estar solteira e estar presa à solidão”, explica Ururahy Barroso.

Para o psicoterapeuta de orientação junguiana Alberto Lima, casais que tentam separar demais o sexo das atribuições da vida em comum acabam vivendo um relacionamento sem alma. “Quando se evita levar dificuldades para a cama em nome de um suposto discernimento, o que se obtém é uma união sem alma. Para ser plenamente incluída e vivida, a alma de um casal, como a de uma pessoa ou de uma família, requer o acolhimento a suas dores e dificuldades e a abertura para as dimensões sombrias da vida, não só para as iluminadas. O quarto, templo da intimidade, é um bom contexto para o processamento da experiência anímica. E, depois, o prazer de transar com alma fica intensificado”, conclui.

Quando necessário, o casal precisa resgatar a capacidade de amar, ser funcional do ponto de vista amoroso. “O que acontece muitas vezes também, e que vivencio no trabalho diário que faço de regressão com meus pacientes pela Terapia Regressiva Evolutiva, é que quando um casal tem comportamentos narcisistas, egocentristas, essa relação sem alma resulta da falta de coragem para se entregar numa relação a dois.
Isso porque o casal pode ter ainda nessa encarnação resquícios de vidas passadas, onde pode ter vivenciado desafetos, como momentos de raiva, ódio, mágoas e desprezo. Ao regredir, e ter consciência dos erros do passado e do aprendizado que ambos possuem nesta vida, eles acabam tendo mais confiança para se entregar e viver com amor essa relação. Além de entender melhor a importância do amor”, diz.

Questione-se

O terapeuta Osvaldo Shimoda diz que antes de pedirmos algo ao parceiro precisamos nos perguntar se somos capazes de retribuir. “Se você tem o hábito de cultivar o criticismo, dê uma olhada para você.

As pessoas são o nosso espelho. Elas refletem os defeitos – que a gente não quer perceber – e que existem em nós. Você cobra, por exemplo, que seu parceiro não lhe dá carinho, atenção, mas vai aqui uma pergunta: será que você está se dando carinho? Você se dá colo? Ou você é seco, duro consigo mesmo? Se você for realmente honesta com você, vai refletir a esse respeito. Portanto, faça um exame do que você é, de como vem se tratando. Reflita sobre como você se relaciona com seu parceiro.

E lembre-se de que somos seres falíveis e estamos sujeitos aos desacertos e desencontros, mas só conseguimos evoluir, tornar seres humanos melhores a partir do momento que aceitarmos a nossas falhas, nos vigiar para corrigi-las. Mas para isso é preciso exercitar a humildade admitindo as nossas falhas, despojando-nos do orgulho, vaidade, arrogância e prepotência” –  Juliana Ribeiro – diarioweb.com

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