Marco Aurélio ocupa a 13ª posição no ranking mundial da modalidade. Hoje, ele ensina o esporte para cerca de 70 alunos na própria academia em Araçatuba
A árdua rotina de vender garrafas d’água e doces nos semáforos em Araçatuba, no interior de São Paulo, foi deixada para trás após um lutador de jiu-jitsu, de 21 anos, realizar seu maior sonho: abrir a própria academia.
Os esforços de Marco Aurélio Lovato de Oliveira deram resultado positivo há cerca de seis anos, quando ele deixou o trabalho autônomo e apostou no esporte. Hoje, a história do faixa preta que acumula títulos internacionais e uma trajetória marcada pela superação, sendo consagrado campeão mundial, virou inspiração para outros jovens.
Marco também ocupa a 13ª posição no ranking da Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro (IBJJF) na categoria meio-pesado. Além do título mundial conquistado em 2021, ele coleciona medalhas no Campeonato Brasileiro, no Sul-Americano e em etapas do Open internacional, tendo competido em países da Europa, nos Estados Unidos e nos Emirados Árabes Unidos (Dubai).
A participação em grandes competições levou o lutador a viajar e a conhecer outros países.
“Hoje estou entre os melhores do mundo, lutei com os melhores, ganhei de muitos. Consegui fazer várias viagens através daquele passo que dei. Para mim, o que dá mais orgulho, fora as medalhas, foi o ranqueamento que tive”, destacou o atleta em entrevista à TV TEM.
Realização de um sonho
Depois de tantas conquistas e títulos ao longo da carreira, Marco Aurélio passou a focar em um novo desafio: formar atletas de jiu-jitsu. A experiência adquirida durante os anos em que praticou a arte marcial o inspirou a ministrar aulas para jovens e adultos.
Com muito esforço, trabalho e reconhecimento, o jovem conseguiu montar sua própria academia em janeiro deste ano. No começo, não havia alunos e o espaço correspondia à metade do tatame que possui atualmente. Pouco a pouco, a estrutura foi crescendo e já são cerca de 70 alunos matriculados.
Cauã Ribeiro dos Reis está entre os alunos. O garoto começou a aprender jiu-jitsu com o professor e descobriu que o esporte pode lhe ensinar muito mais do que técnicas de luta.
“Jiu-jitsu é uma maneira de, como muitos acreditam, você aprender um esporte e além disso, uma proteção, desenvolvendo várias habilidades”, contou Reis.
Parceria dentro e fora de casa
Para manter vivo seu sonho, o faixa preta de jiu-jitsu também contou com a parceira fundamental da esposa Ingrid Teixeira. Ela ajuda na efetivação das matrículas e cuida da parte administrativa da academia enquanto Marco se dedica aos treinos e aos alunos.
De perto, Ingrid acompanha cada conquista e se orgulha ao ver o marido transformar as dificuldades do passado em oportunidades para ele e para outras pessoas.
É gratificante, né? Porque foi uma caminhada bem longa e a gente vê que ele veio do semáforo, não ficou lá apenas por querer um dinheiro extra . Ele foi, continuou no semáforo, dia, noite, frio ou não e fez aquilo se tornar uma realidade, conquistar o seu sonho de ir para fora, de lutar, competir e não só isso, de abrir a própria academia, disse a esposa.
Hoje, Marco enxerga nos alunos um pouco daquele menino que um dia também sonhou em chegar ao topo. Talvez por isso, mais do que ensinar uma técnica, ele quer que a nova geração acredite nos próprios sonhos e não desista.
” Amo essa oportunidade de dar aulas todos os dias para criança, adulto e poder ver realmente, hoje, o que é viver do jiu-jitsu. Eu percebo que a geração de hoje, às vezes, não acredita nos próprios sonhos. Viver do meu sonho é algo que não tem preço”, ressaltou Marco.











