A dinâmica do assassinato dos quatro homens que desapareceram após cobrar uma dívida em Icaraíma (PR) sugere que o crime envolveu mais pessoas do que os dois principais suspeitos. A advogada Josiane Monteiro Bichet, que defende a família de duas vítimas, aponta que a rapidez e a complexidade da ação indicam o envolvimento de coautores.
As vítimas — Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza — sumiram em 4 de agosto, após viajarem de São José do Rio Preto para o encontro de cobrança. Os corpos foram encontrados 44 dias depois, em 18 de setembro, enterrados em uma área de mata.
Crime premeditado em menos de 24 horas
Segundo a advogada e especialista em perícia criminal, a ação foi premeditada e executada rapidamente entre os dias 4 e 5 de agosto, o que reforça a tese de organização. As declarações de óbito indicam que as vítimas sofreram politraumatismo, traumatismo craniano e ferimentos por arma de fogo, sugerindo que podem ter sido torturadas.
A polícia identificou que a caminhonete das vítimas foi atingida por pelo menos três tipos de armas: nove milímetros, fuzil e ponto 45.
A advogada ressalta que, em um intervalo de um dia, os criminosos conseguiram ter acesso a um bunker (usado para tráfico e contrabando), máquinas para enterrar o veículo das vítimas e as armas. “Eles emboscaram quatro homens muito fortes, muito grandes, e precisam de um número relativo de pessoas”, comentou Josiane.
Suspeitos estão foragidos
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Hudson Leôncio Teixeira, também afirmou que a polícia não descarta a participação de mais pessoas, já que enterrar um veículo no bunker exigiu esforço e maquinário.
Os principais suspeitos do crime, Antônio Buscariollo e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, estão foragidos há mais de um mês. A defesa dos dois nega o crime. A investigação policial segue em sigilo.












