Cresce violência contra a mulher em Votuporanga

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, cresceu a quantidade de casos de violência contra a mulher em Votuporanga. Em setembro de 2011 foram 28 denúncias, já no mesmo mês, em 2012, teve 43 registros.
Em setembro de 2011, foram 26 casos de lesão corporal dolosa e dois estupros. No mesmo mês, em 2012, são dois homicídios, 38 casos de lesão corporal culposa e três estupros.
Durante todo o ano de 2011 aconteceram 386 registros policiais na Delegacia de Defesa da Mulher do município, sendo três homicídios, 359 casos de lesão corporal dolosa e 24 estupros. Em nove meses de 2012, os casos já somam 318, sendo cinco homicídios, 289 situações de lesão corporal dolosa e 24 estupros. Veja que a quantidade de homicídios já é maior que de todo o ano passado. O número de estupros já é igual ao do ano anterior.
O jornal A Cidade conversou com funcionários do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social, que atuam no Serviço de atendimento a Mulher Vítima de Violência e comentaram estes números.
Ariel Augusto B. Gonzales, assistente social, e Débora P. T. Nunes, psicóloga, explicaram que para falar sobre a violência é preciso refletir
sobre a cultura da sociedade.
Para eles, a violência psicológica e a moral, por exemplo, fazem parte do cotidiano de muitas famílias, bem como de relacionamentos de amizade, de trabalho ou de namoro parecendo quase inofensivas. “Quantas pessoas já não se sentiram à vontade para criticar de modo incoerente os filhos, os pais, os avós, seus colegas de trabalho ou amigos íntimos”, falaram.
Eles apontam que muitas vezes tais comportamentos se justificam por interesses individualistas, por cansaço, nervosismo, com fatores externos que são direcionados e transferidos para tais pessoas injustamente.
Outras atitudes agressivas que fazem parte do cotidiano de muitas pessoas são, por exemplo: raiva no trânsito, na fila do mercado ou julgamentos e comentários maldosos sobre a vida e as escolhas alheias. “É importante refletir sobre tais questões, pois a mudança de comportamento deve vir de cada um para que a violência não seja algo comum no nosso dia a dia e, portanto, de fácil aceitação”, ressaltaram.
Segundo Ariel e Débora, há muito mais casos de violência contra a mulher que os denunciados. “Isto pode ser demonstrado pelo fato de as duas últimas mulheres vítimas de assassinato em Votuporanga nunca terem denunciado seus companheiros”, explicaram.
Sobre a violência doméstica, eles disseram que ela começa com pequenos gestos controladores e de isolamento da vítima. Sutilmente passa a se agravar e a mulher, cada vez mais fragilizada e dependente emocionalmente do agressor, passa a aceitar e muitas vezes até mesmo se sentir culpada pela violência, muitas vezes justificada por ela e pelo agressor por atitudes que o desagradam e por desobediência da vítima, de modo que esta se torna cada vez mais apática.
A relação acaba se caracterizando por ser como uma ilha de cumplicidade onde a vítima acredita que ninguém irá compreendê-la.

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