Especialistas e entidades dizem que não há motivo para preocupação, mas que consumo deve ser consciente.
Mas há riscos de faltar comida ou algum mantimento no país? A indústria está preparada para um aumento no consumo?
Com mais gente em casa, a quantidade de comida comprada semanalmente deve aumentar, mas não há necessidade de estocar alimentos. Pelo contrário, a prática desregula todo o sistema de abastecimento.
O G1 conversou com o Ministério da Agricultura, associações de produtores e distribuições de alimentos, bebidas e outros itens, especialistas em economia e em psicologia para responder às questões abaixo:
- Por que alguns produtos estão faltando nos supermercados e farmácias?
- Pode faltar comida?
- O que é desabastecimento?
- Há desabastecimento no Brasil hoje?
- Não achei álcool gel. E agora?
- Existe risco de desabastecimento?
- Feijão e arroz estão a salvos?
- Devo estocar alimentos, bebidas e produtos de primeira necessidade?
- Por que as pessoas se desesperam?
- Como fazer uma feira consciente?
- Como manter a calma neste momento?
Por que alguns produtos estão faltando nos supermercados e farmácias?
Há casos de supermercados que estão registrando uma alta saída de produtos, como álcool e papel higiênico, e eventualmente o produto acaba na prateleira. A situação é pontual e não configura desabastecimento, uma vez que a matéria-prima ainda pode ser encontrada e a reposição é feita normalmente.
Em nota, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirma que tem monitorado as lojas do país e, no momento, não foi identificado nenhum problema de desabastecimento, mas, sim, de reposição, devido ao maior número de clientes em algumas lojas.
Pode faltar comida?
Com relação aos alimentos, as entidades da indústria afirmam que a situação brasileira é muito confortável em relação a outros países. O comportamento dos consumidores é o que pode causar a falta pontual de algum produto em um mercado.
Mesmo com um aumento da demanda, não há motivo para preocupação, afirma o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), João Dornellas.
Segundo ele, o abastecimento de produtos alimentícios está sendo feito normalmente e o país tem margem de sobra ainda que o consumo aumente.
“O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. As pessoas se assustam ao verem cenas de outros países, mas nossa situação é muito confortável.”
Ele afirma que a produção e a logística estão funcionando sem alterações. Foram criados comitês para monitorar diariamente a situação. Segundo Dornelles, só o que pode causar a falta de algum produto alimentício em um mercado é se os consumidores estocarem e comprarem em muita quantidade naquele local. Mesmo assim, a indústria tem capacidade para enviar mais produtos.
“Se identificarmos que falta algum produto em algum mercado, em algum bairro específico, nós estamos preparados para responder rápido e abastecer aquele local”, diz.
Mas o que é desabastecimento?
É quando há uma falta generalizada e duradoura de um produto, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
“Quando falta um produto em determinados locais, ou por algum tempo, isso não caracteriza o desabastecimento, mas, provavelmente, um problema de fluxo da mercadoria, uma falta pontual de abastecimento, que pode ser superada por rápidas iniciativas do setor público e privado”, informa o órgão.
“Seria desabastecimento se você tivesse uma ruptura na cadeia, uma disrupção na cadeia de maneira importante do tipo problemas com insumo”, explica Silvio Laban, professor e coordenador do mestrado em Administração no Insper. Ele dá como exemplos uma praga que acaba com a plantação ou um desastre ambiental em alguma região específica.
“Nestes casos, de fato, vai existir a questão do desabastecimento pela inexistência do produto”, afirma.
O especialista fala ainda que o baixo crescimento econômico do Brasil, neste caso, aponta uma situação positiva. “O país não estava crescendo fantasticamente, então é de se esperar que as empresas tenham alguma capacidade produtiva ociosa até”, explica.
“Se elas têm recurso para produzir é outra coisa, mas do ponto de vista de capacidade produtiva, a princípio, a gente vem se recuperando de uma crise, então já chegamos a produzir mais do que estamos produzindo hoje”, completa.
Há, agora, desabastecimento no Brasil?
Não, mas um produto que pode ter o fornecimento afetado é o álcool gel, que sumiu das prateleiras depois da corrida da população.
A demanda pela substância que deixa o álcool com a consistência de gel, o carbopol, aumentou no mundo todo, afirma a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC).
“As empresas de médio e pequeno porte, que são as principais responsáveis pelo fornecimento do produto, estão se readequando diante da crise para atender a população, inclusive buscando novas soluções de matéria-prima”, afirma o presidente-executivo da ABIHPEC, João Carlos Basilio.
De acordo com dados da associação, a estimativa de faturamento de vendas ao consumidor do álcool em gel em 2020 poderá superar em até 10 vezes o registrado em 2019, saindo de um faturamento de R$ 100 milhões para R$ 1 bilhão.
Não achei álcool gel. E agora?
O álcool gel é apenas uma das diversas formas de fazer a higiene e prevenção contra o coronavírus. A mais indicada é lavar as mãos com água e sabão. Também pode ser usado o álcool 70º líquido, cuja matéria-prima não corre risco de faltar, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
A matéria-prima para este fim representa uma parte muito pequena da produção brasileira. “Todo etanol vendido no mercado interno para fins não carburantes representa menos de 3% das vendas totais, inclui-se aí não só a produção de álcool 70º, mas também de bioplásticos, cosméticos, entre outros”, informa a Unica. “Ou seja, não há qualquer risco de falta de matéria-prima.”












