Conheça os fatores que desencadeiam a “aterosclerose”

Sedentarismo, tabagismo, obesidade, colesterol LDL alto, diabetes, alcoolismo, hipertensão arterial e predisposição genética. Esses são os fatores que, em conjunto, aumentam em até 20 vezes o risco de uma pessoa desenvolver inflamações nas artérias que, quando ficam maiores, provocam entupimentos, comprometendo até a vida.

Esses entupimentos são causados pela presença de ateromas, isto é, placas de gordura que ficam aderidas às paredes dos vasos sanguíneos, informa o cardiologista Oswaldo Tadeu Greco, de Rio Preto. Dá-se a esse processo o nome de aterosclerose, que é uma doença inflamatória crônica.

Essas inflamações são espécies de feridas que dilatam os vasos sanguíneos de tal forma que vão rompendo as fibras que protegem a parede interna desses vasos. É aí onde a gordura “gruda” e fica depositada. O grande problema é que o acúmulo da gordura obstrui a passagem ideal de sangue até o músculo cardíaco.

Isso quer dizer que, quando o coração recebe menos sangue, consequentemente recebe menos oxigênio. Se as células deixam de ser irrigadas, elas vão morrendo, o que pode provocar um ataque do coração. Greco explica que o avanço desse processo inflamatório é um problema grave, pois mesmo se o paciente não vai a óbito durante um ataque cardíaco, por exemplo, uma parte do órgão fica comprometida.

“Se o entupimento não é em uma região nobre, a pessoa perde uma área do músculo importante, ficando mais frágil e podendo ter outros problemas”, alerta o cardiologista. Segundo o cirurgião vascular Celso Bregalda Neves, de São Paulo, que é secretário-geral da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), homens e mulheres com idade a partir dos 55 anos, em média, e com associação de fatores são o público que têm mais propensão na formação dos ateromas.

“Hoje as mulheres também estão no mesmo grupo de risco, igual aos homens, devido ao maior número de fumantes, por exemplo.”Mas é com a somatória dos fatores que o risco aumenta. De acordo com o cardiologista rio-pretense, uma pessoa hipertensa tem duas vezes mais probabilidade que uma com pressão arterial normal de desenvolver a aterosclerose. Já um hipertenso e diabético tem oito vezes mais.

Esse risco sobe assustadoramente para 20 vezes mais se o indivíduo for hipertenso, diabético, tem desequilíbrio do colesterol LDL e tendência familiar.“No entanto, tem gente que tem tudo isso, mas não tem placas agraves, pois a herança genética determina se a tendência será mais agressiva ou não”, diz Greco.

Tanto a prevenção como parte do tratamento está na mudança do estilo de vida, destacam os especialistas. O problema é a dificuldade em observar bons hábitos sendo colocados em prática, dentre eles, uma alimentação saudável.
“A pessoa não tem ideia, acha que pode comer o que quer, que não precisa controlar a pressão e o diabetes. E a maior incidência de mortes no Brasil e no mundo, hoje, são causadas pelas doenças cardiovasculares”, ressalta Greco.

Risco generalizado

Esse comprometimento das veias, no entanto, não acontece somente na região cardíaca, afirma Greco. As veias podem ser entupidas em várias áreas do corpo, como a cabeça, causando um Acidente Vascular Cerebral (AVC), por exemplo.

“Barriga, rins, todos os órgãos. E esses entupimentos vão provocar dor exatamente pela falta do fluxo sanguíneo porque o metabolismo começa a ficar sem oxigênio suficiente. Muita gente pensa que não, mas o coração, por exemplo, sente dor sim”, explica.

Cateterismo e angioplastia

A solução para eliminar essas placas de gordura e desobstruir as veias é por meio de procedimentos pouco invasivos, como o cateterismo e a angioplastia. O cateterismo é uma técnica em que é injetado um contraste que mostra as artérias do coração, indicando onde existem os pontos entupidos, mas também para desobstruir.

Com a angioplastia, um balão é marcado para “esmagar” a placa de gordura e dilatar essas veias indicadas pelo cateterismo, fazendo com que o fluxo de sangue passe normalmente. Para que não haja risco de fechar novamente, um stent – material flexível em formato de um bobe de cabelo – é adicionado.
“Essas alternativas são as mais comuns, que podem ser feitas e o paciente já ir para casa no dia seguinte”, informa o cardiologista Oswaldo Tadeu Greco. As pequenas incisões para o cateter são feitas pela virilha ou braço, com anestesia local.

As vantagens são grandes se comparadas às cirurgias de ponte de safena, que são usadas para corrigir o mesmo problema, mas são mais complexas, já que exigem a abertura do peito do paciente. Além disso, a ponte de safena oferece mais riscos tanto pela cirurgia, que é mais grave, como pela recuperação, a anestesia geral e a exposição a possíveis infecções.

“Há pacientes em que o cateterismo e a angioplastia não são mais indicados devido ao acesso a essas veias ou o avanço da aterosclerose”, diz o cardiologista.

Remédios para afinar o sangue

Para o controle dos fatores, além da consciência para uma vida mais saudável, alguns remédios podem ser indicados, informa o cirurgião vascular Celso Bregalda Neves, da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).

“São medicamentos específicos para diminuir e controlar alguns fatores de risco, como o diabetes, o colesterol e a pressão arterial. Quando as placas de gordura estão calcificadas nas artérias, remédios à base de aspirina podem ser prescritos para afinar o sangue”, informa Neves.

Novidades também já estão sendo colocadas em prática quando o assunto é stent, conta o cirurgião vascular. Alguns materiais, como o nitinol (liga metálica de níquel e titânio), podem ser absorvidos pelo organismo após alguns meses, enquanto outros têm característica de liberar medicação. “Cada técnica tem indicação individualizada, de acordo com cada caso”, destaca o especialista da SBACV.

 

Elen Valereto – Diário da Região

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