Conheça alguns alimentos que podem causar reação alérgica

Quem nunca pipocou ao comer algo que não tinha costume, pode se considerar uma pessoa de sorte, por não ser uma vítima da alergia alimentar. Uma vez que, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), as reações alérgicas a alimentos diversos, não é tão rara como se costuma pensar. Na prática, o problema afeta a vida de 6% a 8% das crianças, com menos de três anos de idade, e de 2 a 3% dos adultos. Os dados abordados, durante o 40º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunopatologia, que acaba de acontecer em Belém, revelam a gravidade do assunto.

De acordo com um estudo realizado pela equipe da professora Nilza Rejane Sellaro Lyra, especialista em Saúde da Criança e do Adolescente, do ambulatório de alergia alimentar do Centro de Pesquisas em Alergia e Imunologia, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), dentre os alimentos mais citados como causadores de alergia estão o leite, ovos, amendoim, castanhas, frutos do mar e soja. O trabalho, que foi publicado recentemente pelo Journal of Management and Primary Health Care (JMPHC), aponta a importância de uma mucosa intestinal íntegra como forma de rebater ou mesmo evitar a ação da alergia alimentar.

Os pesquisadores pernambucanos fizeram uma varredura nos artigos publicados, no período de 1990 a 2012, e identificaram que as reações aos alérgenos alimentares podem variar em cada pessoa. “Por exemplo, no intestino pode causar dor abdominal, vômitos e diarreia; na pele, prurido, edema, erupção cutânea ou urticária; nas vias aéreas superiores, coriza ou espirros; nas vias aéreas inferiores, tosse ou chiado.

Em alguns, as substâncias químicas do sistema imunológico são liberadas em todo o corpo, causando uma hiperreação sistêmica levando a um quadro conhecido como anafilaxia (reação alérgica sistêmica, severa e rápida)”, explicam.

A alergia é resultado da liberação de histamina e outras substâncias no organismo e a reação vai depender de onde as tais substâncias são liberadas, no corpo. “Estas reações podem ser mediadas ou não pela imunoglobulina E (IgE), ou ainda mistas. E o fato é que os principais alérgenos são de natureza proteica”, sintetiza o estudo.

Alerta para a doença celíaca

Uma boa parte da população também é vitimada pela alergia ao glúten, uma substância proteica presente no grão de trigo e em outros cereais, como o centeio, a cevada e a aveia. A esta doença se dá o nome de celíaca. Uma vez, que suas vítimas são alérgicas à proteína gliadina, que causa a reação no sistema imunológico.

De acordo com a nutricionista Cacilda Bortole Ribeiro, de Rio Preto, a proteína mal digerida se aloja na mucosa intestinal e causa inflamações que levam a microfissuras na parede do intestino delgado. “Com isto, favorece a permeabilidade intestinal (facilidade da passagem de moléculas inteiras para a corrente sanguínea) causando a reação alérgica”, explica.

No Rio de Janeiro, o alergista e imunologista Marcello Bossois, que coordena o projeto “Brasil Sem Alergia”, fala da importância de se realizar a prevenção, controle e combate aos mais variados tipos de processos alérgicos e doenças ligadas ao sistema imunológico. “A inflamação dificulta a absorção de nutrientes, gerando, assim, um quadro nutricional ruim”, comenta.

E os problemas não param por aí. “Com o tempo e sem o tratamento adequado, a doença pode levar a complicações como anemia, perda de massa óssea, problemas digestivos, neurológicos e perda da qualidade de vida em geral”, alerta Bossois.

Alergia ao leite de vaca é a mais frequente

A nutricionista Renata Pinotti, de Rio Preto, que acaba de lançar o título “Guia do bebê e da criança com alergia ao leite de vaca”, explica que dentre as alergias mais frequentes está a alergia à proteína do leite de vaca (APLV). “Esta alergia tem se tornado cada vez mais frequente, mas seu diagnóstico e tratamento são ainda um desafio para os profissionais e familiares”, diz.

Renata observa ainda que diante de qualquer sintoma a família deve procurar um médico. “Seja um pediatra, gastropediatra ou alergista, a fim de iniciar a investigação diagnóstica”, diz. acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai) é muito comum, que a alergia alimentar acometa pessoas com outros tipos de problemas. Numa pesquisa da entidade, a alergia alimentar foi encontrada em cerca de 38% das crianças com dermatite atópica e em 5% das que tinham algum quadro de asma.

Diagnóstico

Para diagnosticar o problema, a professora Nilza Rejane Sellaro Lyra, especialista em Saúde da Criança e do Adolescente, do ambulatório de alergia alimentar do Centro de Pesquisas em Alergia e Imunologia, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), observa que basta um teste cutâneo e os de provocação oral, ou in vitro, os quais medem a IgE sérica específica, a IgG, ou os basófilos ativados no sangue.

Caso 

Quem tem um filho vítima desta alergia é a professora Célia dos Santos, que há três anos só oferece o leite de cabra para o pequeno Marcos, de 3,5 anos. Ele não pode sequer chegar perto de outro leite qualquer, que passa muito mal. “Às vezes, a gente esquece quando vai a alguma festinha e deixa ele a vontade, e quando menos espera ele está lá queixando de dor na barriga. Já pode saber que comeu algo que leva o leite”, diz.

 

Cecília Dionizio – Diário da Região

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