Compra no exterior pela internet exige muito cuidado

Compras pela internet já são uma realidade na rotina dos brasileiros e as fronteiras já não são nenhum impedimento diante do desejo de se adquirir um produto. Com a evolução da rede mundial de computadores e da tecnologia, o mercado se expandiu tanto que ficou fácil comprar produtos de qualquer lugar do mundo. Não importa se a loja está localizada na China, nos Estados Unidos ou na Europa.

Segundo os Correios, apenas em dezembro de 2013, o movimento de objetos postais apresentou um crescimento de 65% no volume de encomendas do comércio eletrônico em todo o País, sendo que a maioria foi resultado de importação via compra pela internet. Não há dados regionais. Este percentual é referente apenas aos Correios, mas eles não são detentores de exclusividade no transporte de produtos adquiridos online no Brasil, por isso o crescimento pode ser ainda maior.

Apenas em 2013, o comércio eletrônico movimentou R$ 28,8 bilhões, um crescimento de 28% em relação a 2012, quando o faturamento foi de R$ 22,5 bilhões, mesmo com fatores como inflação e desaceleração da economia pesando contra o setor, como demonstra levantamento da E-bit, empresa especializada em informações sobre comércio online.

Entre os fatores que contribuem para este crescimento constante estão o rápido crescimento da banda larga móvel em todo o País, afirma Pedro Guasti, diretor executivo da E-bit. “Muitas pessoas das classes C e D, que não tinham acesso à internet, passaram a se conectar através de modelos mais simples de smartphones. E se tornaram, além de internautas, consumidoras online”, explica.

Dois fatores influenciam na decisão: os preços de alguns produtos, em especial ligados à tecnologia, são mais em conta e a variedade de produtos que ainda não chegou, como afirma Renato Augusto Carvalho Cruz, empresário do setor e consultor de marketing online.

Comparação

Um exemplo é o perfume Euphoria, da marca Calvin Klein. No site norte-americano Amazon.com ele é comercializado por US$ 37,74. Levando em conta o dólar a R$ 2,26, o consumidor que adquirisse o perfume pagaria aproximadamente R$ 85,30, com frete grátis. O preço pago na Amazon.com é mais barato que o menor vidro encontrado em uma grande loja de perfumes brasileira, a Sephora. Lá, o frasco com 30 mls é vendido por R$ 199.

Outro exemplo é o jogo Assassin’s Creed 4: Black Flag, para Playstation 4. Na Amazon.com, ele é vendido a US$ 48,50, com frete grátis, o que dá R$ 109,61. No Brasil, na Americanas.com, o mesmo jogo custa cerca de R$ 90 a mais, comercializado a R$ 199,90.

2014

Para 2014, a E-bit prevê um crescimento nominal de 20%. “Teremos um período de mais desafios, mas esperamos que o e-commerce encerre o ano com faturamento de R$ 34,6 bilhões. A Copa do Mundo deve aquecer a venda de materiais esportivos e de televisores de grandes proporções com tela fina”, aposta Guasti.

Compra pela web no exterior exige cuidado

Mesmo com as opções variadas de produtos e os preços atrativos em relação aos praticados no mercado nacional, alguns cuidados devem ser tomados no ato da compra no exterior pela internt, aconselha o consultor de marketing digital César Marcondes.

“Os produtos que possuem uma boa relação custo beneficio são dispositivos eletrônicos, como tablets, notebooks, smartphones, widgets, além de acessórios e roupas de marca. Mas é preciso muita atenção, pois às vezes o aparelho não funciona no Brasil, principalmente smartphones”.

Uma dica importante, também, é comprar sempre em sites já consolidados e com certificado e credenciais válidas. “Compre em sites que outros amigos já compraram e tiveram uma boa experiência. Nunca compre através de encurtadores de URL ou em links enviados por e-mail. Caso a loja virtual tenha um importador nacional, entre em contato antes de efetuar o pedido. Alguns sites possuem um Certificado de Segurança no rodapé”, diz Marcondes.

No caso de ser uma loja totalmente desconhecida, uma opção é tentar entrar em contato por telefone ou e-mail, afirma Renato Augusto Carvalho Cruz, empresário do setor e consultor de marketing online. “Essa dica é válida para qualquer loja. Com as internacionais, pode ser que a comunicação seja um pouco mais difícil, mas se for possível, pode evitar dor de cabeça depois”.

Cruz afirma ainda é recomendável comprar produtos de preços mais baixos, até o limite de US$ 50. “Produtos pequenos, com embalagens menores e preços em conta possuem mais chances de passar pela fiscalização sem a cobrança de taxas”.

Impostos

A tributação que rege a importação no Brasil é o Regime de Tributação Simplificada (RTS). Ele é utilizado no despacho aduaneiro de importação de bens integrantes de remessa postal ou de encomenda aérea internacional no valor de até US$ 3 mil ou o equivalente em outra moeda, destinada a pessoa física ou jurídica.

“O comprador paga 60% do valor do produto declarado pelo remetente mais o frete, que é o Imposto de Importação para quando o produto for entregue pelos Correios, companhias aéreas ou empresas de courier”, explica o consultor de marketing digital César Marcondes.

Além disso, em alguns estados incide também o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que varia entre 7% e 19% sobre o valor cheio, ou seja, valor do produto acrescido do frete e do imposto de importação, afirma Marcondes. “Outro tributo é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cuja alíquota é de 6,38% do valor cobrado pela loja na fatura do cartão”. As importações as quais são aplicadas o RTS não estão sujeitas à cobrança dos demais tributos incidentes das operações de importação, como Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS/Pasep e a Cofins.

Dica

De acordo com o consultor, uma dica para evitar o pedo dos impostos é utilizar o serviço postal comum, Correios, para a entrega. “O produto também precisa ter peso inferior a dois quilos. Com isso, há uma chance de o produto chegar nas mãos do comprador sem a cobrança, sendo entregue diretamente pelos Correios no endereço de destino. Caso seja maior, o comprador receberá um aviso para retirar em uma agência ou se for tributado, para pagar os impostos”.

Prazo de entrega é longo

Os prazos de entrega para compras no exterior são bem diferentes dos brasileiros. Quando o consumidor se dispõe a adquirir um produto de um site internacional, ele deve se preparar para uma espera maior, que pode chegar a 90 dias, nos Estados Unidos, e até 120 dias, para encomendas da Europa.

“Podem ocorrer atrasos, pois os produtos dependem da liberação da Receita Federal. Se a encomenda for rastreada, o consumidor pode acompanhar o desembaraço através do código de rastreamento. Neste modo, normalmente o valor do frente é maior, porém tem a vantagem do total controle da entrega do produto”, afirma o consultor de marketing digital César Marcondes.

Para as encomendas não rastreadas, no caso de atraso na entrega, o consumidor deve entrar em contato diretamente com a loja virtual para saber se o pacote retornou ou se houve algum erro no país de origem, pois o vendedor é o responsável pela encomenda até sua chegada no destino final. “Caso a situação esteja sob controle, entre em contato com os Correios ou com as empresas de courier”, diz Marcondes.

No caso de um defeito ou de um produto com problema, o consumidor deve entrar em contato diretamente com a loja virtual. “Normalmente este é um processo complicado e custoso, é possível que talvez o próprio consumidor tenha que arcar com o envio de volta para a loja. Por isso, o conselho de buscar uma loja de confiança sempre, para não correr nenhum risco”, aconselha Renato Augusto Carvalho Cruz, empresário do setor e consultor. Além disso, é importante se atentar para as políticas de troca, reembolso ou envio de um novo produto de cada estabelecimento.

Empresária tem problemas

Com a empresária Meire Regina Paiva, 46 anos, o processo não foi tão tranquilo quanto o esperado. Ela resolveu comprar um vestido para o casamento da sobrinha pela internet, por falta de tempo de sair do seu trabalho e ir até as lojas pesquisar. Na pesquisa, encontrou um vestido de uma loja na China que gostou. Fez a encomenda, mas o vestido não chegou a tempo. “Quando o produto chegou ao Brasil, ele ficou retido na fiscalização e o fiscal cobrou um imposto acima do esperado. Como já tinha comprado de tudo, achei que não ia ter problema”, conta. Diante desta situação, Meire foi obrigada a comprar outro vestido em Rio Preto para usar no casamento.

Segundo a empresária, a fiscalização não acreditou no valor pago pelo produto e por isso resolveu aumentar os tributos. “Passei o e-mail do valor para comprovar, mas não resolveu. Então eles pediram para ver o valor no cartão de crédito, mas, como ia demorar a chegar, resolvi pagar e pegar meu vestido”, diz. Sobre a experiência, Meire garante que não terá impacto nas compras que costuma fazer no exterior. “Roupa acho não compensa, mas coisas de valor até US$ 50 sim, já que não têm imposto”. Diarioweb

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