Com o avanço da idade a pele pede cuidados especiais

A pele é um órgão muito mais complexo do que aparenta. É ela quem dá proteção e regula a temperatura do corpo e, com sua barreira protetora impermeável, impede a perda de líquidos, a penetração de substâncias e de micro-organismos e protege das radiações ultravioletas do sol. No entanto, ela tem também funções nervosas, constituindo o sentido do tato, e metabólicas, como a produção da vitamina D.

Apesar disso, conforme se avança na idade, progressivamente vai ocorrendo o que os especialista chamam de envelhecimento extrínseco. “Também denominado actinossenescência ou dermato-heliose, está relacionado a alterações da superfície cutânea provocadas principalmente pelo sol, que chamamos de fotoenvelhecimento – modificações dos contornos e da elasticidade da pele que se manifestam por sulcos, dobras e rugas, associados à flacidez”, explica o dermatologista e professor emérito da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), João Roberto Antonio.

Alterações

De acordo com a farmacêutica Ana Carolina Tomaz Borges, da farmácia de Manipulação CERTA, de Rio Preto, dentre as substâncias que perdemos as principais são as fibras elásticas e o colágeno (elemento de sustentação que compõe a pele). Isso faz com que a derme, segunda camada da pele, fique menos espessa. Ocorrem também, segundo Ana Carolina, alterações na hipoderme, camada mais profunda, e na musculatura, causando o enrugamento e afinamento da pele.

“Tem também os radicais livres, com grande participação no processo de envelhecimento, pois originam reações químicas como a oxidação, que desencadeiam processos nocivos ao organismo e são também influenciadas por radiações, doenças, fumo e estresse”, diz.

“Além disso, outro fator envolvido no processo de envelhecimento são as alterações hormonais e a falência ou deficiência do sistema endócrino. Durante o envelhecimento, os níveis de cortisol estão elevados, acarretando a redução da capacidade cognitiva, baixa imunidade, perda de memória e, consequentemente, o envelhecimento”, completa a farmacêutica.

Cuidado preventivo

Vaidosa, ela não revela a idade, mas a professora aposentada Dirce Mendes Silva, de Rio Preto, conta que começou a cuidar de sua pele aos 40 anos e continua a fazer isso até hoje. “Não existe um consenso com relação à fronteira que limita a fase pré e pós-velhice, nem tampouco com relação aos indícios mais comuns da chegada nesta fase, então, precisamos nos cuidar sempre. Uso protetor solar no rosto, colo e braços todos os dias. Evito sair de casa se tem muito sol.

Não gosto de usar muita maquiagem, normalmente passo um pouco de pó com protetor no rosto, blush e um batom hidratante nos lábios”, relata Dirce, que faz visitas regulares à sua dermatologista.A indústria de cosméticos está de olho na terceira idade. Sabe que a geração de hoje se cuida mais pensando no futuro e, com isso, o consumidor tem um leque de opções, mas nem sabe o que realmente deveria usar.

O consumidor deve procurar um produto completo, que forneça hidratação e redensi-ficação dérmica, vasoproteção e ação anti-inflamatória, diz a farmacêutica Ana Carolina Tomaz Borges.

“Os manipulados são altamente eficazes, pois podem combinar todas essas funções em um só produto, já os industrializados são difíceis de encontrar, e às vezes o consumidor se sente perdido ao encontrar o produto ideal; por isso, o melhor é procurar seu dermatologista para tratamento adequado”, afirma.

“A exposição solar intensa sem proteção sempre deve ser evitada em todas as idades. Outro acontecimento que pode piorar o estado da pele é a automedicação, pois o envelhecimento predispõe a um consumo aumentado de medicamentos prescritos e/ou não prescritos. A alta prevalência do uso de múltiplos medicamentos faz com que os idosos sejam mais suscetíveis a reações adversas, refletindo no envelhecimento cutâneo”, explica Ana Carolina.

Maior sensibilidade

A automedicação, em qualquer caso, é um perigo e com a pele não poderia ser diferente. Na terceira idade, por conta da sensibilidade, o cuidado deve ser redobrado a fim de se evitar alergias. “O envelhecimento predispõe a um consumo aumentado de medicamentos prescritos e não prescritos. Alterações no metabolismo e distribuição das drogas e a alta prevalência do uso de múltiplos medicamentos fazem com que os idosos sejam mais suscetíveis a reações adversas”, explica a dermatologista Silvia Marcondes Pereira.

Responsável pelo atendimento do grupo de dermatologia geriátrica do Departamento de Dermatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O dermatologista João Roberto Antonio, de Rio Preto, reforça que, como houve um aumento da expectativa de vida – e isso se deve aos avanços da medicina e à utilização de medicamentos -, as pessoas mais idosas passaram a consumir inúmeras substâncias, o que, segundo ele, pode gerar, em determinados casos, reações alérgicas medicamentosas.

“Esse é um fato bastante comum, que temos observado no cotidiano do consultório”, afirma Roberto Antônio. “Além disso, com a idade, a pele vai se tornando mais seca, e a pele seca estimula o processo de irritação e, às vezes, o prurido (coceira)”, completa.

 

Juliana Ribeiro – Diário da Região

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