Com apoio de Doria, Carlão deve ser eleito presidente da Alesp

Com o futuro eleitoral indefinido, o governador João Doria (PSDB), que considera agora abrir mão do projeto nacional para tentar a reeleição em São Paulo, deve emplacar nesta segunda-feira (15) um novo aliado na presidência da Assembleia Legislativa. O deputado Carlão Pignatari (PSDB) é o favorito para vencer a disputa e assim manter o alinhamento da Casa com o Palácio dos Bandeirantes – essencial para o momento enfrentado por Doria.

Com a permanência do PSDB no comando da pauta de votação da Alesp, o governo Doria espera acelerar o processo de aprovação do auxílio anunciado para enfrentar a crise provocada pela pandemia, atual prioridade do governo. Batizada de “bolsa-trabalho”, a proposta prevê oferecer R$ 450 por até cinco meses para desempregados. Projetos relacionados à municipalização de rodovias também devem receber destaque pelos próximos dois anos.

A expectativa é que Pignatari receba o apoio de ao menos 60 dos 94 deputados – são necessários 48 votos para se tornar presidente. Disputarão contra o tucano os deputados Major Mecca (PSL), Sergio Victor (Novo) e Carlos Gianazzi (PSOL).

Atual líder do governo, Pignatari responde a pelo menos quatro processos na Justiça por improbidade administrativa e, em dois deles, já foi condenado à perda do mandato e dos direitos políticos. Ele recorreu das sentenças e, num processo em que o desfecho estava prestes a retirá-lo do cargo, negociou um acordo com o Ministério Público de São Paulo. Procurado, o tucano não quis dar entrevista.

Os três candidatos da oposição pregam uma maior independência do Poder Legislativo. Com exceção do período de nove meses em que Márcio França (PSB) concluiu o mandato do tucano Geraldo Alckmin, em 2018, o presidente eleito da Assembleia é sempre do mesmo partido do governador. Isso ocorre há 14 anos.

O alinhamento se traduz na aprovação de pautas de interesse do Bandeirantes. Em 2020, por exemplo, os deputados ratificaram duas propostas polêmicas enviadas por Doria – a reforma da Previdência estadual e o pacote de ajuste fiscal. Em ambos os casos, as matérias foram aprovadas com menos de quatro meses de tramitação.

TROCA

A negociação em torno da eleição de Pignatari tem apoio do PT e do DEM, que ficarão com a primeira e a segunda secretarias, respectivamente. Devem ser eleitos Luiz Fernando (PT) e Rogério Nogueira (DEM). Só os três primeiros cargos da Mesa Diretora – presidência, primeira secretaria e segunda secretaria – são responsáveis pela nomeação direta de mais de 150 vagas. Considerando toda a estrutura abaixo da Mesa, o número chega a 536.

“É uma eleição muito difícil porque o governo usa a máquina dele e põe emendas parlamentares. Os cargos são distribuídos para os partidos que entram no consórcio. É uma cooptação, o deputado tem que ter muita firmeza política-ideológica para não aderir ao acordão”, afirmou Gianazzi.

Apesar de pertencer ao outro lado do espectro político, Sergio Victor (Novo) tem um discurso semelhante ao do PSOL em relação ao alinhamento entre governo e Alesp. “A eleição é em dois turnos. Então, o primeiro turno é uma grande oportunidade para a gente marcar posição. A gente gostaria que a Casa não votasse apenas o que é prioridade do governo”, disse.

Major Mecca segue essa linha: “Pretendo trazer independência ao Poder Legislativo, que deve deixar de ser o puxadinho do Palácio dos Bandeirantes.” Representante do PSL, o partido que tem a maior bancada da Casa, com 12 deputados, Mecca recebeu apoio de parlamentares de outras siglas, como Coronel Telhada (PP), que abriu mão de sua candidatura.

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