Chinesa nega que era tratada como escrava e Justiça solta casal preso

Jovem, de 23 anos, vivia em depósito de mercadorias em Araçatuba (SP). Suspeitos – que também são chineses – estavam presos desde setembro.

A Justiça Federal de Araçatuba (SP) soltou nesta terça-feira (9) o casal de chineses suspeito demanter uma funcionária da mesma nacionalidade em regime de escravidão em uma loja no calçadão da cidade. O casal, a suposta vítima e mais 13 testemunhas foram ouvidas no Fórum Federal da cidade. A jovem de origem chinesa, que estava em São Paulo e prestou depoimento por videoconferência, negou que era tratada como escrava.

Com a soltura do casal, os suspeitos vão responder ao processo em liberdade. Segundo o advogado dos chineses, Marcos Azevedo, eles devem reabrir as lojas, que desde setembro estavam fechadas. A mulher suspeita estava grávida no dia da prisão e deu à luz dentro da penitenciária. Ela estava presa na penitenciária de Tupi Paulista (SP), enquanto o homem estava preso em Itaí (SP).

Segundo o Ministério Público do Trabalho, a chinesa quis ser deportada e regularizou todos os documentos no país. A jovem também foi ressarcida pelo trabalho que executou na loja de bijuterias.

Relembre o caso
A Polícia Federal chegou ao local após uma denúncia anônima de que uma pessoa de nacionalidade chinesa estava trabalhando em situação escrava e constatou condições desumanas.

A jovem vivia trancada no depósito de mercadorias e sem condições adequadas para comer ou dormir. Ela chegou ao Brasil em dezembro de 2011, com visto provisório de 90 dias concedido a pessoas que vêm a negócios sem direito a trabalhar. Só que, segundo testemunhas, desde então ela vivia no depósito e era apresentada como sobrinha dos donos da loja.

Segundo informações do delegado da Polícia Federal, Frederico Franco Rezende, ela teve o passaporte retido pelos proprietários da loja e vivia em um cubículo, com limitação de saídas e sem receber nada pelo trabalho.

“As investigações apontam que ela veio pagar uma dívida que o pai tem com os donos da loja. Não temos informações de onde a dívida foi feita, mas sabemos que ela ‘recebia’ R$ 1 mil por mês, mas não tinha acesso a esse dinheiro, pois ele ficava retido para pagamento da dívida. Não podemos afirmar se houve maus-tratos ou se o trabalho era forçado, a investigação dirá isso. Temos ainda apenas indícios e relatos de testemunhas. Aparentemente ela não tem lesões físicas”, diz Rezende.

A mulher era mantida no segundo piso do estoque, com um colchão no chão e coberto com tapumes de madeira e papelão. Aparentemente, ela bebia água dentro de um balde. Pedaços de tomate e frango foram encontrados estocados no chão. De acordo com depoimentos de funcionárias da loja, ela era constantemente xingada e não podia sair do local, mas elas não sabiam das condições em que ela vivia.

“Os donos diziam ser tios dela e não a deixavam sair da loja, sempre dizendo que ela tinha que trabalhar. Ela também não comia e não podia usar o banheiro. Como ela não falava português direito, mas sabíamos da situação”, conta uma mulher, que não quis ser identificada. G1

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password