Celular ‘salva’ menor de cárcere privado em Cosmorama

Seis dias e cinco noites trancada dentro de uma casa de três cômodos, ameaçada, violentada sexualmente e com alimentação restrita.
O pesadelo de uma adolescente de 15 anos com o ex-namorado em um imóvel no bairro rural da Vila Nova, em Cosmorama, acabou na tarde da última terça-feira, dia 13, quando os policiais estouraram o cativeiro e prenderam em flagrante um rapaz de 19 anos.

 

O fim dos dias de cárcere começou a se desenhar três dias antes, quando o rapaz saiu e esqueceu o telefone celular na casa usada como cativeiro. “Bati nas costas dele e falei que seria melhor fugir porque a polícia iria vir atrás, mas ele não deu bola”, conta a garota.
Os dois namoraram e moraram juntos durante dois anos, mas estavam largados havia seis meses. A garota conta que durante o tempo que tiveram o relacionamento amoroso, o primeiro de ambos, ele sempre se demonstrou agressivo e a batia constantemente.
“Ele sempre foi ciumento demais, por isso resolvi largar. Ele não me deixava conversar com ninguém”, afirma a adolescente. Ela explica que na quarta-feira, dia 7, após diversos telefonemas ameaçadores dele, falando que iria matar a família dela, a garota, moradora de Tanabi, pegou um ônibus e foi até Cosmorama na casa do ex-namorado. “Nem vimos ela saindo. Liguei para minha mãe (avó da garota) e disse que ela fugiu”, conta a tia, que junto com a avó cuida da menina desde pequena.
Chegando na casa em que o rapaz morava sozinho, a adolescente foi proibida por ele de sair. Sem acesso a televisão ou computador, ela conta que foi ameaçada com uma faca de cozinha, além de ser espancada todos os dias. Com medo, a garota também não gritou ajuda para os vizinhos. “Não fui amarrada, mas ele me dava socos, chutes e batia minha cabeça na parede”, afirma a menina.
Ela foi obrigada a dormir ao lado do ex-namorado, e diz ter sido violentada sexualmente. “Não conseguia nem dormir direito”, conta. A única vez que ela saiu da casa durante os dias de cárcere foi para ir até a casa da mãe do ex-namorado acompanhada por ele. “Eles sabiam de tudo, mas não disseram nada e nem me ofereceram comida”, explica.
A garota diz não ter comido nada durante estes dias, mas que o ex-namorado a deixava tomar banho frequentemente. “Só comi um salgado na delegacia depois de ficar livre dele”, afirma.
Término
Com o celular esquecido em mãos, ela mandou uma mensagem para a avó, que após novas trocas de SMS com a neta, procurou o Conselho Tutelar de Tanabi. Acompanhada pela PM de Cosmorama, ela foi até a casa do rapaz, conhecido na cidade por pequenos delitos e que atualmente, segundo a menina, fumava maconha e vendia drogas.
Policiais encontraram a garota e algum tempo depois o rapaz chegou. Ele foi preso em flagrante pela acusação de cárcere privado. “Achei algumas vezes que ele fosse me matar. Ele não bate muito bem das ideias”, disse a garota. Agora a adolescente quer distância do ex-namorado. “Sinto nojo e ódio dele. Quero que ele deixe eu viver minha vida em paz”, diz a menina.
“Não foi essa a vida que desejei para minha neta. Ela aguentou muita coisa. Não teria paciência para aturar nem metade disso”, afirma a avó.

André Nonato
andre.nonato@diariodaregiao.com.br

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