“Celular não é ferramenta,” afirma secretária

Silvia garante que o bom professor não ficou irritado com a proibição de wifi nos smartphones e lembra que educadores já possuem notebook com acesso à internet

Por conta da polêmica acerca do corte do wifi dos celulares em escolas municipais de Votuporanga, devido ao uso indevido por parte de alguns professores, a secretária municipal de Educação de Votuporanga, Silvia Rodolfo, foi entrevistada no programa Clube Notícias, ontem.
Segundo ela, o sinal de internet sem fio era disponibilizado para funcionários e professores. “Neste momento, retiramos wifi de celulares por conta de denúncias, não só de uma pessoa”, conta, citando que alunos reclamavam para os pais, que denunciaram o fato à pasta.
Esses profissionais foram comunicados pela direção da escola, mas de acordo com a secretária, reincidiram no uso do celular em sala de aula. “Por isso, como celular não é uma ferramenta e é proibido para os alunos na escola, resolvemos por bem que tiraríamos o wifi no celular. Os professores não estão proibidos de levar o celular à escola, podem utilizar em horário de intervalo, não em HTP (Hora de Trabalho Pedagógico) nem HTPC (Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo), porque são horários de estudo e preparação das aulas, e eles têm ferramentas como o notebook e lousa digital para isso”.

Ferramenta
Silva frisou que as ferramentas de trabalho do professor são o notebook e lousa digital. O computador portátil, fornecido gratuitamente pela Prefeitura de Votuporanga, por meio da Secretaria Municipal da Educação, tem acesso total à internet para o educador preparar suas aulas e usar a lousa digital com alunos.
O regimento escolar elaborado por gestores, coordenadores e professores, proíbe uso de celular em sala de aula por alunos. “Porém, verificamos nas câmeras de monitoramento que realmente os professores estavam abusando do uso de celular em sala de aula e atrapalhando muitas vezes os alunos com indisciplina por conta de que o professor não estava atento às suas aulas”.

Audiência
A secretária lembrou a audiência pública, ocorrida na Câmara. “Falei que tivemos problemas em algumas escolas”, recorda-se, emendando que “Não são todos os professores, são alguns”, comenta, não generalizando, mas também não citando em quais escolas o problema foi registrado.
“O bom professor, aquele que não tem problema na sala de aula e que trabalha bem seus conteúdos, não ficou irritado com a questão, porque o horário de aula não é para usar celular”, assegura.
Mesmo com toda a celeuma criada em torno do fato, Silvia garante que a “maioria dos professores é ótima e cumpre seus deveres”, e emenda que eles são “comprometidos com educação do município e trabalham muito bem”.

Comportamento
“Esses professores já foram comunicados e, pelo que sei, não estão utilizando o celular em sala de aula. Claro que, quem tiver plano de celular, e quiser, pode utilizá-lo nos 20 minutos de recreio, mas em HTP, HTPC ou nas aulas — principalmente nas aulas com os alunos, essa não é ferramenta adequada neste momento”.

Metodologia
Ao fim da entrevista ao locutor Rafael Cunha, Silvia é enfática: “Não temos nenhuma metodologia e nenhum plano que coloca o celular como ferramenta, mesmo porque, se colocar o celular para o professor, os alunos também podem ter acesso, para fazer suas pesquisas. O professor já tem notebook, para entrar na internet, e a lousa digital, para preparar suas aulas”.

Tecnologia
Questionada se a proibição de wifi em celulares pode ser revista, a secretária esclarece que nenhuma decisão é definitiva. “Se no futuro, tivermos o uso do celular como ferramenta de trabalho, pode voltar sim. Acho que a tecnologia muda a todo instante. Tudo pode ser revisto”.
Silvia minimizou a polêmica e disse que o corte do wifi não ocorreu em caráter de punição. Segundo ela, a ferramenta “não era utilizada para o trabalho dos professores e principalmente estava atrapalhando, que é o objetivo maior, que é a aprendizagem dos alunos”.

O âncora do programa da Clube FM, Osmar Cunha, ao final da entrevista, comentou que algumas escolas particulares adotam a seguinte medida: o inspetor passa com uma sacola recolhendo os celulares dos alunos, que são devolvidos quando termina o período escolar. Na sequência, ele emenda a pergunta: “Será que terá que fazer isso com professor?”, questiona. Fernanda Ribeiro Ishikawa/Diário de Votuporanga

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