Casas tremem e racham com obras na Euclides da Cunha

Pelo menos cinco imóveis localizados às margens da rodovia Euclides da Cunha (SP-320), em Bálsamo, estão tomadas por rachaduras causadas, segundo os moradores, pelas obras de duplicação da pista. As máquinas que executam o serviço causam trepidação no solo e seriam as responsáveis pelas avarias. Uma das casas foi desocupada por uma família que temia a queda das paredes.

Os casos foram parar na polícia. Quatro famílias registraram boletim de ocorrência por perigo de desabamento. Em três casos – os mais graves – a delegada Junia Cristina Maceno Veiga, titular de Bálsamo, pediu laudo da polícia científica para analisar se os problemas foram causados pelo maquinário pesado.

As obras de duplicação da SP-320 começaram no dia 28 de março do ano passado, no quilômetro 481, em Tanabi, e avançaram até o trecho que passa por Bálsamo há um mês. Foi nesse período que, de acordo com os moradores, as rachaduras apareceram. Para piorar, uma avenida marginal que dará acesso ao trevo de Bálsamo foi construída ao lado da futura rodovia e ficará a um metro e meio dos imóveis. A compactação do terreno na execução dessa obra também contribui para a trepidação do solo.

A pior situação encontrada pela reportagem foi na moradia da pensionista Aparecida Dante, 67 anos. Em todos os cômodos pelo menos uma parede está trincada. Na cozinha, uma rachadura do chão ao teto ameaça a segurança da moradora. Temendo a queda da laje, ela transferiu o fogão para um dos quartos. Na sala, o forro cedeu. O mesmo aconteceu na varanda, que também teve um pilar solto do teto.

“A casa é velha, mas não tinha esses problemas quando mudei para cá, há três meses. Quando começaram a mexer na rodovia parecia que tudo ia cair na minha cabeça.” A pensionista, que recebe um salário mínimo por mês, diz que paga R$ 300 de aluguel e não conseguiu em outro lugar uma moradia pelo mesmo valor. “Tenho de dormir de olhos abertos. Não tenho outra opção”, disse.

Assim que observou pequenas rachaduras na parede da sala, há 20 dias, o pedreiro Francisco José Ribeiro, 47 anos, começou a consertá-los. Mas, foi em vão. Um dia depois, o problema voltou em função do movimento das máquinas na SP-320. Por esse motivo guardou cinco sacos de cimento na varanda e resolveu esperar o término da duplicação para prosseguir com os reparos. “Eles usam máquinas para compactar o solo e a parede treme e racha. Quando começou, pensei que fosse terremoto.”

Outro prejuízo foi na porta da sala. A parede cedeu e a porta não abre. “Escorei a parede para que os vidros da porta não quebrem. Não dá para arrumar e no outro dia ter de refazer.” As obras de duplicação também atrapalham o agricultor José Tiene, 63, e a mulher, Leonice Lorijola Tiene, 63, vizinhos do pedreiro.

Na semana passada Leonice conta que assistia televisão na sala quando o aparelho que recebe o sinal da antena parabólica caiu no chão após uma trepidação no solo. Em um outro cômodo, o mesmo aconteceu com uma travessa e copos de vidro. “Tenho de ficar atenta. Quando eles começam a trabalhar saio pela casa olhando se não tem nada solto que possa cair e quebrar.” O imóvel do casal foi reformado há um ano. Na pintura nova de um dos quartos já existem duas rachaduras. “Se soubesse disso teria deixado para mexer na casa depois”, afirma José Tiene.

A delegada Junia Cristina Macedo Veiga aguarda laudo técnico da polícia científica para tomar providência. Segundo ela, os casos podem ser enquadrados como contravenções penais, por provocar risco ou desabamento de construções. A lei prevê multa, em valor a ser calculado de acordo com o prejuízo causado.

“Como não sou técnica, tenho de esperar o laudo. Se ficar comprovado que os problemas nos imóveis foram causados pela obras na Euclides da Cunha, vou registrar o caso como perigo de desabamento.” Posteriormente, caberá às famílias atingidas procurarem a Justiça para pedir indenização.

As reclamações feitas pelos moradores de Bálsamos estão sob análise do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão responsável pelo projeto da duplicação da SP-320. De acordo a assessoria de imprensa do DER, algumas denúncias procedem e outras são falsas, porém não divulgou qual a conclusão de cada uma delas porque ainda não terminou de fazer vistoria nas casas. “O DER ainda está analisando todos os casos para providências cabíveis”, diz o órgão em nota.

A Constroeste, responsável pela duplicação do trecho entre Mirassol e Cosmorama, afirmou que foi contratada apenas parra realizar a excução do projeto, portanto, considera que as denúncias são de responsabilidade do DER, responsável pelo planejamento da obra.

Mesmo assim, a empresa alegou que ainda não é possível afirmar que os imóveis foram afetados em decorrência da obra. “Para isso, será preciso a análise dos imóveis por técnicos, o que deverá ser feito pelo DER”. A Constroeste disse ainda, por meio de sua assessoria, que aguarda análise dos imóveis para verificar qual a influência da obra no problema.

Iniciada no dia 28 de março de 2011, a duplicação da rodovia Euclides da Cunha (SP-320) nos 158 quilômetros entre Mirassol e Rubinéia está prevista para terminar em setembro. Os trabalhos foram divididos em oito lotes. A Constroeste ficou responsável por dois deles, entre Mirassol e Cosmorama. Outros seis lotes são de responsabilidade da Conter Construtora, consórcio Serveng S/A Paulista e consórcio Bandeirantes Redran.

O Departamento de Estradas e Rodagem (DER) informou ontem que já foram completados 10 quilômetros de obras do lote 7 e que o lote 8 está completo, atendendo aos municípios de Santa Salete, Aspásia, Santana da Ponte Pensa, Santa Fé do Sul, Rubinéia e Três Fronteiras.

Os detalhes dos serviços nos outros seis lotes não foram divulgados pelo DER, porém o órgão afirma que o prazo estimado no início da obra (setembro deste ano) está mantido. A duplicação tem custo estimado de R$ 773,8 milhões aos cofres públicos. O orçamento prevê ainda a duplicação de 3,6 quilômetros da rodovia Péricles Bellini (SP-461) e 1,8 quilômetro da estrada Perci Semeghini (SP-543), que cruzam com a Euclides da Cunha. (diarioweb.com.br)

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