Casal de pedófilos condenado a 84 anos vai para a cadeia

Um casal de pedófilos foi preso ontem à tarde pelas polícias Civil e Militar de Rio Preto. A Justiça condenou o serralheiro Osmar de Souza Balduíno e a balconista Roselaine Aparecida da Silva, 34 anos, a 84 anos, quatro meses e 15 dias de cadeia em regime fechado cada um. Mãe e padrasto são acusados de molestar sexualmente os sete filhos pequenos – três biológicos e quatro adotivos. Cinco eram meninas. A sentença foi publicada no final de dezembro e os mandados cumpridos ontem. A Polícia Civil prendeu a mulher no restaurante em que ela trabalhava, na avenida Nossa Senhora da Paz, em Rio Preto e Osmar foi localizado pela PM na casa dele, no bairro Jardim Galante, em Cedral.

Levados à Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o casal negou à reportagem que tenham cometidos os crimes. “Posso garantir que nunca fiz nada às crianças. O que aconteceu foi denúncia de vizinhos e eu não tinha uma boa convivência com a minha enteada. Ela fez isso para se vingar de mim”, afirmou Osmar. Já a balconista tentou explicar que não tinha envolvimento nos abusos. Hoje o casal está separado. “Eu acredito que ele tenha feito essas coisas. Nunca vi. Mas criança não mente, então aconteceu. Foram as filhas dele que me envolveram nisso tudo. Elas disseram que se o pai delas fosse preso eu iria também, mas nunca permiti nada”, afirmou.

Na época, as crianças tinham idade entre cinco e 13 anos. A sentença é assinada pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Diniz Fernando Ferreira da Cruz. O delegado Alceu Lima de Oliveira Junior, da DIG, informou que localizou a mulher no endereço do trabalho dela. “Cada um deles tinha de quatro a cinco endereços. Prendemos ela e a PM já havia localizado ele. A Roselaine pediu 5 minutos para terminar de atender e nos acompanhou. Ela disse saber das acusações, mas não tinha conhecimento da condenação”. O casal foi levado a Central de Flagrantes e hoje os dois serão transferidos. Osmar irá cumprir a pena na cadeia de Catanduva e Roselaine na prisão feminina de General Salgado.

Sentença pesada

Na sentença, o juiz afirma que existem provas de que o padastro O.S.B estuprava as crianças com frequência e tinha consentimento da esposa R.A.S. O caso foi descoberto depois que a filha mais velha dele, relação do primeiro casamento, procurou a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) em outubro de 2011 para denunciar os abusos. Na época as crianças foram retiradas da guarda do casal. Os três filhos da acusada voltaram a morar com o pai biológico, no bairro Eldorado, zona norte, e os quatro adotivos foram encaminhados a abrigos judiciais.

Como não houve flagrante, os réus responderam todo o processo em liberdade. Ontem, o promotor responsável pelo caso, José Heitor dos Santos, disse que não poderia comentar o teor da sentença porque o processo corre em segredo de Justiça. Ele informou apenas que já recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça de São Paulo pedindo o aumento da pena para, no mínimo, 200 anos de prisão para cada réu.

Pedido inicial era de 120 anos

O Diário apurou que esta é uma das maiores penas já aplicadas pela Justiça de Rio Preto em casos de pedofilia. Inicialmente, o pedido do Ministério Público era para que os acusados pegassem cerca de 120 anos de prisão cada um. Para o MP, o caso tem o agravante de que o casal era cadastrado no Projeto social Teia, que abriga crianças em situação de risco – por isso eles estavam com a guarda temporária dos quatro filhos adotivos.

O Projeto Teia é mantido através de uma parceria entre a Prefeitura de Rio Preto e a Vara da Infância e Juventude. Atualmente possui sete residências cadastradas e abriga cerca de 70 crianças em situação de risco. Na prática, as casas recebem crianças retiradas das famílias com ordem judicial, vítimas de maus-tratos. Na época, Roselaine estava cadastrada para prestar o serviço como “mãe social”, mas apenas depois da denúncia dos abusos e do início das investigações foi descoberto que seu companheiro tinha passagens por outros crimes sexuais contra uma neta.

As investigações mostraram que a violência sexual contra as crianças aconteceram durante mais de um ano, até a filha mais velha de Osmar denunciar o casal. Segundo a polícia, Roselaine ficava na porta do quarto observando os abusos e até ensinava as meninas a colocar preservativo no marido.

 

Guto Pereira e Tatiana Pires – Diário da Região

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