Cansada de ouvir que tinha apenas o ‘rosto lindo’, enfermeira de Votuporanga perde 45 kg

Com 110 kg e 1,60m, votuporanguense vivia vai e vem das dietas. 
‘Pessoas são cruéis quando você não se enquadra’, diz ex-gordinha.

 

“Hoje não sou apenas a ‘mais legal’, simpática ou a ‘menina do sorriso bonito’. Sou hoje candidata a um possível relacionamento”. O desabafo da enfermeira de Votuporanga (SP) Nayra de Mello Domingues, de 26 anos, marca a nova fase dela: cansada de ouvir que tinha o “rosto bonito” e só fazer amizade com os meninos, decidiu emagrecer, passou por uma cirurgia bariátrica e perdeu 45 kg esbanjando saúde e bom humor. A virada aconteceu em 2011 – com 110 kg e 1,60 de altura, Nayra vivia o vai e vem das dietas.

“Sempre emagrecia e recuperava tudo um tempo depois. Nunca consegui ficar muito tempo no peso certo. Esse efeito sanfona me prejudicou. Ficava ouvindo que ‘tinha um rosto bonito’ dos garotos e eles sempre se interessam pelas minhas amigas e nunca por mim. Isso era cansativo. Já ouvi que eu era linda, mas pena que eu era gorda. Cansada de tentar com outros médicos e não dar certo, fui a um gastrocirurgião pedir sua opinião”, conta Nayra.

O procedimento recomendado a ela, por seu histórico, foi a bariátrica. “Ele disse que eu seria uma grande concorrente a cirurgia e que me enquadrava no quesito obesidade mórbida. Para evitar problemas futuros, decidi fazer”, explica. O Ministério da Saúde orienta que a redução de estômago não é recomendada para todos os pacientes, ela só é indicada em casos graves e com doenças associadas.

Nayra ouvia que tinha 'apenas um rosto bonito'  (Foto: Arquivo Pessoal)Nayra ouvia que tinha ‘apenas um rosto bonito’
(Foto: Arquivo Pessoal)

Para realizar a cirurgia, Nayra passou por uma bateria de exames, teve acompanhamento psicológico e foi acompanhada por uma nutricionista pré e pós-operatório. “É preciso ser muito rigorosa para passar por essa cirurgia, não é fácil como muitos pensam. No início, por exemplo, é preciso ficar numa dieta totalmente líquida, que evolui para pastosa e depois sólida. Os riscos são grandes e é preciso ter muita cabeça e dedicação para fazê-la dar certo”, explica Naya.

A dieta de Nayra cortou refrigerantes, qualquer tipo de doces, frituras e bebidas alcoólicas. Durante seis meses, ela seguiu à risca as orientações até que foi liberada. No prato, apenas alimentos integrais, verduras, frutas, legumes e carnes magras.

“Depois de liberada, se não prestar atenção, engorda novamente. Na dieta, associei os exercícios e nunca mais engordei. Cheguei ao peso que eu queria e três anos depois, não entrei para as estatísticas daqueles que voltam a engordar. Foi preciso muito foco e dedicação”, comenta a enfermeira.

Com a perda de 45 kg, as dores nos joelhos e nas costas que Nayra sentia sumiram, além de outros problemas que eram causados pelo peso em excesso. “Minha vida mudou em vários sentidos. Eu acordava cansada, dormia super mal e isso não acontece mais. A autoestima também muda, você coloca qualquer roupa e ela serve, até meu número de sapato diminuiu, sou mais vaidosa e cuido mais de mim agora”, conta Nayra.

Ainda sem namorado, Nayra passou de “amiga” para candidata de possíveis relacionamentos, algo que a incomodava muito. E isso só dá forças para que ela continue no novo peso, com uma nova qualidade de vida que inclui alimentação saudável e exercícios.

“Não sou mais alvo de piadinhas e minha saúde está muito melhor. As pessoas são cruéis quando você não se enquadra no “padrão de beleza”. Sofria preconceito de vendedoras, de amigos e até desconhecidos. Até os elogios transpareciam preconceito. Todo gordinho que diz que a obesidade não afeta a vida dele, no fundo afeta. Se não for de preconceitos, é de saúde. Com o passar do tempo, a obesidade faz os problemas de saúde aparecem, ninguém escapa”, finaliza. G1.com

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