O caso aconteceu no dia 29 de julho em Birigui (SP). A vítima teve uma hemorragia cerebral, conforme comprovado por meio de um exame. Após ver as imagens, a polícia mudou os rumos da investigação.
As câmeras de segurança de um colégio cívico-militar de Birigui (SP) registraram o momento em que o adolescente suspeito de agredir um colega aparece segurando uma pá, antes de atingir a vítima, que foi internada após sofrer uma hemorragia cerebral.
O caso aconteceu no dia 29 de julho. Nas imagens obtidas pela produção da TV TEM, é possível notar que o equipamento é utilizado para limpeza da instituição de ensino.
Após a agressão, a mãe da vítima, um adolescente de 13 anos, afirmou que o adolescente voltou normalmente para casa. Contudo, dois dias depois, em 31 de julho, o menino começou a apresentar dor de cabeça intensa, palidez e confusão mental.
Na ocasião, ele foi levado às pressas para o pronto-socorro de Birigui e, devido à gravidade do quadro, transferido para a Santa Casa de Araçatuba no sábado (1º), onde permanecia internado até a última atualização desta reportagem. No hospital, uma tomografia identificou uma hemorragia cerebral, de acordo com a mãe.
Após a verificação das imagens, a polícia trabalha com novas linhas de investigação.
Rumos da investigação
Ao ter acesso às imagens, o g1 questionou o delegado Ícaro Oliveira Borges sobre os rumos da investigação.
Ele explica que a principal hipótese é de que o impacto da pancada com a pá tenha causado o rompimento de um vaso ou veia previamente fragilizado.
“É a hipótese que estou seguindo, mas aguardo o médico legista para confirmá-la ou descartá-la. Eu acho que o toque desencadeou algum rompimento de vaso ou veia e tomou as grandes proporções ao longo de três dias”, explica.
Ainda conforme o delegado, havendo essa confirmação, a conduta do adolescente suspeito poderá ser classificada como culposa (quando não há intenção) ou até mesmo descaracterizada como ato infracional.
“Há também a possibilidade de não ser crime ou ato infracional, pois ele [suspeito] não sabia de uma possível doença pré-existente”, pontua o delegado.
Ícaro explica que a equipe de investigação apura se a vítima possuía algum histórico de condição vascular ou lesão cerebral pré-existente.
Quanto à conduta dos pais, o delegado descarta qualquer hipótese de que a vítima tenha sido agredida antes ou após o episódio na escola.
“Nós investigamos e fomos à casa da vítima, sem sinais de violência. O pai e a mãe não têm histórico policial, e os vizinhos não ouviram nenhuma discussão”, finaliza.
O boletim de ocorrência, inicialmente registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), foi encaminhado ao 1º Distrito Policial de Birigui.
Na ocasião, a Polícia Civil instaurou um Procedimento de Apuração de Ato Infracional e intimou os responsáveis pelos menores envolvidos. O delegado Ícaro Borges ouviu a professora, o diretor de ensino, a coordenadora pedagógica, a monitora pedagógica e o pai da vítima.
A pá usada para causar a lesão foi apreendida e encaminhada para exame pericial. Além disso, foram requisitados exame de corpo de delito ao Instituto Médico Legal (IML) e informações ao Pronto-Socorro Municipal de Birigui e ao hospital de Araçatuba, onde o adolescente recebeu atendimento.
O que diz a Secretaria de Educação
Por sua vez, a Secretaria Estadual de Educação informou que a equipe gestora da escola adotou as providências cabíveis e acionou os responsáveis dos alunos envolvidos para uma reunião de mediação. A pasta informou ainda que acompanha o estado de saúde do aluno e presta suporte à família.












