Brasil registra os juros mais altos dos últimos 10 anos

A taxa de juros do cheque especial em setembro foi a maior dos últimos dez anos. Pesquisa mensal da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) revela que a taxa de juros anual está em 165,58%, a maior desde janeiro de 2004. Em setembro, houve uma elevação de 0,47% na taxa mensal do cheque especial para pessoa física, passando de 8,44% em agosto para 8,48% em setembro.

O consultor Valdecir Buosi, diretor da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp), explica o quão alta é essa taxa: “se considerarmos que a meta da inflação estabelecida pelo governo é de 6,50% para o ano de 2014, a taxa de 165,58% ao ano é 25,47 vezes a inflação do mesmo período, ou seja, extremamente alta”.

Para ilustrar melhor, Buosi fez uma simulação dos gastos com as taxas de juros do cheque especial. Uma pessoa que ficou com R$ 1 mil negativos no especial estará devendo para o banco R$ 2.655,80 depois de 12 meses. Do total R$ 1 mil é o valor principal e R$ 1.655,80 são juros. Se estourar em R$ 2 mil, depois de 12 meses estará devendo R$ 5.361,61, sendo R$ 2 mil o principal e R$ 3.361,61 de juros.

Cartão de crédito

O peso dos juros do cheque especial só é menor que o do cartão de crédito. No mês, a taxa ficou estável em 10,78%, o que representa 241,61% ao ano. Quem costuma recorrer a empréstimos pessoais em financeiras também deve ficar atento. Embora tenha tido uma redução de 0,82% ao mês, passando de 7,32% para 7,26%, ao ano a taxa está em 131,87%. No mês, a taxa é a menor desde março, quando estava em 7,24%. A simulação feita por Buosi mostra ainda melhor como o custo é alto. Uma pessoa que deve R$ 2 mil no cartão de crédito estará devendo R$ 6.832,29 depois de um ano, sendo R$ 2 mil de principal e R$ 4.832,29 de juros, que é o custo por ter ficado devendo no período de 12 meses.

Taxa média

Na média, a taxa de juros para pessoa física registrou uma redução de 0,33%, passando de 6,08% ao mês (103,05% ao ano) em agosto, para 6,06% ao mês (102,59% ao ano) em setembro. Segundo a pesquisa da Anefac, a taxa é a menor desde julho/2014 (6,05% ao mês – 102,36% ao ano). Das seis linhas de crédito pesquisadas pela Anefac, quatro tiveram suas taxas de juros reduzidas no mês: juros do comércio, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal bancos e empréstimo pessoal financeira. O cartão de crédito se manteve estável e o cheque especial foi elevado.

Essas reduções interromperam 15 elevações seguidas dos juros na pessoa física e podem ser atribuídas, segundo a Anefac, a fatores como estabilidade nos índices de inadimplência, o que reduz a renda das famílias além do baixo crescimento econômico e a medidas adotadas pelo Banco Central para redução dos depósitos compulsórios.

Fuja de parcelamentos

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa de juros Selic para 11,25% ao ano. Foi a primeira elevação desde abril deste ano. Na vida do cidadão que precisa de crédito, essa decisão implica aumento dos custos. Segundo o economista Bruno Sbrogio, essa alta evidência que haverá um aumento no custo de se conseguir dinheiro. “O crédito irá encarecer e ainda não se sabe quanto poderá aumentar. Devido às pressões inflacionárias, a adequação pode ser grande”, prevê.

Para ele, é preciso entender a necessidade de contrair dívidas nesse momento de alta de juros, principalmente as de longo prazo, como financiamentos de carro e casa. Com o crédito mais caro o consumidor pode não conseguir pagar os débitos contraídos. “O cenário tem dois complicadores: o aumento das taxas de juros e uma inflação persistentemente alta, corroendo o poder de compra salarial”, disse.

Para lidar com o endividamento e fugir de juros exorbitantes, a melhor saída é controlar o orçamento, considerando receitas e despesas. O primeiro passo é analisar a situação orçamentária e, se as saídas forem maiores que as entradas, o ideal é ver o que pode ser cortado. “Caso não se consiga reduzir as despesas, o preço serão juros altíssimos”, disse o consultor Valdecir Buosi.

Outra orientação é fazer uma reserva financeira de 10% do total das receitas para imprevistos como doenças, perda de emprego, manutenção no imóvel e reparo no veículo. “Normalmente, essas despesas não ocorrem mensalmente e, quando o cidadão precisa, ele não tem dinheiro e entra no especial”, afirma. Se o consumidor não tiver alternativa e precisar recorrer ao crédito, a sugestão é o crédito consignado porque os juros são mais baratos. Outras opções são o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e a possibilidade de refinanciar o veículo. DiarioWeb

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password