Brasil autoriza extradição de terrorista espanhol condenado a 193 anos de prisão

Carlos Garcia Juliá foi preso em 2018 e participou do crime que ficou conhecido como ‘o massacre de Atocha’, em 1977. Espanha tem 60 dias, desde quinta-feira (2), para efetivar a retirada do cidadão.

O governo brasileiro autorizou a extradição do espanhol Carlos Garcia Juliá, preso desde 2018. Ele foi condenado na Europa a 193 anos de prisão por cinco assassinatos. Na época, o crime se tornou conhecido como “o massacre de Atocha”.

Segundo o Itamaraty, a extradição deverá ser efetivada no prazo de 60 dias seguidos e começou a ser contado na última quinta-feira (2), quando a embaixada da Espanha no Brasil foi notificada. “A Espanha deverá agora informar os dados da escolta que virá ao Brasil para efetuar a retirada do extraditando”, informou o Ministério das Relações Exteriores em nota.

Por se tratar de informações confidenciais, a tramitação do processo de expulsão não vai precisar passar por vias diplomáticas. A comunicação, segundo o ministério, deverá ser feita diretamente entre a Interpol do Brasil com a da Espanha.

De acordo com o governo, o pedido de extradição terminou de ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no início de setembro do ano passado. Na terça-feira (31), último dia do ano, o Ministério da Justiça e Segurança Pública comunicou ao Itamaraty a autorização para expulsão do espanhol do país.

“Tendo em vista que o nominado não possui pendência no Brasil, ele encontra-se apto a ser extraditado”, disse o Ministério das Relações Exteriores.

Foragido era motorista de aplicativo

Carlos Garcia Juliá foi preso no dia 7 de dezembro de 2018, em São Paulo. A prisão veio depois de uma investigação conjunta entre a polícia espanhola e policiais federais brasileiros que atuam na Interpol.

Segundo a polícia, ele passou por Chile, Venezuela, Argentina e Bolívia. O primeiro registro de Juliá no Brasil, com um nome falso, é de 2009, mas os investigadores acreditam que ele tenha entrado no país em 2001, por Pacaraima, em Roraima.

Carlos Garcia Juliá morava no primeiro andar de um prédio no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Ele foi preso quando chegava em casa. Juliá, de 65 anos, dizia que era venezuelano e usava o nome de Genaro Antonio Materan Flores.

Com essa identidade falsa, conseguiu tirar carteira de habilitação e trabalhava como motorista de aplicativo. Ele vivia com uma brasileira que, segundo a polícia, não sabia do passado do companheiro.

Massacre de Atocha

Juliá foi condenado a 193 anos de prisão, mas cumpriu apenas 14. Em 1977, ele participou do crime que ficou conhecido como “o massacre de Atocha”. O caso teve grande repercussão.

Ele e outro integrante de um grupo de extrema direita entraram em um escritório de advocacia da Rua Atocha, na região central de Madri, e dispararam vários tiros. Cinco pessoas morreram e outras quatro ficaram feridas.

A condenação de 193 anos de prisão foi limitada a 30 anos pela legislação em vigor na época. Em 1991, García Juliá recebeu a liberdade condicional. Em dezembro daquele ano, ele obteve autorização para trabalhar em Assunção, no Paraguai, desde que se apresentasse mensalmente na embaixada da Espanha no país.

Juliá descumpriu as condições e, após ser preso na Bolívia em maio de 1996 por narcotráfico, a justiça da Espanha revogou a liberdade condicional do terrorista, mas ele já havia desaparecido.

FONTE: Informações | g1.globo.com

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