Bebê morre ao bater a cabeça no tanque em Rio Preto

Dor e indignação marcaram o velório da pequena Jheniffer Emanuelly da Silva Fernandes, 1 ano, enterrada ontem à tarde no cemitério São João Batista, em Rio Preto.

 

Ela estava internada há três dias no Hospital da Criança e Maternidade (HCM) e morreu, anteontem, devido a um traumatismo que sofreu ao escorregar dentro de um tanque de lavar roupa e bater a cabeça.

 

O acidente ocorreu na última sexta-feira, na casa dos pais dela, no Santo Antonio, zona norte. A família acusa o hospital de negligência ao demorar para diagnosticar o problema do bebê. A mãe, Michele Nineia da Silva, 17 anos, afirma que a culpa é dos médicos, que não atenderam Jheniffer direito. “O que será da minha vida agora sem a minha filha? Era para ela estar viva, se os médicos tivessem dado atenção para o quadro clínico dela. Mas não, eles atenderam, deram dipirona e mandaram para casa, uma criança que estava mal. Minha vida se foi.”

A menina era a primeira e única filha de Michele e de Wesley Lucas Fernandes, que estão juntos há 4 anos. “Eles moram sozinhos em uma casa e tinham mania de dar banho na menina no tanque. Na sexta-feira, minha nora estava dando banho, quando ao se descuidar, minha neta escorregou e bateu a cabeça, na altura na nuca”, conta a avó paterna, Diva Albino F. Magalhães, 41 anos.

De acordo com ela, os pais não levaram a menina para o hospital. “Depois de bater a cabecinha, ela brincou ainda, jantou e dormiu. Só fiquei sabendo o que tinha acontecido no sábado, quando eles me ligaram falando que ela estava com febre de 38 graus e enjoadinha. Peguei ela na hora e levei para o hospital.”

Pierre Duarte
Jheniffer Emanuelly tinha apenas um ano de vida; depois do tombo, teve febre alta e urinou sangue, morrendo na UTI

 

A menina deu entrada no Hospital da Criança e Maternidade (HCM) por volta das 13h, mas só foi atendida às 14h. “Isso porque eu insisti várias vezes para que examinassem minha neta. Fizeram dois exames, deram medicamentos e liberaram, dizendo que não sabiam o que era. Saímos a 1 hora da manhã de domingo.”

Ainda no domingo, Jheniffer começou a passar mal novamente. “Voltei para o hospital. Ela estava urinando sangue e com a cabeça inchada. Outro médico que atendeu disse que o estado dela era grave, que estava com um coágulo na cabeça. A partir daí, ela foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e morreu anteontem à noite.”

Dilma diz que está se sentindo impotente ao ver o sofrimento do filho e da nora. “É uma tristeza que não tem explicação e uma raiva muito grande também. Estou até longe do meu filho, porque não sei como ajudar, estou sofrendo também. Sei que o hospital errou e eles terão que pagar por isso.”

Outro lado

Em nota, o Hospital da Criança e Maternidade informou que “a paciente foi atendida rapidamente pela equipe do Pronto-Atendimento, segundo os padrões médicos em casos de trauma. Foram feitos todos os exames necessários, a menina foi examinada, medicada e, então, liberada. Quando retornou ao HCM com seus pais, a criança apresentava sintomas clínicos não relacionados à lesão sofrida pela queda, sendo necessário interná-la na UTI”, diz o HCM.

Pierre Duarte
A avó paterna, Diva Fernandes Magalhães, levou a neta ao Hospital da Criança duas vezes

Todo cuidado é pouco

Como colocar o bebê para dormir, como segurar para dar banho e como fazer o curativo no cordão umbilical? Esses são as principais dúvidas dos pais de primeira viagem, segundo a enfermeira Gabriela Ottoboni Alves, do programa Beabá Bebê, da Unimed Rio Preto, de orientação aos pais novatos no assunto . O atendimento é aberto à comunidade.

Ela afirma que dar banho em tanques de lavar roupa não é a prática mais adequada. “Mesmo que não se tenha uma banheira moderna, é necessário que o local escolhido para o banho seja limpo e principalmente seguro.” Os cuidados básicos (como consta na figura abaixo) são essenciais para evitar acidentes. “Pode até parecer exagero, mas todo cuidado é pouco quando se trata de criança. Ainda mais em relação aos bebês, que são ainda mais dependentes.”

Para participar do programa, a mãe pode se cadastrar no site da Unimed (www.unimedriopreto.com.br) ou pelo telefone (17) 3202-1144. Na rede municipal de saúde, as mães recebem orientações durante as consultas pré e pós-parto, além dos grupos de gestantes e de aleitamento.

“Já é rotina do pediatra orientar a mãe com base no crescimento do filho. Afinal, em cada idade a criança está sujeita a um tipo de risco. Nosso foco é na prevenção, pois os acidentes podem ser evitados”, explica a pediatra e coordenadora da Saúde da Criança e do Adolescente do município, Andrea Zoccal.

Histórico

Ela destaca que desde a primeira consulta, a gestante recebe o manual “Crescendo com saúde”, no qual é registrado todo o histórico de atendimento dela e do bebê. “Há orientações também para se evitar acidentes domésticos, como tapar as tomadas, deixar os produtos de limpeza fora do alcance das crianças e principalmente em relação a piscinas, pois muitas crianças morrem afogadas.” Larissa Oliveira  -diarioweb

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password