Bebê internado em Araçatuba pode ter sido agredido pelos pais

O bebê de três meses que está internado na Santa Casa, em Araçatuba (SP) desde o último dia 15 de março com vários ferimentos, pode ser sido agredido desde o primeiro mês de vida, diz especialistas. A criança mora com os pais em Piacatu.

Um raio-x realizado há dois meses mostra que a criança sofreu fraturas nas costelas quando tinha apenas um mês de vida. Os pais da criança são os principais suspeitos das agressões, mas negam, alegando que a menina caiu e que tudo não passou de um acidente.

O delegado responsável pelo caso, Alessander Silva, já começou a ouviu as testemunhas. O Conselho Tutelar disse que até o fim de semana, irá ouvir os pais, parente e amigos da família. O laudo do IML está pronto e mostra os detalhes dos ferimentos sofridos pelo bebê. Segundo o Conselho, até o final das investigações, o casal está impedido de visitar a criança.

O promotor Álvaro Roberto Teixeira disse que a avó materna possui permissão da justiça para acompanhar a menina. “Mas essa permissão é para apenas acompanhar a criança enquanto estiver no hospital, assim que o bebê receber alta, será encaminhado à um abrigo” , diz.

Segundo o diretor clínico do da Santa Casa, Sérgio Smolentzov, os exames realizados no momento da internação da criança mostram que ela havia chegado ao hospital com traumatismo craniano, duas costelas quebradas e vários ferimentos pelo corpo. “As fraturas nas costelas são antigas, como os próprios exames realizados na menina puderam nos mostrar, agora buscamos a total recuperação dela, essa é a nossa meta”, ressalta.

Esta não é a primeira vez que ocorrem casos de agressão como este na região. Em dezembro do ano passado, uma menina de 2 anos que morava com a família, em Birigui (SP), foi levada ao pronto-socorro com febre e vômitos. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu durante o atendimento. O exame do Instituto Médico Legal (IML) apontou que ela foi espancada e sofreu abuso sexual. A mãe, de 24 anos, e o companheiro dela, de 26, estão presos.

Em janeiro, uma outra criança, de 4 anos, morreu vítima de maus tratos em Araçatuba. Ela teria sido espancada pela mãe, que foi indiciada por homicídio culposo. Já o padrasto da criança foi acusado de omissão. Ele viu as agressões, mas não impediu e nem socorreu a menina. Os dois aguardam julgamento em liberdade.

Segundo especialistas, os pais são os principais agressores de crianças e adolescentes. Em Rio Preto, crianças que sofrem maus tratos recebem acompanhamento junto com as famílias pelo Centro Regional de Atenção aos Maus na Infância (Crami) cerca de 280 famílias fazem acompanhamento com psicólogos, assistentes sociais e advogados.

Na cidade, quem responde por maus tratos é a Delegacia da Mulher. “Os números na nossa região não são muito expressivos, mas estão infelizmente bem longe de demonstrar a realidade que vivenciamos. Por isso orientamos sempre que as pessoas denunciem, para que nós possamos identificar esses sujeitos e resolver o problema de vez”, explica a delegada Dálice Ceron.

Segundo a psicóloga Evelin Silva Batista, o diálogo é a melhor saída. “Nós recomendamos que a melhor maneira de educar é conversar com os filhos, antes de bater, dar tampas nas crianças é melhor conversar mesmo”, explica. Neste ano já foram feitas 80 denúncias de maus tratos contra crianças em Araçatuba. Em Votuporanga foram 14. (G1)

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