Bebê de 1 ano morre por asfixia

O pequeno Lincoln dos Santos Faustino, de três anos, espera o irmão voltar. Na sua cabecinha, o companheiro de todo dia, Maicon dos Santos, de um ano e dois meses, saiu para trabalhar com o caminhão de bombeiros. “Ele viu o irmão sair desacordado, mas pensa que ele está trabalhando. Vamos contar a verdade aos poucos”, explica a mãe Denise dos Santos Faustino.

A verdade é que o rio-pretense Maicon está morto desde sexta-feira. O menino engasgou enquanto dormia e, ainda que a mãe tenha ligado para o Corpo de Bombeiros e o socorro tenha sido rápido, não conseguiu salvar o filho. “Ele comeu, tomou a mamadeira e dormiu um pouquinho. Quando eu fui pegá-lo no berço, já estava com o rostinho roxo”.

No atestado de óbito de Maicon, constam insuficiência respiratória aguda e brônquio respiração de alimentos como a causa da morte. A criança vomitou enquanto dormia e se afogou com os restos alimentares, asfixia mecânica. A avó Cecília Barboza conta que na manhã do incidente, sexta-feira, Maicon brincou, dançou e comeu ao lado do irmão Linc
oln. “Ele era muito alegre, mas nesse dia estava mais feliz ainda. Os dois não desgrudavam. Se um comia, o outro também comia”, conta ela. O menino dormiu após o almoço e por volta das 16h30 a mãe percebeu que algo estava errado. “Ele não acordava e eu resolvi ver como ele estava”.

A família afirma que o resgate foi rápido. “Os bombeiros não demoraram nem cinco minutos e por telefone eles já foram me ensinando a fazer os procedimentos. Mas não teve jeito”. Maicon foi levado à UPA do Jaguaré onde, por volta das 19h, foi constatado o óbito. O pediatra Jorge Selem Haddad explica que esse tipo de acontecimento entre crianças que já têm mais de um ano não é comum. “Pode acontecer com qualquer um, mas não é comum”. O médico esclarece que ela é rotineira entre bebês. “Eles podem engasgar com o leite, mas com com alimentos sólidos é mais difícil”.

Ainda assim, Haddad pontua que crianças da idade de Maicon têm refluxos com mais frequência. “Como eles têm mais vômitos, têm mais riscos de espirar e acabar tendo problemas por isso”. Maicon foi enterrado no cemitério Jardim da Paz, em Rio Preto. Ele vivia com os pais, o irmão e os avós em uma residência no Jardim do Bosque. “Ele era uma criança muito feliz, tranquila, estava sempre sorrindo. É só ver pelas fotos”, relembra a mãe, ainda sem entender tudo o que aconteceu. “As vezes, eu fico como o Lincoln, achando que ele vai voltar. Foi tudo tão rápido…”.

Pequenos têm mais refluxos

O pediatra Jorge Haddad explica que crianças menores e bebês sofrem refluxos com mais frequência. Nesse caso, os pais devem redobrar a atenção na combinação comer dormir. “Quando a criança tem refluxo, os pais devem deixar a cabeceira reclinada e esperar uma horinha depois que a criança come para deitá-la.” Ele ainda pede atenção aos primeiros socorros dados à criança no momento do vômito. “A gente nunca deve puxar a cabeça da criança para trás. Devemos incliná-la para frente porque, do contrário, o vômito pode voltar”. No caso dos bebês, a orientação é que eles sempre arrotem antes de dormir. “Tem que ser assim. Isso salva vidas.”

Outra recomendação que, muitas vezes, passa despercebida pelos pais é em relação à posição em que as crianças e os bebês devem ser colocados para dormir. “Nunca de bruços, sempre com a barriguinha para cima”, alerta o médico. A posição de bruços pode pressionar o estômago da criança. O médico ainda explica que casos como o de Maycon acontecem em qualquer idade. “O afogamento por comidas sólidas pode acontecer até mesmo com adultos”, afirma.

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