‘Bandido da Biz’ faz mais três vítimas em Votuporanga

Os roubos são todos parecidos. A vítima está andando na rua ou está parada em alguma praça, geralmente sozinha, quando se aproxima uma pessoa guiando uma motoneta Honda/Biz. O motociclista, em todos os casos do sexo masculino, sozinho e de capacete, desce da moto e pergunta logo pelo telefone celular, que a vítima sem titubear entrega. O desconhecido sobe novamente na Biz e foge sem deixar pistas.

Por causa do uso deste tipo de moto, o autor (ou autores) tem sido nomeado de “Bandido da Biz”. Entre sábado, dia 26 de abril, e ontem, 7 de maio, foram registrados 11 boletins de ocorrência sobre roubos de telefone celular. As últimas vítimas foram roubadas na manhã de ontem, próximo a avenida Antonio Augusto Paes. No total foram levados 13 aparelhos. Os roubos tem chamado a atenção da população e colocado as Polícias Militar e Civil de Votuporanga em alerta.

De acordo com o delegado Márcio Nobuyoshi Nosse, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), é muito provável que o bandido na verdade sejam vários, já que as vítimas relatam motocicletas de diversas cores, como prata, preto, vermelho e dourado.  “E até as características do assaltante dão a crer que pode ter mais de uma pessoa envolvida”, alerta Nosse.

Sobre o destino dado a estes celulares roubados, o delegado acredita que são trocados por drogas nos pontos de tráfico da cidade. “É uma moeda de troca. O celular é entregue a preço de banana, não ultrapassando provavelmente R$ 100 ou R$ 150”, diz.

O uso de uma motoneta como a Biz, segundo Nosse, muito tem haver com o baixo preço que estes veículos são encontrados em leilões. “Uma moto que vale R$ 2 mil na loja em um leilão é vendida até por R$ 500. Então é só a pessoa abastecer o tanque e sair andando por aí”, afirma.

Na tarde de 29 de abril foi preso Jefferson Alberto Polizeli Luiz, 23 anos, suspeito de ser o autor dos três primeiros roubos. O delegado explica que, mesmo o crime tendo continuado após a prisão de Jefferson, não há dúvidas que ele roubou as três primeiras vítimas. O suspeito inclusive teve a prisão preventiva decretada ontem e seria levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Riolândia. “Todas as vítimas reconheceram, não temos dúvidas que foi ele”, afirma Nosse.

“Vocês tem mais amor à vida ou ao celular”. Esta foi a frase dita pelo assaltante que levou dois telefones celulares de duas adolescentes na manhã de ontem, na rua Abílio Dutra, ao lado da praça do Lanchopão, em Votuporanga.

Este foi o 11º roubo de celular registrado em Votuporanga nos últimos 12 dias.  As adolescentes, uma de 16 e outra de 17 anos, disseram aos policiais militares que haviam acabado de sair das aulas em uma escola de informática que fica na avenida Antonio Augusto Paes. Elas sentaram em um dos bancos da praça para esperar o ônibus e alguns minutos depois, às 11h10, chegou o motociclista, de capacete e óculos escuros, em cima de uma Honda/Biz dourada.

O assaltante desceu da moto e, após falar a frase do início do texto, as duas vítimas entregaram os aparelhos. Toda a ação durou nada mais do que alguns segundos. “Nunca passei por isso. Fiquei muito apavorada”, disse uma das vítimas.

As duas confirmaram que estavam com os aparelhos nas mãos no momento da chegada do assaltante. O delegado da DIG, Márcio Nobuyoshi Nosse, condena o que ela chama de “celular ostentação”, em que as pessoas ficam com o telefone nas mãos em lugares públicos.

“A pessoa perde a noção de vigilância quando começa a trocar mensagens em celular, não percebe quem está se aproximando e só vê quando já está sendo abordada pelo bandido”, explicou Nosse.

O delegado relembrou que não se pode reagir nesses casos, mesmo todas as evidências apontando que o “Bandido da Biz” não carrega revólver. “Fiquei com vontade de gritar, mas não vou arriscar minha vida por causa de um telefone celular”, disse uma das vítimas, que havia comprado o aparelho há apenas alguns dias. 

10º roubo

Na tarde de anteontem foi registrado o 10º roubo de telefone celular. O crime aconteceu na rua das Bandeiras, na Vila Paes, às 15h20. A vítima, uma estudante de 14 anos, contou que estava conversando com uma amiga no celular quando apareceu um homem com capacete preto em uma Honda/Biz de cor preta, que perguntou o horário.

O assaltante deu a volta no quarteirão e retornou armado, mandando que ela entregasse o celular e saísse andando. A menina não conseguiu identificar a placa da moto. O homem estava com bermuda, camiseta e tênis, todos de cor preta.

André Nonato

andre.nonato@diariodaregiao.com.br

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