Balas com chumbinho jogadas no quintal

A analista de comércio exterior Érica Fernanda Guedes, 37 anos, moradora de Mirassol, procurou a polícia depois que foram jogadas no seu quintal balas de iogurte recheadas com chumbinho – veneno agrícola de uso exclusivo na lavoura. Um cachorro morreu e ela teme pela vida do filho, de um ano, que utiliza o espaço diariamente. Nos últimos dois meses, ela encontrou seis balas em diferentes dias, a última na segunda-feira passada, todas com o produto. O chumbinho é um veneno altamente tóxico, utilizado irregularmente como raticida.

“Tenho muito amor pelos cachorros, mas meu maior medo é que aconteça algo com meu filho. Uma das balas estava do lado dele. E se ele pega e coloca na boca?”, disse ela. O chumbinho causa envenenamento e pode matar um ser humano, por isso a preocupação de Érica. De acordo com ela, no dia 17 de abril a primeira bala foi encontrada em seu quintal. No mesmo dia, um de seus sete cachorros, morreu.

Laudo do veterinário Cláudio Cunha Raio, encomendado pela dona do cachorro, aponta que na necropsia ficou constatado que o animal foi vítima de envenenamento por chumbinho. Érica Fernanda suspeita que algum vizinho esteja incomodado com os cachorros. Por conta disso, mandou erguer os muros e instalou seis câmeras de segurança. Uma delas flagrou um objeto sendo arremessado por cima do muro.

“Três cachorros são meus e outros três são da minha mãe. Não deixo mais eles dormirem fora de casa e quando acordo faço uma varredura no quintal para saber se não tem nada. Só não entendo porque estão jogando balas de iogurte”, disse.

Ainda segundo Érica, o filho não fica mais sozinho no quintal. “Estamos reféns dentro de casa. Esse sujeito só está esquecendo que tenho uma criança de um ano e que algo pode acontecer com ele. Não gosto nem de pensar nisso”, afirmou.

A vítima registrou três boletins de ocorrência na delegacia de Mirassol, o último deles na tarde de ontem, após entregar as imagens das câmeras. O delegado Júlio Cesar Bueno Valle afirma que o caso foi registrado como maus-tratos a animais, mas que também pode ser enquadrado no artigo 132 do Código Penal – expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente.

“Investigadores foram ao imóvel e pela posição das balas que estavam no telhado já temos suspeitos. Vamos analisar também o material encontrado para ver se realmente é chumbinho e se trouxe riscos para a criança. Também vamos verificar as imagens”, disse o delegado. Elton Rodrigues/Diário de Votuporanga

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