Bairro do Café: das lavouras apenas a lembrança

Local servia para grandes plantações do produto e foi um dos primeiros a serem fundados e povoados em Votuporanga

O Bairro do Café foi um dos primeiros a serem fundados em Votuporanga, sendo assim, não há registro do ano de criação pois naquela época as legislações eram diferentes e não exigiam abertura de protocolo. Antes das primeiras moradias, como o próprio nome diz, o local era área de cafezal. Por lá, existe, inclusive, a rua do Café. No local, há 37 estabelecimentos comerciais.

João Gerônimo de Freitas, 80 anos, e a esposa Aurea Maria da Conceição, vivem no bairro desde 1990, quando chegaram lá não havia mais pés de café, mas ele lembra bem de como era o local antigamente. “O bairro era uma fazenda, com lavoura de café. A cidade começava da rua Sergipe para lá”, disse.

João contou que morava na rua Rio Grande, perto da Unifev, e resolveu comprar uma casa em um lugar mais tranquilo. “Na verdade, não mudou muito, porque moro aqui na avenida Francisco Vilar Horta e o barulho é o mesmo. Gosto muito daqui. Não é preciso pegar ônibus para ir até o Centro da cidade, tem farmácia, padaria e mercado perto. É bem tranquilo também”.

Casa de apaixonados por futebol

A casa de Nedina Bernandes Brunini, 85 anos, já serviu de ponto de encontro dos moradores do Bairro do Café, quando poucas pessoas tinham televisão e a opção de entretenimento era reunir os vizinhos para uma boa conversa. Outro destaque dessa residência é a paixão pelo futebol, especialmente ao Palmeiras e Clube Atlético Votuporanguense.

“Vim morar no bairro há 48 anos. A avenida Francisco Vilar Horta era rua. Tinham acabado de fazer o asfalto, até ajudamos a pagar. No fundo da minha residência ainda tinha pés de café”, contou.

Nedina se intitula a maior torcedora da Votuporanguense que já existiu e lamenta a saída da casa do clube de perto de seu bairro, já que o estádio Plínio Marin foi vendido. “Hoje, que não consigo mais ir ao estádio, escuto a torcida gritar gol já que moro tão pertinho. Fico emocionada. Amo também ver as ruas cheias de carro nos dias de partida. Eu não perdia um jogo. Quando não conseguia ir com meus filhos ao estádio, ouvia pelo rádio. A mulherada entrava de graça no campo. Um dia, em um confronto contra o Marília, choveu muito, eu vim em casa, troquei de roupa e voltei para o Plínio Marin”.

Nedina lembra ainda que naquela época os comícios eram bem na frente de sua casa. O primeiro telefone daquela região foi o dela. “Era tão caro, que eu tinha vergonha de falar para os vizinhos que meu filho tinha comprado um. Era tudo tão novo que eu tinha medo de atender ao telefone”, disse.

“As festas juninas na rua também eram tradicionais. Agora, não tem mais isso. Mas aqui continua sendo o melhor bairro da cidade, um pouco esquecido em investimentos, mas muito gostoso para viver”, finalizou. Leidiane Sabino/A Cidade

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