Axé tenta se reerguer na região de Votuporanga

Destinada à contratação de artistas de axé para shows em festas de peão, carnavais, micaretas e outros eventos na região, a Axé São Paulo – empresa com um braço em Rio Preto e outro em Votuporanga – surge como uma tentativa de driblar o desgaste do gênero na região. O cenário é no mínimo desafiador: para se ter ideia, quase todas as micaretas que costumavam ocorrer no Interior foram extintas nos últimos três anos. 
De acordo com o sócio-proprietário Fred Tonelli, o objetivo é otimizar custos. Desse modo, se uma banda baiana vem ao interior de São Paulo, deve-se aproveitar seu deslocamento para apresentações em mais de uma cidade no mesmo período. “Conseguimos diminuir despesas, fazendo com que mais contratantes tenham acesso a esses artistas. Muitas duplas sertanejas de outros Estados já utilizam logística semelhante.”

Ainda segundo Tonelli, o primeiro evento marcado é uma micareta no Villa Conte, em Rio Preto, no próximo dia 10, com a presença de Banda Eva e Alexandre Peixe. “Estamos fechando oito Carnavais na região, que terão bandas de fora e também regionais.”O Carnavotu, de Votuporanga, foi cancelado em 2010. Uma das justificativas foi a determinação do Ministério Público que proibiu a realização de festas locais no estilo “open bar”, isto é, com bebidas distribuídas à vontade.

Em Rio Preto, o Fest Folia foi cancelado no ano seguinte, por “falta de público e patrocínio”. O caso foi parar na Justiça, já que mesmo com a confirmação do cancelamento os ingressos continuavam à venda pela internet. Na época, Lavínio Paschoalão, juiz da 1ª Vara Cível de Rio Preto, acatou pedido do Ministério Público e determinou o bloqueio de R$ 160 mil de contas bancárias dos organizadores.

Os problemas começaram um ano antes, quando o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) os acusou de não pagar uma dívida referente a direitos autorais. Também em 2011, o Carnariopreto teve sua última edição. No ano passado, um dos organizadores estava envolvido com a campanha eleitoral e, neste ano, preferiu não realizar o evento. Segundo a assessoria de imprensa, o projeto está “adormecido”.

Cenário nacional

A crise não é restrita à região. Em 2013, por exemplo, Claudia Leitte e Margareth Menezes venderam abadás do Carnaval de Salvador (BA) com descontos em sites de compras coletivas para não deixá-los encalhar. Daniela Mercury já anunciou que seu camarote no circuito Dodô (Barra-Ondina) não irá existir em 2014, por questões financeiras.

Além disso, o recente anúncio da saída de Bell Marques do Chiclete com Banana trouxe à tona outros problemas da indústria do axé, como processos trabalhistas e tributários. Ivete Sangalo e Claudia Leitte também já tiveram seus nomes envolvidos em fraudes fiscais e dívidas com prestadores de serviços, respectivamente.

Para Léo Cavalcanti, da banda A Zorra, que participou do lançamento da Axé São Paulo, em Rio Preto, anteontem, a crise está na situação financeira do Brasil. “A primeira coisa que as pessoas cortam é o lazer, e isso afeta a música”, minimiza. Segundo ele, o setor tem se renovado com novos músicos, produtores e empresários. Para o Carnaval 2014, ele prepara dois clipes, um novo disco e o retorno do projeto “Eu Amo Salvador”. “Vamos tocar em Votuporanga”, adianta.

O cantor Dan Miranda, da banda Filhos de Jorge (famosa pelo hit “Ziriguidum”), ressalta que é preciso se adequar às mudanças do mercado. “Hoje, o sertanejo universitário está em ascensão na Bahia. Sempre defendi a interação e a integração entre os estilos, porque agrega novos públicos”, diz, lembrando que algumas de suas músicas também são cantadas por artistas sertanejos, como Jorge & Mateus, e vice-versa.

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