Avós bolivianos são suspeitos de sumir com a neta

Responsáveis pela guarda da neta, os pais da enfermeira boliviana Maribel Laura Tancara Nina, que foi assassinada pelo marido, o rio-pretense William Diego Ferreira Egri, em junho de 2015, estão desaparecidos. Eles são acusados pelos avós paternos de levar a neta, uma menina de 1 ano e um mês, ilegalmente para a Bolívia.

O juiz da Infância e da Juventude, Evandro Pelarin, disse que vai verificar essa suspeita e se, caso seja confirmada, vai exigir a repatriação da criança por meio do Ministério das Relações Exteriores e pedirá punição aos avós maternos. “Tinham a guarda da criança para ficar no Brasil. O desrespeito a uma ordem judicial é crime grave. Se isso for confirmado, vamos fazer de tudo para trazer a criança de volta”, diz o juiz.

Como a mãe morreu e o pai está preso, decisão do juiz concedeu a guarda aos avós maternos, em agosto. Os avós paternos tinham permissão de visitas semanais. Pelarin concedeu à avó paterna, Rosemeire Ferreira, o direito de passar o Natal com a neta. Quando foi buscá-la, porém, a mulher foi surpreendida com o desaparecimento. “Quero minha neta de volta. Eu tinha comprado uma boneca como presente no Natal. Não é justo levar a menina para tão longe.”

A reportagem foi até a casa dos avós bolivianos da criança, no bairro Alto da Andorinhas, mas ninguém foi encontrado. O balconista da mercearia ao lado da casa, Marcos Silva, diz que todos os dias o casal fazia compras, mas pararam há mais de uma semana.

A advogada de Rosemeire, Gisele de Oliveira Lima, também pretende entrar com pedido para repatriação da criança. “Vou pedir imediatamente com base na Convenção de Haia.”

Processo demorado

O professor de direito Mário Luiz Ribeiro afirma que os dois pedidos de repatriação vão ter tramitação demorada. “Tudo vai depender da postura da Justiça e da diplomacia boliviana em atender ao pedido judicial brasileiro. Isso pode levar de quatro meses até um ano para acontecer. Mas, em geral, a Bolívia aceita os pedidos”, adianta o professor.

Enquanto o caso não é resolvido, Rosemeire faz um apelo. “Meu filho errou e já está pagando por isto. Só queremos ter a Laura de volta e todos convivermos em paz”.

 

ENTENDA O CASO:

:: No dia 21 de junho de 2015, a enfermeira boliviana Maribel Laura Tancara Nina foi morta pelo marido, o rio-pretense William Diego Ferreira Egri, após o casal se desentender (segundo ele, a mulher teria dito que voltaria para a Bolívia levando a filha do casal)

:: Após o crime, a menina (hoje com 1 ano e 1 mês) ficou com os avós paternos. Uma semana depois, a criança foi entregue à Justiça e encaminhada ao Projeto Teia

:: Em agosto, o juiz Evandro Pelarin, da Vara da Infância e Juventude, decidiu que os avós maternos ficariam responsáveis pela criação da menina e os avós por parte do pai teriam o direito de visitar a neta toda terçafeira

:: Agora, os avós paternos acusam a família da boliviana de ter saído do País com a criança sem autorização. Marco Antonio dos Santos/Diário da Região

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