Atestado aponta hemorragia interna e afundamento de tórax

JALES – A família de Cintia Taynara Carvalho Pina, 19 anos, que morreu atropelada pelo ex-namorado na madrugada de domingo, 17 de maio, em plena Avenida João Amadeu, acredita que o atestado de óbito, a falta de danos na moto e as imagens da câmera provam que o carro de B.F. realmente passou sobre o corpo da jovem.

O atestado, assinado pelo médico Damião Donizete Bernal, afirma que a jovem morreu na Santa Casa de Jales, às 8 horas de domingo, em decorrência de hemorragia interna aguda, afundamento toráxico e politraumatismo. Porém, somente a autópsia detalhada do corpo, requisitada pelo delegado Sebastião Biazi, poderá concluir se as lesões internas e externas sofridas por Cintia foram decorrentes da passagem do carro sobre o seu corpo. A família relatou que havia ferimentos diversos no rosto e no peito, o que indicaria a trajetória da roda do carro.

A falta de dano na Honda Bis preta dirigida pela moça na hora do acidente, também é apontada como prova do atropelamento. A reportagem de A Tribuna teve acesso ao veículo e comprovou que não há danos sérios no veículo. Apenas o vidro do espelho retrovisor esquerdo está quebrado e o suporte de pé do mesmo lado está com um leve sinal de arrastamento. O lado é o mesmo que bateu no chão na hora da queda e a família avalia que se trata de danos muito superficiais para uma moto que teria sido atropelada por um carro rebaixado. “A moto não sofreu nada. São sinais de um tombinho de nada que não seria suficiente para matar alguém, ainda mais causando os ferimentos que ela sofreu”, disse a mãe, Alessandra da Silva Carvalho.

Ainda muito abalada com a morte da única filha, Alessandra não quis ver as imagens da câmera que registrou o momento do acidente. Fixada no posto em frente ao local, a câmara captou o momento em que a moto tenta fazer o contorno no cruzamento da Avenida João Amadeu com Avenida Juscelino Kubistchek de Oliveira, derrapa, cai é atingida pelo carro.

Pai, padrasto, a tia e o avô da jovem viram as imagens mais de uma vez e perceberam que o carro faz um movimento na hora que passa pela moto. “O carro dá uma subida como se passasse sobre um quebra-molas. Como a moto está inteira e o corpo dela ficou machucado, essa subida que o carro dá só pode indicar o momento em que passa sobre a minha sobrinha. Isso é obvio. Não sei como a polícia ainda tem dúvidas”, explicou uma das tias maternas.

Não é possível ver sobre o quê o carro passa, já que a câmera fica do lado oposto da avenida. Cintia caiu do lado esquerdo do carro e a câmera filmou o lado direito. Sua imagem fica encoberta pelo carro.

A família acusa B.F. de ter escondido o carro depois do acidente. O próprio delegado que apura o caso contou em entrevistas radiofônicas que o rapaz, que não é habilitado, não parou, nem mesmo depois de perceber o atropelamento. Ao contrário. Ele prosseguiu com o automóvel Astra, virou à direita na rua seguinte e guardou o veículo numa borracharia. O Boletim de Ocorrência feito pela PM no local não cita um segundo veículo. Apenas a Honda Bis.

“Logo depois disso, ele veio na minha casa, nos acordou gritando e dizendo que tinha passado por cima da minha filha. Foi desse jeito que recebemos a notícia”, acusa a mãe. Como prova de que fala a verdade, Alessandra mostra ligações telefônicas feitas às 3h16, 3h17 e 3h18, poucos minutos depois do acidente. “Ligamos pra ela porque ele já tinha vindo aqui. Queríamos saber o que aconteceu, então não é verdade que ele prestou socorro ou que ficou no local”.

Relacionamento conturbado 
Cintia Taynara Carvalho Pina, de 19 anos, e B.F.S.S., de 20 anos namoraram durante quatro anos, mas a família afirma que os dois viviam um relacionamento totalmente conturbado. Separações e reconciliações eram constantes. Há relatos de várias agressões, tortura psicológica e emocional e até cárcere privado.

No final do ano passado, Cintia engravidou, mas a gestação não durou três meses. A partir de então, a relação desandou de vez e praticamente só tinha desentendimentos. Poucos eram os momentos de paz do casal e da família.

“Ele trancava a minha filha na casa dele para ele sair por aí. Ela chegava em casa machucada e dizia que tinha batido na cama. Um comerciante da Avenida João Amadeu viu ele batendo nela num dia que o time dele foi campeão. Temos testemunhas”, garante a mãe.

Na noite de sexta-feira, 24 horas antes do acidente, B.F. teria ligado insistentemente para a moça e foi até a casa dela às 3 horas da manhã. De lá, os dois saíram e só voltaram por volta do meio dia seguinte. Na noite de sábado, Cintia saiu sozinha e se deparou com B.F. num posto de combustíveis com um amigo e duas meninas. A moça se sentiu traída mais uma vez e foi aí que mais uma briga começou. O resultado trágico todos conhecem.

A Tribuna

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