Atenção ao índice de leucócitos

Baço inchado, fraqueza, hematomas e uma série de outros sintomas estão atrelados ao diagnóstico avançado da leucemia mielóide crônica (LMC), um tipo de tumor no sangue, que atinge mais de 8 mil pessoas no País, e 65 em Rio Preto são tratados desta leucemia. A doença se desenvolve na medula óssea, onde, por um defeito genético, ocorre uma translocação nos cromossomos 9 e 22.

Uma vez em colapso, o cromossomo Phialdelphia dá origem a produção desordenada de células cancerosas. Algo que leva a produção desenfreada da proteína tirosina quinase, em decorrência do novo gene híbrido denominado de BCR-ABL, responsável pela proliferação das células tumorais.

“É uma doença bem democrática que afeta homens e mulheres, ricos e pobres de forma igualitária, em geral, acima dos 40 anos de idade. Em raros casos afeta as crianças,” diz a hematologista carioca Carla Bomquipani, chefe do serviço, no Hemorio, do Rio de Janeiro, que recebeu a imprensa, no último dia 28, para um workshop sobre a doença.

O hematologista Flávio Naoum, do Instituto Naoum de Hematologia, de Rio Preto, afirma que a boa notícia é que a presença desta desordem pode ser diagnosticada por um simples hemograma e imediatamente controlada com a ajuda de fármacos, que foram desenvolvidos especificamente para este fim, os chamados inibidores da tirosina quinase.

Daí, o alerta dos especialistas em hematologia para que profissionais de saúde, em geral, fiquem atentos ao índice de leucócitos (glóbulos brancos) em quantidades superiores aos cerca de 4 mil a 8 mil, índices considerados normais, no sangue, e solicitem uma avaliação mais aprofundada para o risco da doença, quando muito acima disto, sem causa aparente.

“É preciso estar em alerta, para identificar de forma precoce, pois no início, a LMC não apresenta sintomas e muitas vezes é confundida com uma simples infecção, vindo a ser diagnosticada muito mais tarde, quando a LMC está muito adiantada”, diz Carla.

O primeiro inibidor produzido para a doença e que mudou a história da doença no mundo, a partir do ano 2000, foi o princípio ativo imatinibe e é hoje a primeira indicação no tratamento. Segundo os hematologistas existem vários outros inibidores da enzima, dentre eles estão o mesilato de imatinibe (Glivec), o dasatinibe (Sprycel), enilotinibe (Tasigna).

“Os remédios são indicados àqueles pacientes que não respondem ao primeiro, pois assim há opção de se testar os outros, ou ainda são utilizados quando sofrem recidiva da doença ou quando são intolerantes (efeitos colaterais não tolerados) a um dos tratamentos”, explica a pesquisadora Ilana Zalcberg, do Instituto Nacional do Câncer.

Estudos buscam controle

Estudos realizados em todo o mundo, inclusive no Brasil, visam identificar se uma vez sob controle, a leucemia mielóide crônica (LMC) poderá ter o uso das medicações suspenso. Evidente que isto só será feito, mediante alguns critérios, que hoje são objetos de estudo e serão avaliados caso a caso, antes de qualquer decisão. Embora os fármacos utilizados controlem muito bem a doença, o fato de ser usado de forma contínua é o que torna a doença crônica.

E como os efeitos colaterais, seja de qual medicamento for, são um contraponto importante, pois nem sempre são bem tolerados pelos pacientes. “Há quem sofra com diarréias, cãibras, rush cutâneo, entre outros, mais leves”, afirma a hematologista Monika Conchon, do Hospital Santa Marcelina, de São Paulo.

A aposentada Terezinha Cardoso, se tornou vítima da LMC, aos 58 anos de idade, e após três anos em tratamento teve a doença controlada. “Sempre fiz o controle direito e se não fosse o fato de ter sido uma fumante de longa data, creio que hoje não teria mais nenhum problema. Só que o pulmão está debilitado, justamente por não ter se cuidado melhor, quando era mais jovem. Mas, depois da fraqueza inicial, e tomando a medicação certa, não sinto mais nada com relação a leucemia”, diz.

Mielofibrose tem tratamento

Um novo medicamento acaba de chegar ao mercado para o combate da mielofibrose (MF), um tipo raro de câncer no sangue, também diagnosticado com mais frequência, em pessoas entre 50 e 80 anos, e que costuma anteceder a LMC. Trata-se do ruxolitinibe (Jakavi).

Os sintomas do mielofibrose são bem parecidos, inclusive, com o aumento do volume do baço – enquanto um baço normal pesa 150g e mede 11cm de comprimento. Em pacientes com MF, o órgão pode chegar a pesar 10 kg e medir até 36 centímetros, além de alteração no número e no formato de células sanguíneas, fraqueza, fadiga, falta de ar ao realizar esforço físico, perda de peso, suor noturno, palidez, hematomas, aumento das chances de desenvolver infecção.

A média de sobrevida geral de um paciente com MF é de 5 a 6 anos, caindo para 1,3 ano em pacientes classificados como de alto risco. Além disso, pacientes podem progredir para complicações mais graves, como a leucemia mieloide aguda (LMC), quando não tratados de forma precoce.

Antes deste novo fármaco, a doença tinha opções de tratamento limitadas, sendo o transplante alogênico de células-tronco, a única cura potencial para a doença. Muito embora, o procedimento ainda está associado à alta taxa de mortalidade e só é elegível a menos de 5% dos pacientes.

 

Cecília Dionizio – Diário da Região

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