Palestra em Votuporanga: astronauta Marcos Pontes aposta nas privatizações das viagens espaciais

 

Primeiro brasileiro a realizar uma viagem espacial esteve em Votuporanga para realizar palestra de abertura de Feira de Ciências no Centro de Convenções

 

A exploração do espaço está cada vez mais nas mãos do setor privado. Essa foi uma das constatações feitas pelo primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes, que visitou Votuporanga ontem.

 

Ele realizou a palestra de abertura do 1ª Crianciência, Feira de Ciências realizada por alunos e professores dos CEM (Centros Municipais de Educação) da prefeitura, no Centro de Convenções “Jornalista Nelson Camargo”.

De acordo com Pontes, as empresas privadas, ao contrário dos governos, tem grande um poder de investimento, e com essas pesquisas podem gerar mais tecnologia, dinheiro e emprego. Está em andamento inclusive a construção de uma estação espacial privada com módulos habitacionais. “Inclusive eu estou com um pé no setor privado”, adiantou o astronauta, em entrevista coletiva.

Sobre viagens tripuladas à Lua, que o homem não visita desde 1975, e ao planeta Marte, Pontes afirmou que não devem demorar muito, também por causa do interesse das grandes empresas da área. “A ida a Marte deverá a acontecer nos próximos 15 anos”, ressaltou.

Já no chamado “espaço profundo”, onde o interesse científico ainda é maior que o das empresas, Pontes disse que os governos ainda são os maiores interessados. “Precisamos conhecer mais o universo”, garantiu.

Ele explicou ainda que é necessária uma melhora em várias áreas da tecnologia para que as viagens espaciais se tornem mais segura ao ser humano e que tenham desempenho mais satisfatório.

Pontes listou a necessidade de melhoria da propulsão das naves utilizadas nas missões, além da fragilidade do corpo humano em órbita como empecilhos. “Temos problemas com a exposição a radiação, além da micro gravidade, que afeta a estrutura óssea do corpo. O sistema imunológico e o próprio sistema cardíaco também são afetados no espaço sideral”, indicou Pontes.

 

Extraterrestres

Questionado se acredita em vida fora da terra, o astronauta brasileiro disse que como até hoje nenhum cientista provou que estamos sós no universo, ele crê que extraterrestres podem dividir o espaço com os seres humanos.

“Conhecemos uma parte muito pequena do espaço, e mesmo aquilo que conhecemos, não temos certeza que os nossos censores conseguiriam captar os sinais de vida extraterrestre”, advertiu Pontes, que salientou ainda nunca ter tido qualquer tipo de contato com objetos voadores não-identificados.

 

Preparação

O astronauta falou também durante a entrevista sobre sua vida militar, a aprovação no concurso em 1998 para se tornar astronauta e posteriormente o treinamento para ficar 10 dias em órbita, se tornando assim o primeiro brasileiro a visitar o espaço através do Programa da Estação Espacial Internacional.

De acordo com Pontes, não foi uma decisão fácil deixar a carreira militar quando estava a caminho de se tornar brigadeiro. “Participei do concurso sem saber das consequências, que teria que deixar a carreira militar, somente depois de aprovado foi que descobri, pois a função de astronauta da Nasa é civil”, admitiu.

Sobre a preparação para entrar em órbita, o astronauta revelou momentos de stress, especialmente durante os momentos em que houve o perigo do Brasil se retirar do programa internacional. “O que me causava maior stress era a parte política, pois não podia fazer nada. Mas quando entrei no foguete foi na verdade o momento mais tranquilo”, explicou Marcos Pontes.

Para ele, o Brasil poderia estar bem mais adiantado em relação à pesquisa espacial, mas como deixou esse trabalho de lado durante muitos anos, foi ultrapassado por outros países. Já sobre o que antes era considerada uma “corrida espacial” entre os países, Marcos Pontes vê atualmente como uma soma entre essas nações, que já foram inimigas, como Estados Unidos, Rússia, Japão e Alemanha. “Gastava-se muitos recursos trabalhando isoladamente. Hoje em dia a busca pelo espaço tem um sentido muito maior de paz, de cooperação, e, além disso, não é mais possível um país encarar um projeto desse sozinho”, ressaltou.

Atualmente Pontes está à disposição da Agência Espacial Brasileira, aguardando escalação para o seu segundo vôo espacial, A segunda missão pode ser definida a qualquer momento, a depender, única e exclusivamente, do desejo e da decisão do governo brasileiro. E a expectativa do astronauta para retornar ao espaço é grande. “Se sair da Terra a expectativa novamente será grande, é uma possibilidade bastante real. Espero receber o convite e poder aceitar para voltar ao espaço”, completou. Ademir Terradas/O Jornal 

André Nonato

De Votuporanga

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