Após se automutilar, homem pode ter perna amputada

Morador do bairro São João negou por mais de ano receber atendimentos, e chegou a agredir uma enfermeira; situação se agrava a cada dia

No início da manhã de ontem, a reportagem do Diário acompanhou o secretário de Direitos Humanos, Emerson Pereira, em visita à uma família no bairro São João, em Votuporanga, onde denúncias feitas pelos moradores do bairro levou nossa equipe à casa de Alaíde Dias Vieira, de 64 anos.
Na residência em questão, seu filho Lucio Carlos Simão, de 41 anos, se encontrava em grave estado de vulnerabilidade social.
Lucio é conhecido no bairro onde mora como uma pessoa que sempre andou – e muito – pelas redondezas. “Ele não parava o dia inteiro,” disse uma das moradoras. Outra afirmou que “ele só sabia beber, e acabava dando trabalho para a vizinhança”.
A questão, segundo Alaíde, é que ele sempre bebeu muito e, há quase dois anos, “ele acabou ferindo os pés em uma destas andanças.” Ela contou que o filho tem leve retardo mental, onde apresenta muita variação no humor e nunca facilitou os cuidados. “Sei que sente muita dor, mas ele não aceita que eu cuide,” lamentou.
Com o passar do tempo, a mãe explica que ele foi piorando e, mesmo machucado, andava por aí, o que piorava a situação. “Não parava em casa e, quando tentávamos ajudar, ele brigava com todo mundo.”
Explicou também que chegou a chamar a Secretaria de Saúde, onde os cuidados oferecidos pela unidade básica foram absolutamente negados pelo paciente, que se recusou em aceitar ajuda.

 

“Ele até fugiu da Santa Casa,” revela a mãe. A situação, que vem piorando com o tempo, se agravou nos últimos dias. “Ele não come, não sai da cama e não deixa limpar. Tem bicho vivendo dentro do ferimento e eu não posso fazer nada,” lamenta Alaíde, contando que recentemente Lucio arrancou com as próprias mãos o dedão do pé esquerdo. “O membro estava ‘podre’ e ele se mutilou”.

 

O secretário afirmou que, em lugar nenhum, as pessoas mereciam passar por uma situação como esta. “A família de vocês não merece enfrentar isso, tendo uma saúde tão avançada como a nossa.”
Quando lamentava as circunstâncias infelizes que a família encara, Emerson foi interrompido pelo próprio Lúcio que, em meio a devaneios, afirmou não se importar com o que se passava. “Estou cheirando a morte.”
O secretário, comovido com a situação, tentou argumentar, mas não convencido com a situação, mobilizou a equipe do SAMU que, em tempo hábil, chegou à casa. Mesmo enfrentando resistência, mobilizaram o homem até o pronto Socorro da Santa Casa de Votuporanga.

 

Em entrevista exclusiva à equipe do Diário, a secretária municipal de Saúde, Fabiana Arenas Stringari de Parma, informou que acompanhou o caso desde o início e que, realmente, o cidadão negou qualquer forma de atendimento.
“Ele não só negou, como chegou a agredir uma das técnicas em enfermagem que tentaram fazer curativo,” contou a secretária, que ressaltou que os problemas envolvendo Lúcio não foram por improbidade da Secretaria, mas sim, por falta de opções.
“Não temos força policial para obrigar quem quer que seja a ser atendido,” explicou Fabiana, que voltou a afirmar, “foi uma escolha dele não ser acolhido. Diante disso, pedimos juridicamente uma internação compulsória que está tramitando burocraticamente.”

 

Fabiana explica também que tal medida facilitaria o cuidado da saúde pública para com o paciente. “Já que ele se recusa e temos como dever oferecer tratamento médico. Somente o juiz poderia obrigar e oferecer medidas cabíveis para a conclusão do trabalho.”

 

Em nota a Santa Casa de Votuporanga informou que o paciente foi medicado, realizou vários exames e está em observação, aguardando os resultados e que o estado de saúde dele é estável.
A Secretária de Saúde informou que vai tentar agilizar o pedido para internação compulsória e que, segundo boletim médico, existe a possibilidade de amputação de parte da perna do paciente. Emerson afirmou que vai acompanhar o caso de perto e ofereceu todo suporte humanitário aos familiares. (Colaborou: Mateus Paióla) – diariodevotuporanga.com.br:

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