Após duas cirurgias, estudante morre no Hospital de Base

Foram exatos 11 dias de luta. A jovem Thaís Cini, 19 anos, que segundo a família, foi diagnosticada tardiamente com um quadro grave de apendicite, não resistiu às complicações.

 

Após duas cirurgias para o controle das infecções, Thaís morreu neste sábado, às 8h30, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base (HB) de Bauru.

Thaís Cini, 19 anos, tinha planos de se casar em breve

O Jornal da Cidade tratou do caso na edição da última quarta-feira, quando a família da jovem acusou a Saúde municipal de negligência por ter descoberto a doença em estágio avançado, mesmo sendo atendida várias vezes por um médico na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Geisel.

A saga de Thaís teve início no dia 28 de janeiro, quanto passou mal pela primeira vez. Com vômito, diarreia e dor abdominal, ela procurou a UPA para um diagnóstico médico.

“O médico nem examinou ela direito. Não fez nenhum exame clínico, apenas disse que era virose e pediu para ela tomar quatro medicamentos”, disse a mãe Lilian Cini, 45 anos.

A garota levou para casa a receita médica e um atestado de dois dias, mesmo sem precisar, já que trabalhava com o noivo em uma padaria localizada no Parque Bauru. A diarreia e o vômito pararam, mas a dor abdominal não tinha fim. Thaís foi levada novamente à UPA nos dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro.

“Eles só sabiam colocar ela no soro. Depois a mandavam de volta para casa. Nós questionamos o médico: doutor, não pode ser apendicite? Mas ele chegou a dizer que era problema ginecológico e que poderia ser mioma”, acrescentou a mãe.

Andressa Cini de Oliveira, 27 anos irmã da jovem, contou à reportagem que ela já estava com o abdômen bastante inchado.

“O primeiro médico que a atendeu neste dia na UPA pediu uma radiografia. Ele disse que o exame mostrava que ela estava com muitos gases e fezes paradas, então pediu uma lavagem intestinal. Logo que começou o procedimento, ela deu um grito de dor. Acho que foi nessa hora que a apêndice rompeu. O outro médico que chegou depois, na troca de turno, suspeitou de apendicite e a encaminhou para o PS para fazer outros exames”, disse.

Com muita dor, no sábado, o noivo de Thaís a levou ao Pronto-Socorro Central (PSC), conforme indicou o médico. Com previsão de ultrassonografia apenas para segunda-feira, a família optou por tentar fazer o exame em uma clínica particular e assinou termo para a jovem receber alta.

“Ela estava lá, no corredor, e ninguém fazia nada. Eu perguntava para as enfermeiras: onde está o médico? E elas diziam: estamos procurando. É um descaso muito grande com o ser humano”, criticou a mãe, consternada.

Cirurgias

No dia 2 de fevereiro, às 19h, Thaís conseguiu uma vaga de internação no Hospital de Base, mas só 24 horas depois foi submetida à cirurgia.

“Eles demoraram para fazer a tomografia, disseram que era por conta da febre de quase 42 graus dela. Ela estava muito fraca, demorou muito para fazer o exame, e quando voltou já resolveram fazer a cirurgia. Se a suspeita era de apendicite, ela devia ter feito o exame e a cirurgia de emergência. Um dia é muita demora”, lamenta a irmã.

O médico saiu da sala de cirurgia definindo o quadro da jovem como grave. Disse, segundo a família, que o apêndice tinha rompido e o abdômen estava com pus e fezes, o que gerou uma infecção generalizada e acometeu os órgãos.

“Eles tentaram reverter o quadro, mas o exame de sangue não acusava bactéria. Na quarta-feira o quadro estabilizou, mas na sexta-feira eles resolveram fazer outra cirurgia. O médico disse que podia ter um ponto de infecção onde o antibiótico não chegava. Ela voltou para a UTI e morreu no sábado de manhã”, finalizou Andressa Cini.
Sonhadora

Thaís Cini, 19 anos, era uma jovem sonhadora. Tinha terminado o ensino médio e estava noiva há poucas semanas. Planejava o casamento com Marcel Ramos, dono da padaria onde trabalhava, e queria cursar administração para ajudá-lo no empreendimento.

Outro desejo da jovem, segundo a família, era ser cremada. O seu corpo foi velado das 17h às 23h do sábado no Velório São Vicente. Até amanhã, Thaís deverá ser cremada no Crematório Regional Jardim dos Lírios, em Bauru.
Denúncia

A família acusa negligência e afirma que fará denúncias ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

“Nós vamos até o fim. Vamos acionar o CRM, o Cremesp e quem mais for preciso para que eles investiguem a conduta desses médicos e porque não diagnosticaram a apendicite. No documento que atesta a morte da Thaís consta choque séptico e apendicectomia”, disse o cunhado Fábio Oliveira, 28 anos.
Lavagem intestinal

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, esclareceu que o médico que sugeriu a lavagem intestinal na jovem não tinha evidências de que o quadro se tratava de apendicite.

“Se ele suspeitasse que era apendicite, não teria pedido uma lavagem intestinal, porque não é a indicação para casos de apendicite”.

Ao ser questionado se o procedimento poderia agravar a doença, Sabbag explica: “Até pode agravar, mas o quadro inicial dela não era típico de apendicite.

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