Após ataque em Araçatuba, PM de Rio Preto entra em estado de alerta

Após os ataques a bancos de Araçatuba, que deixaram três mortos e aterrorizaram moradores durante a madrugada desta segunda-feira, polícia de Rio Preto entra em estado de alerta e reforça patrulhamento para evitar crimes do tipo

O ataque de uma quadrilha na madrugada de segunda-feira, 30, contra três agências bancárias de Araçatuba, colocou em alerta todo o efetivo da Polícia Militar em Rio Preto. O patrulhamento nas imediações das três grandes empresas de transporte de valores e agências bancárias da cidade foi reforçado, como forma de prevenção contra possíveis assaltos do tipo.

Os comandos do 9º Batalhão de Ações de Especiais da Polícia Militar (Baep) e da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic), ambos de Rio Preto, enviaram equipes para reforçar o patrulhamento e a investigação do mega-ataque às agências da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do Banco Safra, em Araçatuba.

A Deic enviou duas equipes do Grupo de Operações Especiais (GOE) para apoiar na investigação do ataque criminoso. Inclusive, uma das equipes encontrou um veículo da quadrilha abandonado no centro de Araçatuba. O que chamou a atenção foi que os criminosos fizeram um buraco no vidro blindado para colocar o cano de um fuzil.

O ataque provocou uma reunião na manhã de segunda-feira, 30, dos principais oficiais na sede do CPI-5, na avenida dos Estudantes, em Rio Preto, com análise das informações até aquele momento sobre o ataque e determinação de medidas preventivas na região.

A maior preocupação do CPI-5 é que em Rio Preto estão as sedes regionais das empresas de valores Brinks, Prosegur e Protege, potenciais alvos dos criminosos.

Participante da reunião, o comandante do Baep, coronel Marcio Cortez, diz que a corporação está em alerta contra ataques a bancos. “A gente está em alerta e a gente faz treinamentos constantes. Inclusive na semana passada fizemos um simulado de ataques semelhantes. A gente treina a troca de como prevenir e reagir a este tipo de ação criminosa”,diz o comandante.

Cortez afirma que as equipes do Baep foram rapidamente para Araçatuba para cercar as possíveis rotas de fuga da quadrilha e aumentar o patrulhamento. “A gente manda as equipes de apoio, com a precaução de não afetar o patrulhamento da cidade. Temos que ajudar, mas não podemos abandonar Rio Preto”, afirma o oficial.

Além disso, o comando do CPI-5 vai analisar o ataque de Araçatuba, para estudar a estratégia usada pela quadrilha. “Vamos fazer estudo de caso, porque sempre um ataque assim, traz alguma novidade por parte dos criminosos. E é modificado nosso treinamento com base nestas informações”, diz o coronel.

Com o estado de alerta, os serviços de inteligência das policiais Civil e Militar também vão focar o trabalho na tentativa de captar mensagens entre os criminosos que possam ter indício de ataque semelhante em Rio Preto.

 O ataque

A quadrilha composta por 20 integrantes fez ataques simultâneos contra bases da PM, queimou veículos na rodovia Marechal Rondon, utilizou pessoas como escudos, inclusive amarrando uma delas no teto de um veículo, e usou até drone para monitorar do alto a movimentação policial. Três pessoas morreram – entre elas um criminosos.

‘A gente se sente indefeso’

Destruição em um dos bancos atacados pela quadrilha

Destruição em um dos bancos atacados pela quadrilha

“No começo, eu pensei que era som de explosão de rojão, só depois, eu vi, com a chegada da quadrilha, que eram tiros de armas pesadas”, o relato é de um comerciante de 32 anos, morador de um apartamento na frente na agência do Banco do Brasil atacada na madrugada de segunda-feira, 30, em Araçatuba.

Por meio da sacada, o comerciante fez uma série de filmagens pelo celular da movimentação dos criminosos. Seus parentes ficaram deitados no chão, com medo de serem atingidos pelas balas.

O comerciante afirma que o clima em Araçatuba é de insegurança, porque a cidade já tinha sido atacada em outubro de 2017, quando uma quadrilha assaltou uma empresa de valores.

“A gente se sente indefeso. A cidade está parada. Ninguém sai de casa. Estamos preocupados. Ficamos por horas à espera de uma resposta policial. A gente ficou com medo dos bandidos entrarem no prédio e nos assaltarem. Faltou uma resposta rápida da polícia. Toda vez é a mesma história. O batalhão é cercado”, critica o comerciante.

Durante o assalto, três pessoas morreram, dois moradores de Araçatuba e um suspeito de integrar a quadrilha. Cerca de 20 criminosos participaram da ação e deixaram para trás 14 bombas. Uma delas amputou os pés de um ciclista que passou ao lado de um artefato que foi acionado pelo sensor de presença. Dois suspeitos de ajudarem a quadrilha foram detidos. Carros usados pelos criminosos foram encontrados abandonados nas cidades de Bilac e Gabriel Monteiro.

Não se sabe ainda o número exato de feridos, mas há relatos de pessoas que deram entrada no Pronto-Socorro Municipal com ferimentos provenientes de arma de fogo. Dois suspeitos foram detidos.

Com o objetivo de isolar a cidade, os bandidos incendiaram veículos em pontes de acesso, em uma praça do pedágio e também no centro do município. Por causa do espalhamento de explosivos pelas ruas, as autoridades recomendam aos moradores não saírem de casa e comunicarem à polícia sobre qualquer artefato estranho

De acordo com o capitão Alexandre Guedes, do comando da Polícia Militar paulista, uma das vítimas fatais é um morador da cidade. Ele havia deixado a mulher no trabalho e voltou para a região central, onde ficam as agências, para filmar a ação dos criminosos. Ele foi morto a tiros pelos bandidos.

Não foi divulgado quanto de dinheiro os criminosos levaram. As investigações vão ser coordenadas pela Polícia Federal. O estilo de ataque da quadrilha é chamado de novo cangaço em alusão à ação dos cangaceiros nordestinos, na primeira metade do século 20.

(MAS com Agência Estado)

Interior sob risco permanente

Grandes ações criminosas como a realizada em Araçatuba já aconteceram em outras cidades, como Santos e Botucatu.

No dia 30 de julho de 2020, há pouco mais de um ano, criminosos transformaram Botucatu em um cenário de guerra, com tiroteio, armamento pesado e reféns. Na ocasião alertei que, sem empenho do Governo para equipar sua polícia investigativa, o interior paulista viveria sob risco permanente.

O uso de armamento pesado, explosivos, reféns não são uma novidade, mas quando ação ocorre, pelo poder de fogo e pelas características do crime, em área urbana e muitas vezes residencial, a capacidade de reação da polícia fica limitada, para garantir a segurança da população.

Para evitar esse tipo de crime, o governo precisa investir na Polícia Civil, que por meio de ações preventivas de inteligência pode evitar o assalto e prender os criminosos antes do plano ser colocado em prática. Hoje o Estado não investe em Segurança Pública, em equipamentos, salários e na contratação de policiais. A Polícia Civil tem o conhecimento técnico para atuar contra o crime organizado, mas sem policiais e estrutura não tem como oferecer um trabalho de excelência para a população.

Marco Antonio dos Santos – diarioweb.com.br

 

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