Anvisa suspende tinta para tatuagem

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, na última semana, a utilização e comércio da marca de tintas para tatuagem Supreme. O motivo é a falta de registro do produto no órgão. Apenas três marcas são autorizadas pela agência. O restante é considerado clandestino e pode provocar doenças, o que reforça a importância da pesquisa na hora de escolher o estúdio onde fazer uma tatuagem.

Emille do Prado, 26 anos, tinha 18 anos quando fez a primeira tatuagem. Uma meia lua na virilha, por mero impulso. “Não tinha noção de nada. Cheguei ao estúdio, folheei algumas revistas e decidi fazer. Depois me arrependi e só não tiro ou faço outro desenho porque está escondida.” Hoje, 8 anos e outras seis tatuagens depois, diz estar mais atenta. Formada em enfermagem, percebeu a importância de optar por profissionais capacitados e que seguem à risca as normas previstas pela Vigilância Sanitária. “Depois que fiz o curso, vi o risco que corria. Hoje, me preocupo, busco referências e penso muitas vezes antes de fazer.”

Em Rio Preto, 24 estúdios estão cadastrados na Vigilância Sanitária e nenhum deles utiliza a tinta proibida. Para tal, precisam comprovar destinação adequada dos resíduos gerados, manejo correto dos materiais para esterilização e comprovação de uso de materiais devidamente regularizados pela Anvisa. “Quando o estúdio não tem essa certificação, não há nada que comprove que ele segue os critérios corretos,” disse o tatuador Rodrigo Sá.

De acordo com tatuadores, ainda falta conscientização de quem vai fazer tatuagem. No topo das prioridades para escolher o estúdio está o preço. “Ainda não há a noção de que muitas outras coisas precisam ser levadas em conta,” disse o tatuador Nanico. Um dos problemas, segundo eles, é a falta de regularização da profissão, o que facilita a entrada de tatuadores sem qualidade e que não primam pelas técnicas corretas. “É preciso escolher quem oferece tudo dentro dos padrões. Talvez cobrem um pouco mais caro, mas vão oferecer material melhor,” afirma Fernando Cesar Gregio, dono de estúdio.

A suspensão da marca Supreme não deve fazer diferença em estúdios regularizados. “Acredito que quem está na área de forma correta não arriscaria. Antes mesmo da proibição, a tinta já carregava uma fama ruim,” disse o tatuador Fabrício Zanforlim. O tatuador Nanico diz que chegou a ver a tinta, mas pela textura e cheiro nem chegou a comprar. O uso da marca se dá também pelo preço mais baixo. “É a metade do preço de uma legalizada, mas tem qualidade muito inferior,” disse Fabrício Kiyoshi Sedoguchi, tatuador há 15 anos.

Tinta tóxica pode causar cegueira

A tinta Supreme é produzida pela TSEVA, em São Paulo e de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), era fabricada e vendida sem registro, o que torna o produto irregular. Como não passou por análise do órgão, não há garantia da ausência de produtos tóxicos ou carcinogênicos entre os componentes dos pigmentos.

A Anvisa exige a apreensão e inutilização dos produtos. Por não ter registro, a tinta é considerada clandestina. A legislação brasileira obriga que equipamentos e tintas utilizados em tatuagem sejam registrados no órgão. A agência autoriza o uso de apenas três marcas: Starbrite Colors, Eletric Ink e Master’s Ink.

A Supreme já vinha sendo investigada há algum tempo. O Ministério Público de São Paulo, em setembro de 2013, denunciou a TSEVA à Justiça alegando que a tinta era altamente tóxica por conter metais pesados em sua composição. Laudo do Institutos de Pesquisas Tecnológicas (IPT) encontrou titânio, chumbo, cádmio, mercúrio e nióbio.

Ainda segundo a denúncia do MP, uma vez em contato com a pele, a tinta poderia entrar na corrente sanguínea e desenvolver no tatuado doenças como demência, psicoses, doenças degenerativas, problemas de memória, coordenação, raciocínio, da fala e até cegueira. Um dos itens a ser avaliado é a tinta utilizada. Os responsáveis pela TSEVA não foram localizados para comentar o assunto.

 

Bruno Ferro – Diário da Região

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