Aluno agride professor em aula sobre violência

Mais um professor foi agredido, desta vez com chutes e socos, na escola Bento Abelaira Gomes, no Jardim Antunes, zona norte de Rio Preto, na segunda-feira, dia 14. É o terceiro caso de violência contra docentes na rede estadual desde a última sexta-feira, o segundo na mesma escola. Por ironia, o professor de sociologia Aparecido Pires Leodoro, 59 anos, discutia a violência na sociedade em sala de aula com alunos do 2º ano do ensino médio matutino quando pediu para um deles desligar o celular. Diante de sucessivas recusas do adolescente, Leodoro decidiu levar o caso à diretoria.

O jovem foi repreendido e, revoltado, voltou à sala de aula. “Ele disse que ia me matar e veio para cima. Levei uma voadora nas costas, depois socos e chutes. Se não fossem os outros alunos segurarem ele, poderia ter sido muito pior”, diz Leodoro. O professor registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e fez exames de corpo de delito. “Estou com muita dor na coluna e dormência nas pernas.” Leodoro disse que nunca havia sido agredido antes em sala de aula. “É muita humilhação e revolta. Eu ensino justamente o contrário do que ele fez comigo.”

Leodoro ficará afastado da sala de aula pelo menos uma semana. “Hoje (terça-feira) acordei com taquicardia pensando que voltaria a lecionar. Fica o trauma, não tem jeito.” Na sexta-feira, dia 11, outro professor, Alexandre César Mota Frezarin, 30 anos, havia sido agredido na mesma escola. “Eu estava fazendo chamada em uma sala do 7º ano do ensino fundamental quando chegou um garoto de 12 anos que nem era da sala e me deu uma gravata no pescoço. Chamei a atenção e ele ainda riu na minha cara.” O menino foi suspenso pela direção do colégio. “Meu medo é que um dia alguém dê uma arma pra ele e aconteça algo parecido com o que a gente vê em escolas dos Estados Unidos de tempos em tempos.”

 

O Diário ouviu o menino na casa dele, nesta terça-feira, dia 15. “Não fiz nada demais, foi só uma brincadeira que o professor não gostou.” Ainda com dores nas costas, Frezarin, que leciona português, regressaria na terça-feira à escola pela primeira vez após a agressão. “Estou com receio, sim. Está cada vez pior. Os pais acham que a escola é depósito de criança, é complicado.” Na sexta-feira, dia 11, uma professora e uma inspetora foram agredidas fisicamente e ameaçadas de morte por alunos na escola estadual Sonia Maria Venturelli, no São Deocleciano, zona leste de Rio Preto.

A Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual, aponta omissão das famílias e do Estado diante do agravamento da violência nas escolas. “O professor está cada vez mais acuado, porque a violência física e verbal é quase cotidiana, já faz parte do dia a dia em sala de aula”, afirma a coordenadora da Apeoesp em Rio Preto, Alaíde Nicoletti Pinheiro. Em nota, a Secretaria Estadual de Educação diz “lamentar” e “repudiar” os episódios de violência. Diz ainda que os alunos envolvidos foram suspensos e os pais convocados à escola. “Cabe informar que a unidade (Bento Abelaira Gomes) possui professor mediador, profissional especializado em conflitos, que vai trabalhar a prevenção e combate à violência com os alunos.”

Projeto será iniciado na sexta

O adolescente de 16 anos que agrediu o professor de sociologia na escola Bento Abelaira Gomes, em Rio Preto, estava em liberdade assistida e, por isso, deve retornar ao regime de internação da Fundação Casa, segundo o juiz da Infância e Juventude, Evandro Pelarin. Até as 18h de terça-feira, dia 15, no entanto, o magistrado não havia sido notificado oficialmente dos casos pela polícia e pelo Ministério Público. “Certamente essas ocorrências não ficarão sem resposta da Justiça”, antecipou Pelarin.

Para o próximo dia 18, a Vara da Infância prevê a implantação do programa Justiça Restaurativa, do Tribunal de Justiça (TJ), em uma escola de Guapiaçu. O programa concede aos professores mediadores, já existentes na rede estadual, poder para mediar acordos extrajudiciais dentro da escola, para casos considerados menos graves. “Se um aluno quebra de propósito um equipamento escolar, por exemplo, seus pais serão chamados e terão de pagar pelo dano.” O acordo será formalizado e homologado pelo MP e Justiça. A ideia, segundo Pelarin, é expandir a experiência para escolas públicas de Rio Preto ainda neste ano.

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