Os afogamentos representam uma das principais e mais trágicas causas de morte de crianças no Brasil, com uma média assustadora de quatro vítimas fatais por dia. O dado faz parte de um alerta emitido pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), que lança neste mês de julho uma grande campanha nacional para tentar frear esses acidentes. Segundo a instituição, o afogamento é a segunda causa de morte mais frequente entre crianças de 1 a 4 anos de idade, ocupando a terceira posição na faixa dos 5 aos 9 anos e a quarta colocação entre jovens de 10 a 24 anos.
O presidente da Sobrasa e coronel do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Fábio Braga, destaca que o período de férias escolares exige atenção redobrada dos pais e responsáveis. Ele ressalta que até 95% dos afogamentos poderiam ser evitados simplesmente com acesso a educação e informação. Um dos dados mais surpreendentes da organização mostra que metade dos afogamentos com crianças acontece dentro da própria casa, envolvendo locais comuns como piscinas, banheiras, máquinas de lavar, vasos sanitários, caixas d’água e baldes. Para proteger os pequenos, os especialistas apontam que a melhor saída é a supervisão constante de um adulto, além do uso de cercas e barreiras em piscinas e o isolamento de qualquer reservatório de água.
O problema, no entanto, atinge todas as idades. No cenário geral do país, uma pessoa morre afogada a cada 90 minutos, somando mais de 5,7 mil mortes por ano, sendo que a maior parte das tragédias — cerca de dois terços — acontece em ambientes abertos como rios, lagos e represas. Como o afogamento não acontece por acaso, a Sobrasa defende que a vigilância e o comportamento seguro são os caminhos mais eficazes para salvar vidas.
Para dar força a essa mensagem, a campanha em torno do Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, lembrado em 25 de julho, vai mobilizar 10 mil voluntários por todo o Brasil, além de contar com a parceria de universidades, clubes, Corpo de Bombeiros e guarda-vidas. Entre as principais ações planejadas estão palestras, treinamentos gratuitos sobre segurança na água e o movimento “Go Blue”, que vai iluminar de azul grandes monumentos e cartões-postais do país, como o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, e a Arena Castelão, no Ceará, chamando a atenção de toda a sociedade para a causa.












