Alan Fonteles fala sobre sua carreia como campeão paralímpico

Fenômeno paralímpico, Alan Fonteles, esteve na tarde de ontem em Votuporanga, contou um pouco sobre sua trajetória e respondeu pergunta do público presente.

 

O evento promovido pelo Sesc Rio Preto em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e o Sincomércio de Votuporanga.

 

O atleta brasileiro ganhou enorme repercussão nos Jogos Paralímpicos de 2012, disputados em Londres. Ele venceu os 200m na categoria T43 e destronou o sul-africano Oscar Pistorius, medalhista de ouro na prova nas duas edições anteriores do torneio.

 

“Eu estava em terceiro lugar, quando entramos na reta final, eu vi que tinha condições de ir mais rápido. Então disparei, quando cruzei a linha de chegada, foi aquela sensação de felicidade, de dever cumprido. Todos diziam que Pistorius era imbatível. E eu provei que não era bem isso”.

Em pouco mais de um ano, o brasileiro consolidou sua carreira, conquistando, dentre vários títulos, mais quatro medalhas no Mundial de atletismo paralímpico disputado em Lyon, na França. Foram três ouros (100m, 200m e 400m) e uma prata (4×100 m).

 

“Minha deficiência não vai me impedir de fazer nada”, é a resposta de Fonteles quando questionado se deixou de fazer algo em decorrência de sua deficiência. “Eu corria e jogava bola. Na escola, sempre brinquei com os meus colegas. Tive uma infância normal”, completa.


Planos

Antes de pensar nas paralimpíadas de 2016 no Rio, Fonteles foca primeiramente em 2015. “Tenho campeonato brasileiro ainda pela frente. Depois começamos 2015 do zero. Serão seis competições. Também existe a possibilidade de passar uma temporada nos Estados Unidos, onde meus principiais adversários treinam. Ano que vem também quero tentar disputar o Troféu Brasil”.

 

Atleta também afirmou que disputará uma competição em Qatar onde pretende defender seus títulos e procurar melhorar ainda mais seu desempenho.

 

“Em 2016, no Rio, quero levar ouro em todas as provas que disputar. Estou treinando para isso. Quero manter minhas vitórias. Pretendo representar o Brasil por muitos e muitos anos”, diz Fonteles.


Próteses

O atleta relata que teve problemas com adaptação com as próteses de competição. “A maior dificuldade foi a adaptação. São feitas de fibras de carbono, mesmo material usado nos carros de corrida. É uma adaptação diária, pois eu vou de 1,72 para 1,83m.

Isso mexe com meu equilíbrio.  Comecei a competir em 2001, mas usavas as próteses de caminhada que uso no dia a dia. Só em 2008 tivesse acesso as próteses de carbono. Cada par custa, no Brasil, cerca de 20 a 30 mil reais”.


Questionamento

Após ser derrotado pelo brasileiro, o sul-africano Oscar Pistorius questionou as próteses usadas por Fonteles. Segundo ele, a que Alan vem usando é grande demais, o que daria vantagem ao brasileiro.

 

Mas de acordo com a regra estabelecida pelo Comitê Paralímpico Internacional (CPI), Fonteles poderia usar uma prótese ainda maior, e ainda assim estaria dentro do regulamento.

 

Quando questionado, Fonteles afirmou que venceu graças a seu esforço e não pela prótese. “Foi um momento inoportuno o comentário de Pistorius, ele tentou tirar o brilho de minha vitória. Ele usa o mesmo modelo e a mesma marca da minha prótese. É igual na Fórmula 1, todos tem um bom carro e alguns se destacam. Alonso pilota uma Ferrari e Massa também, mas os desempenhos são diferentes” diz Alan.


De fã para ídolo

Quando era mais jovem, Alan tinha Robson Caetano como ídolo. Neste ano, ao vencer as provas em Londres, Fonteles tornou-se ídolo não só da torcida brasileira, mas também do pequeno britânico Rio Woolf, de cinco anos de idade.

 

O garotinho teve que amputar a perna direita com apenas 14 meses de vida, em decorrência de um problema congênito teve a oportunidade de conhecer o atleta brasileiro, após acompanhar as atuações de Fonteles nas provas.

 

“Foi uma grande felicidade. Vi uma foto dele fazendo o mesmo gesto que eu faço durante minhas vitórias, ao lado da televisão. É muito bom ver que uma criança, esta tendo eu como exemplo. Isso mostra que estou conseguindo desenvolver um bom trabalho dentro e fora das pistas”, diz o atleta. Alex Pelicer A Cidade

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