Águia 19: encurtando distâncias entre a vida e a morte

A equipe de Policiais Militares da Base de Rádiopatrulha Aérea de São José do Rio Preto, conhecida como Águia, tem um efetivo de 32 policiais, mas atualmente conta com 22. De acordo com o capitão Siqueira, o Águia atende 96 municípios da região, desde Paulo de Faria, Votuporanga, Santa Fé do Sul, Santa Adélia, Catanduva, Nova Granada, e demais municípios do noroeste paulista – Interior 5. A Base é formada por três pilotos, três comandantes e dois co-pilotos. O piloto fica operado com todo o voo em si, já o co-piloto faz contato com os policiais em solo.

 
Em entrevista absolutamente exclusiva ao Diário de Votuporanga, o capitão relatou que na Base eles possuem um farol de busca, de lente de vidro, com 2.400 Watts, sendo que aberto é capaz de cobrir um campo de futebol inteiro. O farol é instalado por volta das 17h e pela manhã do outro dia ele é desinstalado. Os policiais utilizam o farol de busca durante as ocorrências noturnas.

 
“Prestamos bastante apoio ao Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Estadual, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ambiental, entre outras. Na operação conjunta com o Corpo de Bombeiros, prestamos apoios em ocorrências de incêndio – carregando normalmente um Bambi Bucket, caçamba que suporta 540 litros de água. Já com a Polícia Rodoviária Estadual e Polícia Rodoviária Federal, o apoio é prestado geralmente em feriados, com o acompanhamento de veículos nas rodovias. E com a Polícia Ambiental, o apoio visa a fiscalização de rios e áreas devastadas – um policial ambiental permanece no interior do helicóptero para indicar a área correta”, contou em entrevista exclusiva ao Diário.

 
Na sala de rádio, onde eles escutam as ocorrências, sempre tem um tripulante pronto. “Quando saímos para as ocorrências, saímos armados. O piloto e o co-piloto saem com pistolas, já os tripulantes que vão na parte de trás do helicóptero, saem com metralhadoras”.
A manutenção do helicóptero Águia 19 acontece a cada sete dias. Os policiais costumam atender mais as ocorrências emergenciais e resgates. Após serem acionados para atender alguma ocorrência, os policiais demoram cerca de dois a três minutos para fazer a decolagem da aeronave.

 
“Não podemos perder tempo, o helicóptero fala com qualquer viatura que está ao solo. Temos todos os canais corretos no rádio, e também não esperamos para ser chamados a comparecer em alguma ocorrência, quando escutamos no rádio, já decolamos de imediato”, declara capitão Siqueira.
Normalmente, as ocorrências de acompanhamento de moto são difíceis para as viaturas, por mais que a viatura perca, a equipe de policiais que decolam no helicóptero não perde, e dá as coordenadas para as viaturas que estão ao solo.

 

Jornada de Trabalho
Capitão Siqueira disse para a equipe do Diário que a jornada de trabalho dos policiais é de 12 horas, ou seja, das 7h às 19h. Pelo período noturno, os policiais permanecem em sobreaviso em suas residências. Se caso alguma ocorrência acontecer pela noite, a equipe se desloca até o quartel e do quartel eles decolam com a aeronave.
“Se caso não houver ocorrências pelo dia, os policiais têm estudo com os batalhões da área, realizam voos preventivos e ajudam as viaturas”, relata o capitão durante a entrevista exclusiva ao Diário.

 

Atuação
A Base de Rádiopatrulha Aérea de São José do Rio preto possui três anos de atuação, está situada na avenida Clovis Roger, 501, há quatro meses, com 1.600 metros de área construída, sendo que seu principal objetivo é potencializar as atividades da Polícia Militar, e dar apoio às diversas unidades de policiamento. “Em 2014 será lançado um concurso para médicos e enfermeiros, que deverão tripular na aeronave, em atendimento nas ocorrências”, declarou Siqueira.
De acordo com o capitão, até hoje foram aproximadamente 1.000 horas de voo e 2.500 missões. “Na rota, todos os helicópteros mantêm a mesma altura, a aeronave voa aproximadamente a 240 km/h”.

 
Capitão Siqueira declarou que, em breve, haverá uma simulação de acidente de aeronave, em que um ou dois aviões simularão uma fuligem e os coadjuvantes farão maquiagens de ferimentos.

 

Ocorrências Marcantes
Para o Capitão Siqueira, houve duas ocorrências mais marcantes. A primeira foi de um taxista vítima de sequestro relâmpago. Fato em que os criminosos o deixaram em um canavial próximo de Cedral – SP por volta da 1h. A vítima teve tudo levado pelos ladrões, entre celular, dinheiro e pertences pessoais, menos outro celular que estava escondido em um bolso de sua calça, o que facilitou para a vítima pedir socorro aos policiais. A vítima ligou para o 190, e os policiais da viatura transferiram a ligação para a equipe do Águia 19, fazendo com que a vítima conseguisse ser localizada com facilidade.

 

A outra ocorrência marcante para o capitão ocorreu quando o helicóptero Águia da PM foi utilizado para agilizar o transporte de um coração, para uma criança de apenas dois anos de idade. A criança foi operada, pois tinha miocardiopatia dilatada, que é quando o coração não bate como deveria. Ao todo, foram 141 dias de luta. O helicóptero do Águia pousou em um campo de futebol da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, que fica aos fundos do Hospital de Base. Essas ocorrências são chamadas de “Missões de Misericórdia”, quando envolvem transporte de órgãos, busca de remédios e remoção aeromédica.

 

Capitão Siqueira ressaltou uma ocorrência que os policiais realizaram na última terça-feira, que também foi marcante para a equipe do Águia. O helicóptero Águia foi usado para buscar um antídoto na USP de Ribeirão Preto – SP. A aeronave pousou em um campo de futebol a poucos metros do Hospital de Base, onde estava internada a criança de apenas dois anos que havia ingerido o veneno cianeto, que a família utilizava para limpar joias e estava em uma garrafa de isotônico. O helicóptero Águia pousou em um campo de futebol próximo ao hospital por volta das 18h30 e, por volta das 19h15 a criança já estava tomando o antídoto. “Na verdade o transporte do antídoto seria realizado pela equipe dos policiais de Ribeirão Preto, mas a aeronave deles estava com pane, e diante disso, fomos designados para atender essa emergência. Hoje, a criança não corre mais risco de morte”.

 

Paola Munhoz – Diário de Votuporanga

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