Agora, tudo vai mudar

Pronto. Parece que liberou-se o consumo de maconha, ou melhor, oficializou-se o que já estava sendo feito desde há muito tempo. Não, não vou criar polêmicas, afinal, a coisa é muito simples: defende a maconha quem é usuário, condena a erva quem não a fuma. Podem existir umas exceções quanto a isso, mas são apenas exceções. Como não usuário, claro que não acredito que fumar maconha seja uma questão de cultura.

Quero crer que é uma questão de ponto de vista; afinal, a maconha tanto quanto o cigarro, o álcool ou seja lá que m**** for, essas coisas que nos desviam da normalidade, são drogas, são entorpecentes. Há quem queira viver drogado, entorpecido, portanto, é questão de ponto de vista, de gosto. O que me impressiona é o fato de a medida vir baseada em uma utopia de acompanhamento médico. Caramba, esses camaradas nunca ficaram numa fila de pronto socorro de hospital público, para acreditar nisso.

A liberação da droga realmente já ocorreu em países desenvolvidos, mas não foi esta medida que corrigiu a desigualdade social e nem possibilitou grandes investimentos em educação. Isso aconteceu antes, os países investiram em políticas sociais e educacionais e, com uma sociedade mais madura, consciente e politizada, a liberação adveio. Nesse Brasil da contramão, decidiram liberar primeiro e depois, bom, sabe-se lá o que vai acontecer depois. Muitos defendem o uso medicinal. Ah, bom! Fico mais tranquilo; ninguém vai querer fumar maconha para ficar “viajandão”, e sim só para não ter insônia, dor de estômago, depressão ou dor de cabeça. Com certeza, teremos um país mais saudável depois disso.

O que acho interessante é que os defensores da liberação, gostam de falar que nos países onde ela aconteceu, está tudo uma maravilha. Citam a Holanda e também aquele outro país, a Holanda, e falam ainda da Holanda e, na Europa, destacam a Holanda ou aquele lugar onde mora um monte de loirinha, que exporta flores, sabe? A Holanda. E ainda tem aquele onde as pessoas usam uns tamancões de madeira, acho que chama Holanda, sem falar naquele outro, que tem um monte de moinho de vento, senão me engano, parece ser Holanda. Como se vê, uma lista enorme de sucesso, num universo em que, segundo a ONU, devem existir 192 países.

Se não for engano meu, nem na Jamaica o uso da maconha é livre. Tudo bem que lá (como cá) isso não queira dizer nada, já que muitos nativos fumam, principalmente os que pertencem a uma seita religiosa, os rastafaris. No entanto, segundo um amigo meu que viajou por lá, 90% dos maconheiros são turistas. Os demais, fazem uso medicinal ou religioso da droga, ou seja, por intermédio de receita médica ou em forma de chá. Mesmo assim, o índice de dependência é de 50 para cada 100 habitantes e como não existe distribuição gratuita, a consequência é uma prostituição alarmante.

Mas, se na Holanda deu certo; se na Espanha, está dando; se na Suécia também e na Argentina idem, antes que os usuários me sacrifiquem, quero deixar bem claro: eu sou a favor da legalização da maconha para uso medicinal. Quanto para outros fins, mantenho-me na linha de pensamento de não me imaginar sendo dependente de algo, prefiro tentar controlar a minha vida e não precisar de muito para ser feliz. Perdoem-me aqueles para quem a palavra auto-suficiência diz muito pouco. É uma palavra que não quero deixar de usar!

Orlando Ribeiro

Diretor de Eventos e Cerimoniais da Prefeitura de Votuporanga, mestre de cerimônias para casamentos e debutantes.

No Twitter: @orribe e endereço eletrônico: orlando.leitor@gmail.com

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