Acusado de matar bebê é julgado no Fórum nesta sexta



O Tribunal do Júri da Comarca de Votuporanga realiza nesta sexta-feira, um dos julgamentos de um dos crimes mais bárbaros e de maior comoção popular da história da cidade. A partir das 9 horas, o comerciante Braw Michael Verde, 26 anos, vai ao banco dos réus para ser julgado pela culpa no assassinato da pequena Ana Clara da Silva Lagoin, de dez meses de idade, que aconteceu no dia 10 de dezembro de 2011, no interior da casa da família da bebê no Bairro Palmeiras I.

Ele também vai responder por duas tentativas de homicídio contra familiares da vítima que estavam no imóvel, na hora do crime. Ana Clara foi alvo de um tiro quando estava no colo da avó, supostamente após uma briga de vizinhos por causa do som alto do bar do acusado, que era localizado a poucos metros da residência onde o crime foi consumado. 

A acusação contra Braw será de responsabilidade do promotor Marcus Vinícius Seabra. Já a defesa do acusado será efetuada pelo advogado criminalista Marcus Antônio Gianezi. O sorteio dos 25 nomes que deverão comparecer ao julgamento para a formação do Conselho de sentença acontece no próximo dia 6, às 13h15, na sala de audiências da Primeira Vara. O suposto autor do crime está preso no município de Andradina desde o dia dos fatos. Segundo a denúncia do Ministério Público, no dia 10 de dezembro de 2011, por volta das 20h20m na rua Domingos Mega, o réu, agindo por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa, matou Ana Clara quando atirou contra a avó dela, Aparecida Benta dos Santos, de 68 anos. Um dos tiros chegou a ferir um adolescente de 15 anos que estava na casa.

Perturbação

Ainda segundo a denúncia, no dia do crime, a Polícia recebeu três ligações pelo telefone 190, dando conta de que, na noite do assassinato em frente ao “Bar do Braw” havia uma caminhonete preta, cabine dupla, com a tampa traseira aberta e potente equipamento sonoro, ligado em volume excessivo, que gerou perturbação do sossego na vizinhança. Os policiais foram ao local, por volta das 12h49, e encontraram o acusado no local. Ele fechou a tampa traseira da caminhonete alegando que o sogro dele estaria apenas testando o equipamento de som. Porém, a PM apreendeu o veículo e a aparelhagem. Horas depois, por volta das 20h20, Braw, de acordo com o MP, inconformado com o registro da ocorrência, teria deduzido que a vizinha, avó de Ana Clara, é quem teria acionado a PM pela manhã, e resolveu “acertar as contas” com a idosa e os familiares dela.

 

Tiros

Em ação, classificada pela acusação como de maneira inesperada e abrupta, agindo de surpresa, estando do lado de fora da casa da vítima, junto ao vitrô da sala, o réu teria posicionado a arma junto à cortina, de onde efetuou quatro disparos na direção de Aparecida, a qual estava sentada no sofá, segurando no colo o bebê Ana Clara, e também na direção do adolescente. Dois dos disparos atingiram a criança e menino, enquanto os outro atingiram o imóvel, sem que a idosa ficasse ferida.

Em seguida, o autor fugiu do local, tentando se esconder na casa de um colega no bairro Pozzobon, alegando que tinha feito uma “cagada” e que precisava de ajuda.Instantes depois, policiais militares chegaram ao local e prenderam o denunciado em flagrante delito. Na prisão, ele teria dito que sabia o motivo de sua prisão. Ana Clara foi atingida no peito e faleceu. O adolescente foi atingido na mão esquerda.

 

Defesa

Em reportagem publicada no dia 16 de março do ano passado pelo A Cidade, comerciante Braw Michael Verde, de 25 anos, negou, por meio de seu advogado, ser o autor do tiro que matou o bebê Ana Clara, e das duas tentativas de homicídios contra a avó e o primo adolescente da criança. De acordo com a versão apresentada pela defesa, no momento do crime, ele estava participando de um churrasco, nas casa dos pais. Braw negou ter entrado na casa e efetuado disparos.

“Ele contou que na hora dos acontecimentos, estava em um churrasco na casa dos pais, informação que foi confirmada por mais que uma testemunha. Braw contou que em determinado momento, decidiu ir até a casa de um amigo no bairro Pozzobon. Ele pegou o carro do pai e fez o caminho por pista, já que não queria atravessar a cidade dirigindo, pelo fato da carteira de motorista dele estar vencida e por ter ingerido bebida alcoólica. Antes de chegar na casa do amigo, ele acabou fechando uma moto, derrubando o motociclista, mas foi embora sem prestar socorro. Nas casa do amigo, ele foi preso pela PM e por isso disse aos policiais a frase ‘eu fiz cagada…´, se referindo ao acidente, e não porque tinha cometido um homicídio”, afirmou o advogado.

Ainda segundo o advogado criminalista Marcus Gianezi, a estratégia de defesa do suspeito vai se basear na negativa de autoria. Ele aponta que há depoimentos contraditórios em alguns pontos, como por exemplo na descrição das testemunhas quanto as vestes utilizadas pelo assassino, que de acordo com a defesa, não eram parecidas com as que Braw utilizava. “Ele nega que tinha atirado. As provas terão que aparecer. Pela ótica da defesa, foram constatadas algumas incoerências nos depoimentos, com relação às roupas que ele utilizava e até se realmente ele foi visto na cena do crime, ou se acham que era ele. Foi feito perícia nas mãos dele, para busca de vestígios de pólvora, afinal foram quatro tiros, mas os resultados deram negativo”, avaliou o advogado de defesa.

 

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