Acusado de executar Camila presta depoimento no Forum

Foi realizada ontem à tarde, na Vara da Infância e Juventude do Fórum da Comarca de Votuporanga, a audiência para depoimentos do julgamento do suposto assassino da jovem Camila de Jesus Lopes, de 21 anos, executada friamente com tiros, na rua Maranhão, próximo ao cruzamento com a avenida Prestes Maia, em julho do ano passado.

 

O acusado, um jovem conhecido por “Renan”, hoje com 18 anos, responde pelo ato infracional de homicídio doloso (quando fica caracterizada a intenção de matar) duplamente qualificado, por ser menor de idade na época do crime.

 

Outro acusado pelo crime, que seria quem conduzia a moto que levou o assassino ao local onde a vítima estava, será julgado na próxima sexta-feira (12).

 

 

O réu foi preso em novembro do ano passado, durante uma ação da Força Tática da Polícia Militar de Votuporanga, que “estourou” uma central do crime que funcionava em uma casa na rua Rio de Janeiro, entre as ruas Minas Gerais e Bahia, na região central da cidade.

 

Durante a ação, foram apreendidas grandes quantidades de drogas, R$15 mil em dinheiro, mais de 50 munições de arma de fogo, dos mais diversos calibres, inclusive dos utilizados no homicídio da jovem Camila. Na época, Renan era procurado pela Justiça pelo assassinato da jovem. Além dele, outros dois indivíduos foragidos foram detidos na casa.

 

 

Na audiência de ontem, prestaram depoimentos cinco testemunhas de acusação, entre elas, a delegada titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Edna Rita de Oliveira Freitas, que foram ouvidas pelo juiz José Manoel Ferreira Filho sem a presença do réu.

 

Além delas, falaram também quatro testemunhas de defesa, mais o réu, último a dar sua versão dos fatos.

 

Denúncia

 

 

Segundo o Ministério Público, Camila foi morta porque no passado, testemunhou contra o autor (Renan), em um processo em que ela foi testemunha ocular do homicídio de Danitiel Aparecido Fortunato, com trâmite na Vara da Infância e Juventude.

 

Como resultado, o então adolescente infrator acabou internado na Fundação Casa, tendo cumprido medida socioeducativa a ele imposta.

Entretanto, quando saiu do cárcere, movido pelo sentimento de vingança, ainda segundo o MP, o suposto assassino jurou Camila de morte, a qual fazia uso de crack, bebidas alcoólicas e à prática da prostituição para manter-se. Na noite do crime, ele teria convidado Rogério Shiavo para auxiliar no homicídio.

 

O suposto comparsa dirigia uma moto, levando Renan na garupa, e foram ao encontro de Camila. “Quando chegaram ao local, o réu desceu da moto e disparou várias vezes contra a vítima, enquanto Rogério ficou na moto aguardando a consumação da execução”, diz a denúncia.

 

Defesa

 

Em entrevista exclusiva ao A Cidade, antes do início da audiência, o advogado criminalista Cléber Costa Gonçalves dos Santos, afirmou que a defesa é baseada na negativa de autoria. “Será aprovado que o meu cliente não estava no local dos fatos, e sim em outra localidade. Ele estava na casa da própria esposa, os vizinhos estavam com ele. Não existe nada comprovando que ele estava no local do crime”, disse o defensor.

 

Cleber dos Santos também questionou a atuação da polícia, que segundo ele, não solicitou imagens do circuito interno de monitoramento de uma loja de materiais para
construção, localizada próxima ao ponto onde Camila foi executada, que poderiam ter flagrado a ação dos criminosos. “A investigação deixou a desejar. Não existem provas contundentes de que o Renan estava no local”, enfatizou.

 

Mesmo sendo maior de idade hoje, o réu responde ao que diz o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), já que o crime ocorreu quando era menor de idade. Se por acaso for condenado e receber internação na Fundação Casa, poderá estar livre da pena até o 21 anos. Ainda segundo o advogado, a expectativa é de que a sentença sai em um prazo de aproximadamente 30 dias.

 

Jociano Garofolo

garofolo@acidadevotuporanga.com.br

 

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