Acidentes com morte crescem 42% na região

De janeiro a julho deste ano 177 pessoas morreram em acidentes – tanto dentro do perímetro urbano quanto nas estradas – nos 96 municípios da região de Rio Preto, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Esse número leva à média de quase uma morte por dia e é o maior no período desde que as estatísticas começaram a ser feitas, há três anos. Também é 42% maior que o total registrado no ano passado, 125 mortes em sete meses.
Em Rio Preto também houve aumento, de quase 47%, nas mortes registradas de janeiro a julho deste ano em comparação a igual período de 2013. Enquanto no acumulado dos sete primeiros meses do ano passado foram 17 vítimas, neste ano foram 25.
Os números, que remetem a um cenário de guerra, deixam marcas. A autônoma Analfa Domingos de Oliveira, 47 anos, e a família dela convivem com as dores emocionais de perder a filha, Maria Fernanda, de 9 anos, e também as físicas, sequelas deixadas do acidente em que se envolveram no dia de 30 de junho do ano passado, na rodovia Assis Chateaubriand (SP-425), em Rio Preto.
Analfa estava sentada no banco de trás de um Gol, junto com a filha e o marido, Carlos Alves da Silva, 61, e a mãe dela, Luzia Maria de Oliveira, 87, quando o carro foi atingido na traseira por uma caminhonete conduzida por Raphaelo dos Reis Pissolatti, 22 anos, que está em liberdade e irá a júri popular por homicídio doloso (com intenção de matar) em data ainda não marcada.
A perícia constatou que Pissolatti estava embriagado e dirigia sua Ranger acima de 140 km/h quando bateu na traseira do Gol da família da pequena Maria Fernanda.
Com o impacto da batida, o carro foi totalmente destruído. Maria Fernanda chegou a ser atendida, mas morreu logo após os primeiros socorros. Os familiares ficaram feridos. “Passamos o dia na chácara da minha irmã e parece que ela sabia o que ia acontecer. Ela estava diferente, me abraçou o tempo todo e me disse que me amava muito, muito, muito. Falou para que eu não esquecesse disso nunca. Metade da minha vida acabou, o que me conforta é acreditar na doutrina espírita de que ela está viva e de que vou encontra-lá”, disse Analfa, que ainda sente dores do lado esquerdo do corpo. “Tenho dores na perna e no braço o tempo todo. Meu marido também não é o mesmo”.

Aumento
O número de mortes em acidentes de trânsito cresceram ano a ano na região. Em 2011 foram 166. No ano seguinte, para 171. Em 2013, ligeira queda: 125. Já neste ano um novo aumento – 177 vítimas mortas em sete meses. Por trás dos dados estatísticos, ao menos dois elementos em comum presentes: a embriaguez e a imprudência ao volante, segundo a polícia.
“Esse fato se deve a um conjunto de fatores, porém acreditamos que a causa principal seja o desrespeito do condutor à legislação de trânsito em geral e, em especial, ao limite de velocidade. Muitas das mortes no trânsito ocorrem nas rodovias, onde muitos condutores acabam dirigindo em velocidade excessiva, aumentando o risco de acidentes e quando estes acontecem, potencializam o resultado morte”, disse o tenente Rafael Henrique, relações públicas do CPI-5 da Polícia Militar.
Para que os números reduzam é preciso educação no trânsito e rigor na fiscalização. “Muito embora a fiscalização exista, precisa ser mais acirrada e a sociedade precisa mudar a visão de que: polícia faz a fiscalização querendo arrecadar com multas, porque a ideia é, justamente, combater. Os dois elementos-chave são a fiscalização e a educação no trânsito. É até adequado incluir a legislação de trânsito na grade curricular ou extracurricular”, afirmou o policial militar Herbert Luís da Costa, professor universitário especializado em legislação de trânsito.

Prevenção
Já as polícias rodoviárias estadual e federal orientam os motoristas a adotar medidas que previnem acidentes: respeitar o limite de velocidade; não dirigir sob efeito de álcool; manter a distância do veículo que segue à frente, pois qualquer freada brusca pode causar um acidente; andar sempre com o farol aceso, o que facilita a identificação pelos demais motoristas que transitam pela via; sempre usar os equipamentos de proteção, como cinto de segurança e capacete. Diário da Região

0 Comentários

Deixe um Comentário

Login

Bem vindo! Faça login na sua conta

Lembre de mim Perdeu sua senha?

Lost Password