Academia Cerejeira de Judô fecha as portas após 59 anos

Fundada em 1954 pela colônia japonesa, academia é umas mais tradicionais do interior de São Paulo; última aula será realizada na noite de hoje 

Após quase 60 anos ininterruptos de atividades, a tradicional Academia Cerejeira de Judô irá fechar as portas definitivamente a partir de hoje, com o encerramento da última aula marcada para as 19h. Depois haverá uma rápida cerimônia com a presença de atletas, pais e amigos da academia.

A novidade foi revelada pelo sensei Hidehito Otuki, de 77 anos. Um dos primeiros integrantes da academia, fundada em 1954, o sensei é o atual presidente do Cerejeira. A academia iniciou as aulas com apenas meia dúzia de judocas nas fazendas de propriedade da colônia japonesa, ainda quando Votuporanga era uma pequena vila.

Rapidamente o esporte se tornou um dos mais praticados na cidade e o Cerejeira formou diversos grandes atletas, transformando Votuporanga em um dos maiores pólos do judô no interior de São Paulo. O campeonato de judô Nozomu Abe, organizado pelo Cerejeira, teve sua 58ª edição disputada ano passado e é mais antigo até que a própria FPJ (Federação Paulista de Judô), tendo recebido nomes como Aurélio Miguel, Carlos Honorato, Edinanci Silva e Branco Zanol. 

Em entrevista ao O Jornal, Otuki revelou estar cansado após 60 anos dedicados ao esporte em Votuporanga. “Não sei o porquê tenho que me dedicar a academia até morrer. São muitas horas por dia, vários dias por semana. É cansativo, também tenho o trabalho na fazenda. Quero me dedicar mais a família”, revelou.

Questionado se não há alguém que possa cuidar da academia no lugar dele, Otuki explicou considerar difícil a passagem de bastão. “Quem quer assumir a academia? Eu pago para dar aula, tenho os gastos com funcionários”, explicou.

Apesar de evitar apontar culpados na falta de apoio, o sensei não consegue esconder uma certa mágoa com a classe política de Votuporanga, especialmente com a prefeitura que não o ajuda na manutenção do Cerejeira. “Fui vereador por 10 anos durante a década de 80 e sei como funcionam os políticos”, afirmou.

Sobre o Nozomu Abe, que não foi organizado este ano por falta de ajuda, Otuki explicou que é um campeonato muito caro. “Não tem verba, então fica muito complicado para realizá-lo”.

Agora o sensei irá aproveitar para se dedicar as suas propriedades rurais, viajar e dar mais atenção à família. “Quero ter liberdade. Vou sentir muita falta, mas o que eu fiz pelo judô ninguém no Brasil conseguiu fazer em 60 anos”, garantiu.

Após o fechamento da academia, o futuro da sede da academia irá ser decidido pela colônia japonesa, proprietária do prédio. “Não avisei ninguém sobre o encerramento, apenas a família Abe. Também fui aos jornais, que sempre nos ajudaram, para fazer o convite sobre a última aula”, revelou. A Academia Cerejeira de Judô fica na rua Tietê, nº 196, bairro Santa Elisa.André Nonato/O Jornal

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