A moda, entre meninas, é a automutilação por amor

Alunas da escola estadual Celso Abbade Mourao, no bairro Solo Sagrado, criaram novo jeito de marcar as desilusões amorosas. Elas riscam, com estiletes ou lâminas de apontador de lápis, os antebraços como forma de aliviar a dor no coração. O fenômeno chamou atenção da direção da escola e desperta preocupação nas mães das estudantes.

Um dos casos virou boletim de ocorrência, registrado por mãe de aluna, que ficou muito preocupada quando descobriu riscos  no braço da filha de 12 anos.

“Ela chegou da escola com estas marcas no braço. Fiquei assustada. Mas a diretora me tranquilizou dizendo não tinha acontecido briga, mas que outras meninas também fazem isso”, disse a mãe.

A reportagem do Diário da Região esteve na manhã de hoje no portão de entrada da escola no Solo Sagrado, onde conversou com alunas que revelaram serem adeptas de automutilação por amor.
“Fiz para aliviar minha dor, porque o garoto terminou comigo. Me feri para não machucar outras pessoas. Com tempo, o sentimento de perda passa e não fico com marcas”, disse a menina, de 13 anos.
Outra menina de 13 anos, com os antebraços riscados de cortes feitos com estiletes, também disse que o motivo foi o fim de relacionamento.
“Na hora, a gente se corta para esquecer. Doi um pouco, mas o que sentia no coração doía muito mais. Com o tempo, não penso mais e a ferida sara”, diz a estudante.
A vice-diretora da escola Celso Abbade Mourao, Júlia Uyeda, diz ter atendido na secretaria dois casos de automutilação feminina. Na opinião da educadora, as meninas apenas passam por uma fase.
“Nos dois casos, chamamos as meninas para orientá-las. Depois, convocamos os pais das alunas para tranquilizá-los. Nenhuma delas chegou a ficar sangrando. São ferimentos superficiais”, comenta a educadora.
Risco à saúde
Mãe de uma das meninas praticante da automutilação, a monitora de enfermagem Karina Helena Limino está com medo da filha contrair doenças com os cortes feito nos braços.
“As meninas usam estiletes velhos e enferrujados. E se ela pega tétano ou outra coisa pior?”, questiona Karina.
O clínico geral Percival Miranda concorda com a receio da mãe, porque vê possibilidade das meninas desenvolverem infecções.
“Como o objeto cortante não é esterilizado, o ferimento pode ser porta de entrada para hepatite, tétano e até doenças sexualmente transmissíveis”, alerta o médico.
A psicologa Ana Monachesi diz que a automutilação juvenil é tipicamente feminina, ocorrida na fase pré-adolescente, e acontece em outros povos.
“Adolescentes indígenas e africanas praticam a autofragelação e até automutilação para demonstrar no corpo o sentimento que carregam”, explica.
Monachesi recomenda aos pais o encaminhamento das  filhas até os psicólogos, que vão determinar qual o tratamento correto.
“Geralmente a automutilação é uma fase da vida da adolescentes, mas não pode menosprezar o que acontece, porque, em casos extremos, pode terminar em suicídio”, avisa a psicologa. Marco Antonio dos Santos/Diário da Região

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